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Will you be my friend? Please...

por Bad Girl, em 30.09.08

De todas as expressões de uso e abuso corrente a que mais me causa trambolhões no estômago é aquela que reza "ele(a) faz o favor de ser meu amigo.". Mal ouço isto é ver-me de mãos juntinhas, apontadas para o céu, preces em riste a reclamar a aparição repentina de um "grande bem-haja" ou de um "então vá" para substitui-la. Hoje não resultou. De nenhuma das vezes. Foram duas, e ambas sobre a mesma pessoa. Que a mim não faz o favor de ser amigo. É meu amigo e pronto. E se isso for um favor, é favor fazer um último, que é desaparecer da minha vista. Mas o que passará pela cabeça de alguém, para além de uma aragem ininterrupta, para se gabar de que alguém faz o favor de ser seu amigo? Eu faço favores. Não muitos, que não sou dada a simpatias. Se a minha mãe pede, eu passo no supermercado. Isso é um favor. Se me dizem "Chegas-me aquilo, por favor?", é possível que eu chegue. Isso é um favor. Mas não faço o favor de ser amiga de ninguém. E livrem-se os meus amigos de o serem por favor. Aliás, tudo isso é de uma incoerência e de uma incompatibilidade total. Haver favores na amizade? Ela própria ser um favor? Não entendo. O que é, afinal, ser amigo de alguém por favor? Será do género boa acção? E quando é que uma pessoa faz o favor de ser amiga de outra? Quando não tem a mínima pachorra para a aturar e, ainda assim, a atura? Ou será quando não a suporta? E que razão de orgulho é esta? "Este é o ..., e ele faz o favor de ser meu amigo".
What the fuck. Comigo é mais: "Este é o..., e ele tem todo o gosto em ser meu amigo." E eu também. Se não for assim, é melhor que não seja de maneira nenhuma.

E depois sou eu que sou estranha. Pois sim.

Então vá, façam o favor de serem felizes, e um grande bem-haja para quem fez o favor de ser meu leitor e perdeu tempo com este post.

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Crystal clear

por Bad Girl, em 30.09.08

Eu queria ter mandado o polícia à merda quando ele perguntou à J. o que é que ela estava a fazer em Portugal. Mas eu não ia ao volante...
Eu queria ter perguntado ao polícia o que raio teria ele a ver com isso, quando quis saber que família ela tinha em Portugal. Mas o carro nem sequer era meu...
Eu gostava de ter mandado o polícia para o diabo que o carregue exactamente no momento em que ele lhe perguntou o que é que ela fazia para ter aquele carro da empresa. Mas sabia que era importante evitar um teste alcoolemia (importante não significa que o outcome fosse grave...).
Mas valeu a pena não ter feito nada daquilo. Porque gostei mesmo foi da gargalhada que soltei quando o senhor agente da autoridade tenta dar uma lição à J.:
- Sabe que a sua mãe não pode conduzir o seu carro?
- Sim, senhor guarda, eu sei. Ela não tem carta.

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O amor não existe.

por Bad Girl, em 29.09.08
Ele não é mais do que um estado psicótico.

A noite já ia longa, eu era a única do grupo que não tinha sequer um miligrama de álcool no sangue, mas esta não foi uma teoria cuspida por mim. A bem da verdade, gostava que tivesse sido. Porque já a teria desenvolvido muito melhor. Porque não teria chegado aos 30 sem poder dar um nome à coisa. Porque não teria de ter olhado além do meu umbigo e sido obrigada a dizer: "Como é que eu não me lembrei disso antes? Eu, a bipolar, não me lembrei disso? Lamentável!". Já que estamos numa onda de honestidade, a pessoa que proferiu esta frase não tinha uma teoria mais larga que esta. Era assim. Decidiu que era um estado psicótico e pronto. Eu posso não ter tido a ideia (oh, Deus, porquê?) mas posso desenvolve-la e analisa-la. É como alguém, um dia, ter dito: "Podemos mandar o Homem à lua!", e depois continuar a fazer o ponto de cruz, enquanto outro alguém babava perante tal ideia, pensando como leva-la a cabo.

