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O amor não existe.

por Bad Girl, em 29.09.08
Ele não é mais do que um estado psicótico.

A noite já ia longa, eu era a única do grupo que não tinha sequer um miligrama de álcool no sangue, mas esta não foi uma teoria cuspida por mim. A bem da verdade, gostava que tivesse sido. Porque já a teria desenvolvido muito melhor. Porque não teria chegado aos 30 sem poder dar um nome à coisa. Porque não teria de ter olhado além do meu umbigo e sido obrigada a dizer: "Como é que eu não me lembrei disso antes? Eu, a bipolar, não me lembrei disso? Lamentável!". Já que estamos numa onda de honestidade, a pessoa que proferiu esta frase não tinha uma teoria mais larga que esta. Era assim. Decidiu que era um estado psicótico e pronto. Eu posso não ter tido a ideia (oh, Deus, porquê?) mas posso desenvolve-la e analisa-la. É como alguém, um dia, ter dito: "Podemos mandar o Homem à lua!", e depois continuar a fazer o ponto de cruz, enquanto outro alguém babava perante tal ideia, pensando como leva-la a cabo.

Nesta dissertação eu tentarei provar, por todas e nenhumas razões, porque é o tal amor, uma psicose (prefiro chamar-lhe assim). Segundo a wikipedia, cuja fidedignidade não pode ser considerada em todas as circunstâncias, mas está suportada por boas teorias neste artigo, Psicose é um termo psiquiátrico genérico que se refere a um estado mental no qual existe uma "perda de contacto com a realidade" [trocando por miúdos: o amor é um mal de cabeça, em que a realidade fica tão subjectiva, que um olhar não é um apenas um olhar, uma frase está cheia de entrelinhas, um sorriso é um convite e uma palavra doce não é educação, é um psicose correspondida]. Ao experimentar um episódio psicótico, um indivíduo pode ter alucinações [ e um simples "vamos ao cinema" pode ser ouvido como "és a mulher da minha vida, vamos casar e ter filhos"] ou delírios [já a caminho do cinema, imagina-se a igreja, os convidados, o padre no altar..], assim como mudanças de personalidade [que estão intimamente ligadas ao facto de o outro não sofrer da mesma psicose e também ao facto de responder ou não a chamadas e sms] e pensamento desorganizado [ele(a) não ligou porque não gosta de mim. Ou se calhar gosta tanto que acha que é impossível eu também gostar dele(a). Não, mas ontem ligou. Sim, mas ontem ele(a) não me tinha visto ainda com olhos de psicótico(a). Só como amigo(a)...]. Tal é frequentemente acompanhado por uma falta de "crítica" ou de "insight" que se traduz numa incapacidade de reconhecer o carácter estranho ou bizarro do seu comportamento [eu ando a segui-lo(a)? Não, claro que não. Só estou a fazer os mesmos caminhos que ele(a), para perceber se ele(a) fica bem]. Desta forma surgem também dificuldades de interacção social [os amigos não importam. A família não importa. O Mundo, como se conhece, passa a girar em volta da outra pessoa] e em cumprir normalmente as actividades de vida diária.

Chegados à conclusão que uma pílula pode ser influência fatal na escolha de um parceiro para a vida e sabendo que o coração não passa de um músculo, não me venham agora vozes de reacção dizer que não, que talvez eu esteja ligeiramente (ou redondamente) enganada. O amor per si não existe além de uma psicose, porque se cria na cabeça. Na vida será importante encontrar alguém com uma psicose que suporte a nossa. O bipolar (agora gosto, agora não gosto, agora gosto, agora não gosto, já não o(a) posso ver à frente, ai tenho tantas saudades) precisa de um obsessivo compulsivo, que vá alinhando tudo à medida que os seus desejos variam. O esquizofrénico (está com outra(o); já não gosta de mim; há aqui uma voz a dizer-me para lhe ligar; outra diz-me para não o fazer) precisa de alguém com um transtorno dissociativo da personalidade (agora sou eu, agora já não sou, agora sou o(a) que te diz que eu gosto de ti), e por ai fora.
Num Mundo louco encontrar a alma gémea já não me parece importante. Importa, isso sim, encontrar alguém com quem possamos deixar parecer equilibrados, para poder dar largas às nossas psicoses.



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13 comentários

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De Castronauta a 29.09.2008 às 23:36

Escrever tanto sobre uma coisa que não se controla só pode ter um desfecho: filosofia.

Não consegui ler até ao fim, lamento....
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De Ervi Mendel a 30.09.2008 às 00:05

Há muitos anos que oiço que "estar apaixonado/a" é uma psicose. E, curiosamente ou não, é exactamente disso que tu falas, de estar apaixonado/a

O amor é um bicho diferente e de psicótico não tem nada.

Digo eu, claro
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De An Jo a 30.09.2008 às 00:11

Para além de bipolar também tens estados de psicose. Estás a ter um não estás?
Anyway, esse estado, de psicóse, também é acompanhado de egoísmo. Porque quando se está apaixonado, é-se egoísta. Digo eu.
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De encapuzado extrovertido a 30.09.2008 às 00:25

perdeste, por momentos, a lucidez e a sensatez.

ai...

isso que descreves não é, de facto, amor.

é uma amálgama sensaborona e efectivamente psicótica de egocentrismo, falta de confiança e egoísmo.

o amor é, provavelmente, a única coisa que existe na vida.

true love. that will make you tingle.
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De Ness Xpress a 30.09.2008 às 10:14

Também há aquele tipo que tem 500 canecas (mugs) com a foto da Madonna. Ou o outro que aparece na televisão vestido com uma camisa preta e branca aos quadrados quando o clube é despromovido.

Que seria de nós sem as muitas psicoses da vida?

A novidade, por aqui, é aquilo que parece que já não parece importante ;)

(Que seria de nós sem a psicose dos jogos de palavras?)
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De nika_liu a 30.09.2008 às 11:01

È uma forma muito lógica e analitica de ver o sentimento mais confuso ao cimo da terra...tentar encontrar alguma sanidade no meio da loucura a que o amor nos condiciona...
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De Patalógica a 30.09.2008 às 12:27

eu costumo ter psicoses por sapatos...nem durmo nem nada...
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De Alyne a 30.09.2008 às 22:35

AiAiAi...está alguém a tentar ensacar o vento. Análise, sim, a posterióri até funciona.
Boa sorte,

bj
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De RedPill a 30.09.2008 às 22:47

Muito bom!!! Ao nível do José Luís Pio Abreu...
Quando a industria farmacêutica começar a desenvolver fármacos para tratar esta psicose eu quero ser cobaia...
Mas depois espero pelos genéricos...
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De Miss Pu a 01.10.2008 às 10:16

Bipolaridade...
É fodido.

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