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Abjecção de consciência

por Bad Girl, em 24.07.15

Conheço um médico que alegou objecção de consciência para não realizar IVG. Está no seu direito. Parece-me que agora querem que ele, e outros como ele, dediquem parte do seu dia a massacrar pessoas que têm uma difícil decisão já tomada no sentido de ver se essa decisão está mesmo tomada. Mas mesmo, mesmo? Tipo, de certeza? Dos outros não posso falar, certamente muitos deles têm sibilares magníficos e vão todos os Domingos à missa, mas posso perfeitamente falar deste homem cheio de princípios que tem uma consciência com objecções.

Esta maravilha de pessoa arranjou uma amante enquanto a mulher se debatia com um cancro. Parece que lhe faltava a paciência para aturar as crises dela, apesar de chegar a casa e lhe fazer juras de amor eterno. Passados os tratamentos e de frente para a retoma de uma vida normal, organizou-lhe uma bela festa de anos, cheia de amigos, onde leu um interminável discurso sobre o amor dos dois e o bom que era terem ambos sobrevivido a tão difícil provação. No dia seguinte “fez urgência”. Pouco mais de uma semana depois, confrontado com a descoberta das “urgências”, ele sugeriu uma coisa boa para todos: ficavam todos lá por casa, ele no quarto de hóspedes e ela no quarto deles, e mantinham as aparências. Ele pagava as contas e ela não lhe perguntava onde é que ele tinha “feito urgência”. Ela não quis e ele mudou-se para casa da outra senhora. Temo que essa casa, tão fora de mão, não veja reunidas as condições, geográficas e físicas, para receber o filho dos dois em fins-de-semana alternados. Assim, raramente vê o filho, a quem já disse que a casa dele (filho) não era aquela, que a casa dele era a da mãe.

E será (também) esta pessoa que, sentada num cadeirão, com a sua imaculada bata, vai alvitrar sobre a vida de outras, cheio de si e da sua abjecção de consciência.

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Antes de mais, eu entendo-a. Contra todas as probabilidades, eu entendo-a. A senhora é mãe e quer o melhor para o seu filho. E o melhor não é o FCPorto. Não é. A senhora sabe-o, eu sei, os rankings sabem-no. Eu sou portista, não sou mãe, mas percebo-a perfeitamente. Desejo o melhor para os meus enteados, e nem sequer é para aquela coisa da pensão de alimentos acabar rápido. É mesmo porque sim, porque desejamos o melhor às pessoas que nos são próximas. Ser ceguinho é que já é outra coisa. A senhora, com quem aparentemente o seu filho não fala, acha que era de ele ficar no Real Madrid. Onde, claramente, não o querem. Ou que fosse para um dos gigantes da Europa. Mas nenhum se mostrou interessado. Se o seu filho merecia mais, a nível de estatuto? Eu acho que merecia. Não acho que vir para o Porto seja uma humilhação, mas é, efectivamente, um downgrade na carreira. Resta agora saber se Iker, que é mais frangueiro do que o "desgraçadinho" do Vítor Baía, merecia mais a nível do que as suas capacidades têm para oferecer. E aí, você é mãe e achará que sim, que o menino merece o mundo, o mundo é que é parvo. E eu sou uma estranha que olha com uma enorme surpresa para todas estas coisas, porque sempre me disseram que os pais só devem desejar que os filhos sejam felizes. Deve ser coisa de pobrezinhos. Experimente desejar que o seu filho seja feliz no Porto. É que não me parece que vocês, os que deviam gostar dele incondicionalmente, estejam a ajudar nada nisso. Nós, cá pela equipa mais miserável que lhe pode ocorrer, certamente apoiaremos o seu filho. Até ao primeiro (segundo, vá) frango. Deseje só que ele não chegue a ser insuficiente 'até' para o FCPorto.

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O mal está feito...

por Bad Girl, em 08.07.15

(passa por ter nascido)

 

Esta manhã, tivesse eu tido tempo, teria feito um post a elogiar a coragem de Laura, a mulher de Passos Coelho, por ter aparecido num evento social com o cabelo que tem, que é nenhum. Ia enaltecer-lhe a coragem, eu que andei 90% do tempo do meu cancro de peruca, por ter decidido sair, assim, sem “capa protectora”. Quem não sabe não sabe, tal como eu não sei o que é ter cara de cavalo, mas não é por isso que não opina. E já não bastavam os doentes mentais que povoam as caixas de comentários das redes sociais, chegam-nos os “humoristas”. Eu não sou Charlie, estou-me a cagar, sempre estive, para carneirices da merda, por isso estou aqui perfeitamente à vontade para discordar do João Quadros. Para ficar, inclusive, indignada com a diarreia que lhe saiu hoje, pelos dedos, rumo ao twitter. Feliz com a atenção, feliz com a corrente de indignação que se gerou à volta daquelas poias ridículas esteve, todo o dia, numa crescente excitação criativa. O alvo? Caga nisso. Ele não sabe o que é preciso para uma mulher se deparar com os olhares de misericórdia, as gargantas secas, o incómodo dos outros perante a manifestação física daquela que não é, nem de longe, a pior parte de se ter cancro.

