Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O que eu gosto da Igreja...

por Bad Girl, em 18.08.09

Por pura insistência da avó paterna da criança, o meu afilhado não o foi só assim: a madrinha és tu. Não, tinha de meter honras clericais, que a criança vagueava no limbo, ora para cá, ora para lá. A única maneira de resolver tamanho problema na vida da criança seria despejar-lhe água benta cabeça abaixo e fazer com que ela fosse abençoada por alguém tão carne e osso como eu mas (pasmem-se!), com muito menos humanidade.

A comichão começou quando a "comadre" me comunica a necessidade de "falar com o padre". Sabe Deus (passo a ironia) o quanto eu gosto de ter diálogos com figuras eclesiásticas. Ora do serão em Valongo já todos sabem. Mas sabem o que me foi pedido? Ah, pois não. Para seres madrinha importa-me pouco o teu carácter. A capacidade que tens de dar carinho à criança,  a dedicação ao teu afilhado, o amor que lhe tens. Nem sequer me importa se és criminosa, mentirosa, intriguista ou uma sacana de primeira.  Trazes é uma certidão de idoneidade e logo vemos se tens aquilo que é preciso para seres madrinha.

Ora e como é que se consegue tal documento?

Passo a explicar: vou ao padre da freguesia da minha residência e preencho o puto do papel, onde se pretendem saber coisas de importância brutal para o apadrinhamento de uma criança. São elas: tens de ser baptizada, ter feito a comunhão e o crisma, ter mais de dezasseis anos, não viver em pecado (ser amancebado ou ser APENAS casado civilmente) e ir à missa ao Domingo. A coisa não podia correr bem. Com pouca disposição para mentir ao velho caquéctico que veste a batina lá para os lados da Madalena (em qualquer outra área já estava reformado desde 1954, mas para ser padre, quanto mais putrefacto melhor), apesar da cadência do olhar para outro lado que não os olhos do interlocutor, lá fui eu, quem-não-deve-não-teme, com as informações solicitadas: baptismo, sim, comunhão, sim, crisma, não, eucaristia dominical, não. A minha certeza era uma: o crisma ia foder-me à grande. Não podia estar mais errada. Nem chegamos à questão do crisma, que era obrigatório (segundo as leis do direito canónico, que na Bíblia nada consta) eu ter um certificado de baptismo:

 - Pois, mas eu mudei de casa quatro vezes depois de ter sido baptizada...

 - Não tenho nada a ver com isso.

Assim, que nós os padres somos todos uns cabrões de uns gajos cheios de solidariedade para com toda a gente.

 - Mas não dá para ligar para a igreja desta freguesia e confirmar?

 - Não vou fazer isso.

Claro que não. Nós PREGAMOS a tolerância e a entreajuda, não a praticamos, deves ser burra, oh descrente.

Após uma desnecessária troca de argumentos com sua santidade a nódoa, desisto e ponho os pés a caminho. Com duas certezas: que não é a merda de um papel que faz de mim uma melhor ou pior madrinha, e que não é um padre arrogante, antipático e sem pingo de tolerância no sangue de barata que me vão impedir de ser aos olhos da sociedade aquilo que eu já sou desde antes do dia 1: a madrinha do meu afilhado.

 

Esta história continua, ah... se continua...

Autoria e outros dados (tags, etc)



Mais sobre mim

foto do autor


Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!

 

Algo a dizer? BAD MAIL

badgirlsgoeverywhere (arroba) gmail.com

Bad face

Bad Girls go Everywhere - Blog

Promote your Page too

Importa lembrar, sempre


www.freetibet.org


(nem sempre consigo creditá-las. Serão retiradas se alguém se sentir lesado)

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2007
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2006
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

(de borla, pelo menos...)

From Geek in Pink




Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.