Nesta dissertação eu tentarei provar, por todas e nenhumas razões, porque é o tal amor, uma psicose (prefiro chamar-lhe assim). Segundo a wikipedia, cuja fidedignidade não pode ser considerada em todas as circunstâncias, mas está suportada por boas teorias neste artigo, Psicose é um termo psiquiátrico genérico que se refere a um estado mental no qual existe uma "perda de contacto com a realidade" [trocando por miúdos: o amor é um mal de cabeça, em que a realidade fica tão subjectiva, que um olhar não é um apenas um olhar, uma frase está cheia de entrelinhas, um sorriso é um convite e uma palavra doce não é educação, é um psicose correspondida]. Ao experimentar um episódio psicótico, um indivíduo pode ter alucinações [ e um simples "vamos ao cinema" pode ser ouvido como "és a mulher da minha vida, vamos casar e ter filhos"] ou delírios [já a caminho do cinema, imagina-se a igreja, os convidados, o padre no altar..], assim como mudanças de personalidade [que estão intimamente ligadas ao facto de o outro não sofrer da mesma psicose e também ao facto de responder ou não a chamadas e sms] e pensamento desorganizado [ele(a) não ligou porque não gosta de mim. Ou se calhar gosta tanto que acha que é impossível eu também gostar dele(a). Não, mas ontem ligou. Sim, mas ontem ele(a) não me tinha visto ainda com olhos de psicótico(a). Só como amigo(a)...]. Tal é frequentemente acompanhado por uma falta de "crítica" ou de "insight" que se traduz numa incapacidade de reconhecer o carácter estranho ou bizarro do seu comportamento [eu ando a segui-lo(a)? Não, claro que não. Só estou a fazer os mesmos caminhos que ele(a), para perceber se ele(a) fica bem]. Desta forma surgem também dificuldades de interacção social [os amigos não importam. A família não importa. O Mundo, como se conhece, passa a girar em volta da outra pessoa] e em cumprir normalmente as actividades de vida diária.

Chegados à conclusão que uma pílula pode ser influência fatal na escolha de um parceiro para a vida e sabendo que o coração não passa de um músculo, não me venham agora vozes de reacção dizer que não, que talvez eu esteja ligeiramente (ou redondamente) enganada. O amor per si não existe além de uma psicose, porque se cria na cabeça. Na vida será importante encontrar alguém com uma psicose que suporte a nossa. O bipolar (agora gosto, agora não gosto, agora gosto, agora não gosto, já não o(a) posso ver à frente, ai tenho tantas saudades) precisa de um obsessivo compulsivo, que vá alinhando tudo à medida que os seus desejos variam. O esquizofrénico (está com outra(o); já não gosta de mim; há aqui uma voz a dizer-me para lhe ligar; outra diz-me para não o fazer) precisa de alguém com um transtorno dissociativo da personalidade (agora sou eu, agora já não sou, agora sou o(a) que te diz que eu gosto de ti), e por ai fora.
Num Mundo louco encontrar a alma gémea já não me parece importante. Importa, isso sim, encontrar alguém com quem possamos deixar parecer equilibrados, para poder dar largas às nossas psicoses.



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Agora só para as meninas...

por Bad Girl, em 29.09.08

O que há de errado com esta notícia?

Eu dou uma pista: o problema está no título.

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Epifania do fim-de-semana

por Bad Girl, em 28.09.08
(Aviso: este texto é demasiado coloquial. Deve-se ao facto de ser um copycat quase perfeito do diálogo em si)
Bad - Sabes, no fundo até gosto do R.
J. - É. Apesar de lhe estarmos sempre a dar tanga, eu acho que ele é um tipo porreiro.
Bad - Coitado. Tem bom fundo. Acha que é muito esperto e depois as pessoas comem-no por lorpa.
J. - É. Sabes quem também é assim?
Bad - Não.
J. - Nós.
Bad, só em pensamento - "#$%&/()(/&%$#"!

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Só para verem como anda a minha vida...

por Bad Girl, em 28.09.08
Ponho as coisas nestes termos: se houvesse, amanhã, possibilidade de deixá-la em standby e entrar num desses reality shows (género Big Brother, não me convidem para ordenhar vacas ou para andar agarrada a polígrafos) a resposta era:
- É que é já a seguir!

E fazia as malas...

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Fica então combinado...

