Esta manhã ouvi a notícia que faz parte da capa do DN: segredos militares portugueses revelados na net. E esses segredos são revelados em que forma? Relatórios da GNR. E lá fiquei eu a rir como uma doida, a imaginar a importância desses relatórios e a forma como foram escritos.
Imagino o "Xargento Bélchior" sentado à frente da sua máquina de escrever, ditando o relatório do dia ao "Xoldado Jé":
"Afeganistão, 25 de Novembro
Está por aqui um frio que não xe aguénta. Quando dixe à Maria que vinha para o Afeganistão, ela xó me botou camijas de manga curta na mala. Dixe que no dejerto havia de estar um calor que num xe havia de poder. Tenho que avijar a Maria que o dejerto num é quente como dijem lá na terra.
Hoje fijemos uma volta de reconheximento da vila. Gosto dixto. Oj homens xão homens a xério, umas bigodaxas de meter respeito. Mulheres num vi. Anda é por aí uma jente muito esquijita, parexe fantasmas, todax vestidas dos péj à cabexa. O padre Armindo havia de cá vir ver ixto. Por falar em padre, ixto aqui num tem uma igreija adonde a jente poxa ir rejar um bodaco ao domingo. Xou da opinião que eles haviam de cá fajer uma coija bonita, com uma cruz na porta. Ixo é que havia de xer um mimo, tudo a ir à mixa e eu, bloco de notaj na mão, virado para eles a dijer: "os xeus documéntos e os documéntos da viatura, xe faj favor!". Ai, que xaudades da minha terra.
Axinado: Xarjento Bélchior."


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