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por Bad Girl, em 24.06.15

Houve uma mulher, UMA, que teve um piripaque por andar agachada, durante horas, a fazer arrumações com skinny jeans a apertar-lhe as pernas. E o mundo não tardou a divulgar, em pânico, que skinny jeans são assassinos em potência, objectos do mal, o demo em forma de roupa. Não me entendam mal, eu gosto tanto de mitos urbanos como qualquer outra pessoa. É a estupidez humana que me amofina. Esta coisa da carneirice, do panicar porque uma pessoa, UMA, nos antípodas, esteve quase a ver o caminho da luz porque, alegadamente, estava de skinny jeans. Se me der para enfiar uns saltos agulha e andar escada acima, escada abaixo, a aspirar e a limpar o pó, acho possível, até provável, que "andar de saltos altos provoque entorses". Ou se for guiar com a minha venda de dormir. É possível que a minha venda de dormir provoque acidentes graves. Mas não, os skinny jeans é que são maus. Há jornais (quer dizer, li no Observador, não será assiiiiiiiiimmmmmm um jornal...) que fizeram notícia disto. Imagino gente a chegar a casa e a queimar vinte e cinco pares de skinny jeans, enquanto grita: "Não me apanhas, nem penses que me apanhas!". Eu não sou uma defensora de skinny jeans. Aliás, até assumo que skinny jeans, a mim, provocam depressão. Primeiro é o enfiar aquela merda perna acima, aos saltinhos, a pensar que não devias ter lavado as calças a 40 graus (quando o que, na realidade, não devias ter feito, era ter comido como um bisonte o fim-de-semana inteiro). E depois a culpa é do ferro, passar a ferro encolhe a roupa, toda a gente sabe. Mais um salto, respiração sustida, fecho apertado. Respirar é sobrevalorizado. Depois é mexeres-te dentro daquilo, pareces um jogador da bola, de pernas afastadas. O golpe final é quando olhas para o espelho e percebes que não queres vestir aquilo. Não porque te faz gorda como um texugo, mas porque não respiras e porque o sangue está com circulação interditada, claro, lembras-te logo da criatura australiana que foi parar ao hospital e, embora aquilo te fique a matar e seja das coisas mais confortáveis que tiveste oportunidade de experimentar, tiras aquela porcaria (quase ouves um 'plop') e vestes qualquer coisa decente. Excepto se for para arrumar a casa. Aí tem mesmo de ser de skinny jeans.

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por Bad Girl, em 15.06.15

Ele era igual ao Arthur, do filme The Holiday (foto abaixo). Chegou para jantar sozinho, ficou na mesa ao pé da nossa e, ainda que alemão, começamos a chamar-lhe Arthur como se do do filme se tratasse. As salas de jantar dos hotéis estão cheias de histórias que "lemos", inventamos e ouvimos à socapa. Este hotel tinha sobretudo velhinhos, e o que eu gosto de hotéis com velhinhos, daqueles que se arranjam para jantar, de camisas engomadas e calças com vincos desenhados, cabelos indiferentes à praia e aos abusos da vida estival. E o Arthur lá estava, sozinho. Impecável de arranjado e sozinho. E eu fiz logo o diagnóstico, depois de MQT ter achado admirável que um septuagenário tivesse a coragem de vir passar férias sozinho. Eu sosseguei-o. Afinal, sabia bem que o Arthur era, claramente, um viúvo que havia passado férias naquele mesmo hotel todos os anos com a mulher. Seco com a sua ausência, nada lhe pareceu mais razoável do que repetir, ano após ano, este ritual. E foi assim na primeira vez que o vimos. Na segunda e na terceira também. Depois, após a terceira vez, fomos para o bar e ele lá estava. Tinha-se composto com um casaco de malha e continuava sozinho. Eu, provavelmente com TPM fornecido pelo calor, senti um rubor na cara e senti-me triste pelo Arthur, ali sozinho, a cumprir um ritual que fazia com a mulher da sua vida. Nisto, e eu tinha virado a cara só por uns segundos, uma fresca aí com uns cinquenta anos alapa-se ao pé do pobre do Arthur, e lá ficaram eles. Bebiam Margueritas e gargalhavam. Não riam, nem sorriam, gargalhavam... E eu devo ter ficado com umas trombas até ao chão, a dar por perdida toda a minha tristeza anterior. Tanto, que MQT me perguntou porque é que eu estava fula com o Arthur. E eu respondo o óbvio:

- Então é este o respeito que ele tem pela falecida?!?!

Eu sei, devia ir mais ao cinema e trazê-lo menos para a minha vida.

image.jpg

(Eli Wallach, ou Arthur)

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É que há gente que não entende...

por Bad Girl, em 01.06.15

Desço do quarto. MQT está ligeiramente amuado, a olhar para as torradas meias frias em cima da mesa.  

- Tu ainda me hás-de dizer o que é que ficas a fazer quando eu desço. É que eu vim para baixo e já abri a porta do jardim às cadelas, e sabes bem o ritual que isso é. Dei-lhes comida. A uma de cada vez. Sabes o ritual que isso é. Fumei. Fui à casa de banho. Fiz o pequeno-almoço. Já vi todas as actualizações do facebook. E tu sem aparecer. Diz a verdade, quando eu venho para baixo tu voltas para a cama, não voltas?

- O que é que eu fiz desde que tu desceste? Olha, tomei banho. Uso amaciador e tu não. Depois sequei-me e pus o creme da celulite. Creme preparador solar. Creme hidratante. Penteei-me. Abri o armário e descobri que não tinha nada para vestir. Sabes quão difícil é uma pessoa vestir-se não tendo coisa nenhuma para vestir? Vesti aquele vestido de riscas e descobri que estava gorda. Como se o dia não estivesse a ser mau o bastante. Depois pensei que podia ser das meias. Troquei de meias. Não era das meias, estou mesmo gorda. Troquei de vestido. Continuo gorda, mas era tarde e nem pensei mais nisso. Base. Corrector de olheiras. Sombra de olhos. Pó. Saltos altos. Dores de costas. Gorda E velha. Troquei de sapatos. De carteira. Desci. Achas que tinha dado para voltar para a cama?

- Parece-me que o mais lógico será, então, passares a sair primeiro da cama.

(Eu, só para mim, uh-uh)

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Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!

 

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