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Claro que não valeu a pena, mas...

por Bad Girl, em 29.12.13
Parece que é altura de balanço. Para quem lê este blogue não será surpresa que 2013 foi um ano de merda para mim. Isso genericamente, mas eu sou pouco dada a generalidades, como saberão. Vamos lá por partes: 2013 foi o melhor ano profissional que eu tive. E eu trabalho qualquer coisa como 50 a 55 horas por semana (se contarmos as viagens e o tempo passado ao computador em casa). Ora se considerarmos que há 52 semanas no ano e que 4 serão de férias, estamos a falar de cerca de 26% do meu ano. Não é mau. 26% do meu ano foi de qualidade superior. Dormir também nunca terá sido problema, tirando uma ou outra excepção. Falamos de 25% do tempo, vá. 51% do meu ano foi bom, portanto. Os outros 49% são o que se sabe. Um destes dias falava com uma amiga e comentava que, obviamente, nada disto valeu a pena. Não sou magnânima o suficiente para achar que valeu a pena ter tido a minha mãe um trimestre inteiro internada, metade do tempo sem sabermos bem porquê ou para quê. Não sou generosa o suficiente para achar que valeu a pena perder o meu tio logo a seguir. Também não sou louca que chegue para achar que valeu a pena ter cancro. Não valeu a pena. Mas serviu para tanto que só poderá perceber quem passou por elas. As coisas acontecem. Connosco, à nossa volta, à nossa frente. Elas acontecem e não há nada que possamos fazer para as parar. Mas o que fazemos com aquilo que nos acontece é connosco. E podemos ficar agarrados à ideia do que poderia ter sido, caso as coisas não tivessem acontecido, ou podemos lutar. Temos direito de fazer aquilo que bem entendermos, é cá connosco. Até podemos fazer as duas coisas no mesmo dia, na mesma hora, em minutos diferentes. Mas, se me perguntarem a mim, não valerá muito a pena estar agarrado ao que poderia ter sido. Cansa muito. E ou temos energias para a luta ou para lamentos. A energia não dá para tudo, garanto. Dar graças. Este ano, pela primeira vez na vida, achei que devia dar graças. Patética, não? A vida dá-te um cancro e tu queres dar graças. Não. A vida deu-me um cancro mas também me deu uma nova clareza de espírito. Mentia se dissesse que já não me chateio com pequenas coisas. Que já não me zango no trânsito, que já não me aborreço com coisas do trabalho. Chateio-me na mesma, mas com frescura. Aconteceu, aborreceu, passou. Mas quis dar graças, quero dar graças, tenho uma boa vida. Sou feliz. Tenho amigos, tantos amigos. Amigos que me ligam, amigos que me visitam, amigos que me escrevem, amigos que me lêem. Tenho família, uma família pequena e unida, uma família cheia de energia positiva para me dar, uma família que me rodeia e não me desampara nunca. Tenho um homem como haverá poucos por aí, que me trata como uma princesa e que me enche de amor todos os dias. Tenho a sorte de ter uma careca perfeitinha, ainda que não a desfile muito por causa do frio. Tenho a sorte de reagir bem aos tratamentos, na maior parte das vezes. Tenho a sorte de ter um emprego, de poder continuar a trabalhar, numa empresa que me respeita, que aceita a minha condição às vezes menos disponível. A doença não me define. Não define o meu ano. A doença é uma coisa que eu tenho e que, se tudo correr bem, hei-de vencer tão breve quanto possível. Não é o que eu sou. Eu sou muito mais do que a doença. 2013 não foi o meu ano. Não foi um ano bom. Foi um ano cheio de coisas que não valeram a pena. Mas, ainda assim (ou por isso mesmo) é um ano pelo qual quero dar graças.

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Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!

 

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