Estava aqui eu desassossegada no meu canto quando, na sexta-feira passada (coração nas mãos com a Bad Mum prostrada num bloco operatório durante sete horas), recebo uma mensagem no meu Facebook. E era uma mensagem qualquer, com um contexto qualquer? Não, não era. Era uma mensagem de um óbvio não leitor deste blogue, que acha que o “coisinho” é o Hi5, e que serve para comer gajas. Se não, vejamos:
“Subject: olá
Olá, queres teclar um pouco cmg?
Diz-me alguma coisa, responde-me à minha mensagem.
Beijos do amigo: *****”
Quero. Aliás, o meu maior sonho é teclar com alguém que poupa em palavras “cmg”. Principalmente no dia exacto em que estou ansiosa por saber notícias da minha mãe, coisa que até estava escrita no Facebook, nem era preciso ir mais longe. O ar de desesperadinho dado a seguir, o “diz-me alguma coisa, responde-me à minha mensagem” também te fica muito bem, cromo. Aliás, basta ler dois posts deste blogue para perceber que uma das coisas que eu mais aprecio na vida é gajos a darem-se ares de cães abandonados. E depois manda-me beijos. Uns beijos quaisquer? Não, beijos do amigo. Oh, filhinho, tu és meu amigo no mesmo sítio onde tens os cornos, que é na tua cabeça. Já aqui disse que digo “sim” a todos os pedidos de amizade que me aparecem no Facebook. Até vou à bola com o coisinho. Mas cenas destas são deprimentes. E eu tenho de excluir o meu novo “amigo” e a sua foto com pose de bon vivant, tirada provavelmente na única viagem que fez na vida: a de finalistas.
Pronto, se calhar estou a ser injusta. O cromo provavelmente viaja na maionese todos os dias.


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