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A farmville de Possidónio Cachapa

por Bad Girl, em 13.08.09

O meu ego tem o prazer de ter Possidónio Cachapa como amigo de Facebook. O meu alter ego, este que conhecem, não tem coragem.

E o meu ego tem o prazer de se deliciar com as fotos (menos do que com os escritos) da Farmville de Possidónio Cachapa. E, apesar de não perceber nada do que são essas vacas que de quando em vez aparecem perdidas pelo universo facebookiano, regozija-se pela constatação do óbvio: que os grandes são pessoas como nós. Também alinham em jogos do Facebook. Porque o verdadeiro talento não os impede de serem humanos. Apenas os impede de serem menos do que fantásticos.

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Tropeçar na Felicidade

por Bad Girl, em 08.11.08

Uma pessoa, que eu não vou creditar aqui porque não sei se lhe parece bem, sugeriu-me, e muito bem, o livro com o título que faz o título deste post. Ele avisou-me que não era um livro de auto-ajuda. E o que tenho encontrado por lá (para além de uma agradável surpresa) tem sido de uma coerência e utilidade que é difícil de acreditar.

 

Logo no início do livro tropecei numa constatação que me fez lembrar alguns comentadores* deste blog:

 "O que faria o leitor agora se soubesse que iria morrer dentro de dez minutos? [...] É difícil dizer, mas, de todas as coisas que poderia fazer nos seus dez minutos finais, poucas seriam das que realmente fez hoje.

No entanto, algumas pessoas desaprovarão vivamente esse facto, apontarão o dedo na sua direcção e dir-lhe-ão claramente que deverá viver cada minuto da sua vida como se fosse o último, o que só demonstra que muitas pessoas passariam os seus últimos dez minutos dando conselhos estúpidos a outras. "

 

*Comentadores esses que, na sua maioria, vocês desconhecem. Porque eu carrego mais vezes do que aquelas que gostaria no link "Rejeitar comentário". Alguns deixo que apareçam. Just for the fun of it.

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Saudades d'Os Maias

por Bad Girl, em 17.06.08

Depois Carlos, outra vez sério, deu a sua teoria da vida, (...). Tudo aceitar, o que vem e o que foge, com a tranquilidade com que se acolhem as naturais mudanças de dias agrestes e de dias suaves. (...) Sobretudo não ter apetites. E, mais que tudo, não ter contrariedades.
Ega, em suma, concordava. Do que ele principalmente se convencera, nesses estreitos anos de vida, era da inutilidade do todo o esforço. Não valia a pena dar um passo para alcançar coisa alguma na terra - porque tudo se resolve, como já ensinara o sábio do Eclesiastes, em desilusão e poeira.
- Se me dissessem que ali em baixo estava uma fortuna como a dos Rotschilds ou a coroa imperial de Carlos V, à minha espera, para serem minhas se eu para lá corresse, eu não apressava o passo... Não! Não saia deste passinho lento, prudente, correcto, seguro, que é o único que se deve ter na vida.
- Nem eu! acudiu Carlos com uma convicção decisiva.
E ambos retardaram o passo, descendo para a rampa de Santos, como se aquele fosse em verdade o caminho da vida, onde eles, certos de só encontrar ao fim desilusão e poeira, não devessem jamais avançar senão com lentidão e desdém.
[...]
Eram seis e um quarto!
- Oh, diabo!... E eu que disse ao Vilaça e aos rapazes para estarem no Braganza pontualmente às seis! Não aparecer por aí uma tipóia!...
- Espera! exclamou Ega. Lá vem um «Americano», ainda o apanhamos.
- Ainda o apanhamos!
Os dois amigos lançaram o passo, largamente. E Carlos, que arrojara o charuto, ia dizendo na aragem fina e fria que lhes cortava a face:
- Que raiva ter esquecido o paiosinho! Enfim, acabou-se. Ao menos assentamos a teoria definitiva da existência. Com efeito, não vale a pena fazer um esforço, correr com ânsia para coisa alguma...
Ega, ao lado, ajuntava, ofegante, atirando as pernas magras:
- Nem para o amor, nem para a gloria, nem para o dinheiro, nem para o poder...
A lanterna vermelha do «Americano», ao longe, no escuro, parara. E foi em Carlos e em João da Ega uma esperança, outro esforço:
- Ainda o apanhamos!
- Ainda o apanhamos!
De novo a lanterna deslizou, e fugiu. Então, para apanhar o «Americano», os dois amigos romperam a correr desesperadamente pela rampa de Santos e pelo Aterro
, sob a primeira claridade do luar que subia.