por Bad Girl, em 26.09.08

Há tantos anos quantos uma mão cheia de dedos pode suportar, passei à porta da casa onde, literalmente, nasci. Dos anos de bebé aos meus 9 anos, toda a minha vida passou por ali. Guardava na cabeça recordações fabulosas daquela casa, do ambiente, dos acontecimentos.
Quando percebi que a casa estava a ser mostrada para venda não hesitei, e fui lá vê-la. Não foi bem a desilusão que tomou conta de mim. Mas toda aquela estrutura não tinha nada para me dizer. As minhas memórias sentiram-se espartilhadas naquele espaço que coisa alguma tinha a ver com as memórias passadas. Fiquei angustiada e, não fosse aquela a rua e aquele o número, e eu podia jurar que não tinha sido naquela casa que tinha vivido aqueles momentos. Ali, nada fazia sentido. Nunca contei aos meus pais, que sei que também guardam boas memórias daquela altura. Com o meu irmão só tive a normal tomada de posição: "Tu e a visão poética das coisas!..."
Nunca mais voltei lá. Passo por lá de vez em quando, mas já não é com saudade ou vontade de lá voltar a entrar que desço a rua. É quase com uma indiferença que me distancia (a mim e às minhas belas memórias) daquele espaço.
*
Quando a inevitabilidade de uma separação chegou, as nossas tentativas de a camuflar não ficaram por mãos alheias. Usávamos de tudo para abordar o tema sem chegar a falar dele.
- E um dia, daqui a muitos anos, encontramo-nos por ai.
- Num aeroporto, a fazer uma escala!
- Sim, tu vens de uma das tuas viagens, assim toda posh.
- E tu, mulher e filhos a tiracolo, vais visitar a família.
- E eu apresento-tos.
- Sim, e depois cumprimentamo-nos. Sabes como é no que toca a largar-nos um do outro, não sabes?
- Espero que não leves saltos altos. Porque vais ter de correr muito para fugires de mim.
- Sim, enquanto a mulher e os filhos lancham...
E depois havia variantes. Normalmente ele tinha a prole, e eu estava a trabalhar. Ou de férias, num grupo de amigos.
*
**
- Enquanto estivemos juntos, nunca me falaste da intenção de algum dia fazeres uma tatuagem.
- Durante o tempo que estivemos juntos, nunca me falaste da intenção de algum dia poderes vir a ignorar uma chamada do trabalho, como acabaste de fazer.
- Vem daí uma conclusão brilhante e filosófica sobre a vida e sobre nós?
- Não, não vem.
*
**
***
- Encontramo-nos num aeroporto, por aí?
- Duvido. Os gatos não andam de avião.
- Ah?
(E, caso não tenham entendido, estas histórias emaranham-se todas entre si)

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Oh tempo, volta para trás - III

por Bad Girl, em 26.09.08

Porque há muito, mas mesmo muito de mim nos posts que se seguem, recomendo:

A história do Bad Dog (primeira parte, pelo menos).

Sobre gostar (à bruta).

Sobre a opinião da mãe (a minha).

Sobre os namoros da minha princesa.

Sobre sofrer.

Sobre pessoas especiais e aquilo em que se podem transformar.

E pronto, acho que já chega. Se aguentaram até agora, merecem que eu volte aos posts em tempo real!

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A vida ao contrário

por Bad Girl, em 25.09.08

Gosto da cidade assim, quando anda ao contrário de mim. Gosto de férias quando todos trabalham, gosto do fluxo do trânsito ao contrário. Gosto de remar contra a maré, sem horas marcadas. Quando era miúda tinha um hábito muito peculiar. Raramente andava de guarda-chuva. Ou porque o perdia, ou porque me esquecia dele, ou porque simplesmente me recusava a transportá-lo. Chegava a casa molhada da chuva, e arrefecida com o frio do tempo. Tomava um banho quente, fazia os trabalhos de casa e depois ia para a janela. Adorava ver as pessoas fugirem da chuva, aflitas, em passos apressados, em corridas competitivas com a precipitação, que acabavam sempre por perder. Era aquele conforto, aquela satisfação do quente que me fazia esquecer que aquela tinha sido eu, umas horas antes. E que voltaria a ser eu no dia seguinte. E no outro, e no outro. Não posso deixar de achar que estas duas coisas provêm do mesmo sítio, aqui dentro de mim. Será o quê, esta necessidade de desafiar o frio para depois voltar a sentir o prazer e a protecção do abrigo? Será o quê, o prazer de remar contra a maré? Precisarei eu de viver uma vida ao contrário, para perceber o prazer que ela me pode dar se for vivida na sua ordem?

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"Oh tempo, volta p'ra trás" - II

por Bad Girl, em 24.09.08

Só por curiosidade:

Eis o que se passou exactamente há 2 anos: Assumi que ia casar...

E o que se passou há 1 ano: Desprezei a vida no campo.

Ora este ano, para variar, não estou em Londres ou nas imediações. Mas meti-me num avião. Será que tenho (tive, na altura que vocês estão a ler) malas à chegada? Agora que penso nisso, é possível que seja um tanto arriscado. Olha, o que está feito, está feito.

Apostas para o próximo ano?

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Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!

 

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(de borla, pelo menos...)

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