Uma pessoa ausenta-se do mundo durante uns dias e, quando tenta regressar, o mundo cai em cima dela. Foi exactamente assim que me senti ao actualizar-me hoje de manhã das coisas bestiais que foram acontecendo no fim-de-semana (e a portas de). Bestiais, neste caso, vem de besta, claro. Porque só uma besta pode pensar excluir da lista de dadores de sangue os homossexuais (e só os masculinos, que isto de segregar tem de ser assim: à grande!). É que nem sequer me parece que estas mentes brilhantes colocaram a questão óbvia que é: e como é que sabem se são homossexuais? Têm um detector à porta? Não, esperem, já sei: os imbecis que inventaram isto têm uma técnica eficaz: vão perguntar a todos os dadores se são ou não homossexuais. Aproveitam e perguntam se vão às put@s. É que isso parece-me ser um comportamento ligeiramente mais arriscado. Ou se são put@s. Ou se costumam engatar gajo(a)s nas discotecas e irem com ele(a)s para o banco de trás do carro. E aqueles senhores casados e pais de filhos que têm o bom hábito de ir ali à rua de Santa Catarina conviver com os travestis? São homossexuais? Em certas culturas (e algumas aldeias portuguesas) o parceiro activo não é considerado homossexual. Só aquele que é sodomizado. Como é que vão filtrar isso? Se calhar (mas isto sou eu a falar, que não sou médica e que tenho muito pouco jeito para usar apenas um neurónio de cada vez) faziam testes às pessoas e viam se podiam usar o sangue delas. Pronto, eu sei que é um método muito mais falível do que perguntar às pessoas se são ou não homossexuais. Mas custa-me um bocado a crer que as transfusões de sangue se façam sem o sangue doado ser analisado. E, a ser analisado, qual é a explicação? A homossexualidade pega-se?
Depois de ler aquela entrevista do link, fico a saber que não, que não analisam o sangue de forma absolutamente infalível. Fico muito descansada. O que também me encanta de sobremaneira é que, em explicação a isto o senhor do IPS (o seu nome não será mencionado aqui porque não gasto os meus dedos com gente assim) fala concretamente do HPV. Lá está. Uma doença masculina para dar o exemplo. Ele sabe bem do que fala, lá o senhor segredador.


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