Ora vamos então a isto, um scroll down pelas alarvidades. Não lamento não ter lido tudo. A amostra diz-me bem que não perdi grande coisa:

“Se usa a careca da mulher para tentar ganhar eleições o que não fará connosco”

Resposta à João Quadros: “Se a mulher do Quadros sai com ele, estará a tentar ganhar o quê? O mundo?”

 Resposta de pessoa normal: cá em casa, quando rapamos o meu cabelo, choramos. No primeiro dia que eu andei careca na rua MQT ficou mais aborrecido do que eu com os olhares de pena alheios. Mas sim, deve ser só para ganhar eleições.

 

“O PM q rebentou com os tratamentos ao cancro,serve-se dele para se tornar popular. Só falta mandar a Laura para a fila do centro de emprego”

Que giro, João Quadros! O menino tem um piadão! Eu tive cancro. Nesta legislatura. Optei por me pirar da CUF para ir para o IPO onde a minha mãe (também com cancro, também ex-careca) sempre foi muito bem tratada. Nunca me faltou nada. Claro que quando não sabemos do que falamos temos sempre um piadão desgraçado. LOL, está bem?

 

“E ainda há quem não diga nada porque como é cancro não se pode Dasssss”

Pode-se, sim senhor. Pode-se com tudo. Fazer humor. O que não é o caso. O que já não se pode é fazer acusações idiotas. Isso é que não se pode.

 

“O mal formado e o que se serve do cancro para campanha, não o que aponta”

Pronto, está bem. O Quadros acharia de melhor formação que o PM dissesse à mulher para ficar em casa até estar curada. Porque, vamos lá usar a cabeça, a Laura é mulher do PM. O PM é uma figura pública. Podia proibir a presença de jornalistas no evento, mas aí os Charlies e a liberdade de imprensa, até se matavam para twittar; o que podia fazer também era obrigar a mulher a ficar em casa, fechada e sem vir à janela, até estar boa. Ou com cabelo. Ou obrigá-la a usar peruca, que era coisa para ajudar imenso na auto-estima. De uma pessoa cancerosa.

 

“Podem meter os archotes no cu”

Apareceu-me no scroll down. Suponho que não tenha nada a ver com o cancro da Laura em si, se calhar é só mesmo uma fantasia.

 

O post vai longo, vou acabar por aqui. Não consegui ler tudo o que foi vomitado no tal twitter (aquela coisa de trabalhar às vezes atrapalha-me um bocado estes momentos), mas parece-me que há uma conclusão a tirar daqui: o cabelo da Laura, em correndo tudo bem, há-de crescer. Agora quanto à cara do Quadros... não há-de passar. Vá, sejam Charlie. Pode-se brincar com os feios.

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...

por Bad Girl, em 04.07.15

Do grego 'fóbos', fobia é medo. E esta gente, gente que eu vejo vomitar alarvidades sobre os homossexuais, não tem medo. Nem aversão. Tem ódio. Tem muito ódio pelo próximo. Só isso explica que alguém fique ofendido com a vida dos outros. Com os direitos que os outros, com vidas diferentes das deles, têm. Não são privilégios. São apenas e só direitos iguais. Travam lutas, como qualquer psicopata, em nome de um Deus que eles celebram como tolerante, cheio de amor. Algures nesta história há gente que se julga mandatada para iniciar uma cruzada contra pessoas iguais a eles, com direitos iguais a eles. Na semana passada a América aprovou o casamento homossexual em todos os seus estados. Não isentou os homossexuais de pagar impostos. Não lhes deu imunidade diplomática. Nem lhes atribuiu um subsídio especial. Não. Aprovou-lhes o direito de tornar legal uma relação. E eu sei que a América não é exemplo de coisa nenhuma, só de quão privados podem ser os vícios que são antagonizados no comportamento com as virtudes públicas. Li, vindos da América e não só, comentários inenarráveis. Alguns portugueses, de raiva adormecida desde a nossa legalização, também acordaram estremunhados, ensandecidos, a espumar ódio. E eu fico incrédula, e que fique assim, incrédula, por muitos e bons anos, com a estupidez, intolerância e ódio humanos. E talvez seja chegada a altura de dar nomes aos bois. Fobia é medo. Não é ódio. Intolerância. Chamar homofobia a isto é pôr água na fervura. Assobiar para o lado.

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Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!

 

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