Eça de Queiroz

"Os Maias"- Parte final

A minha melhor lição de vida

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Cabra secreta!

por Bad Girl, em 22.01.08
Por causa de uma conversa que tive ontem com uma menina que gosta de ler este blogue.
E também por causa de uma conversa que tive hoje aqui com uma colega...
Fomos desencantar do fundo da gaveta um livro, cuja sinopse "canta" assim:

Há uma parte de cada uma de nós, uma parte bem importante, que muitas vezes não gostamos de reconhecer. É a cabra secreta. Não se atrevam sequer a fingir que não sabem de que é que eu estou a falar. A cabra secreta é a «tia fatal» que cada uma de nós sabe ser, a passear-se com um cigarro na mão e um martini na outra, e que é capaz de chamar os bois pelo nome. A cabra secreta diz o que pensa e pensa o que diz. É um ponto final definitivo no vício de sermos «boazinhas».

E pronto, a recomendação é simples: Descubra a Cabra Secreta que Há em Si. ASAP!

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Lisboa, cena 1, take 1

por Bad Girl, em 09.01.08
Não é todas as noites que jantamos com o nosso escritor preferido do momento. Mesmo que à distância de uma mesa. Até porque o restaurante tem apenas 5 dessas, por isso era quase a mesma mesa. Gritei duas vezes nos olhos dele: "Adoro ler-te!". E depois voltei a concentrar-me no que se passava na minha mesa, sem ter de fazer um esforço.
Noite 1 em Lisboa: Bairro Alto, José Luís Peixoto e algumas dores de costas.
Amanhã: dia que se prevê difícil... porque é que sou sempre eu quem tem de resolver as confusões que os outros arranjam?

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O amor, por José Luis Peixoto

por Bad Girl, em 29.11.07

Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre
sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte
de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.
o amor é ter medo e querer morrer.

*

Amor. Amor. Amor, gostava de dizer esta palavra até gastá-la ainda mais.
Amor, gostava de dizer esta palavra até perder ainda mais o seu sentido.
Amor. Amor. Amor, até ser uma palavra que não significa nem sequer uma ilusão, uma mentira. Amor, amor, amor, nem sequer uma mentira, nem sequer um sentimento vago e incompreensível.
Amor amor amor, até ser nem sequer uma palavra banal, nem sequer a palavra mais vulgar, nem sequer uma palavra.
Amor amor amor, até ao momento em que alguém diz amor e ninguém vira a cabeça para ouvir, alguém diz amor e ninguém ouve, alguém diz amor e não disse nada.
Sozinho, diante da campa. O amor é a solidão.

Este homem é fantástico... e encontra-se aqui

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E um dia com final feliz...

por Bad Girl, em 26.11.07

... é chegar a casa, abrir o mail, e ter uma mensagem do meu amigo A., que encontrou, pelas suas andanças pela net, o blog de Possidónio Cachapa.

Do "Prazer_Inculto", deixo aqui um post curto. Porque o resto? O resto é para saborear com calma...

"Ai as boas maneiras", tirado daqui.
Olhando para baixo, vejo que às vezes sou um bocado malcriado nos posts. Num país em que nada se diz, tudo se sussurra e onde se deve sempre cumprimentar os que se desprezam, não é lá muito esperto. Quando era miúdo cheguei a levar uns safanões de outros putos por causa da mania da franqueza. Parece que não me serviram de nada. Assim, nunca mais chego a um bom tacho. Desculpa lá, mãe!

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Hoje não me apetece escrever

por Bad Girl, em 30.10.07

Mas ainda bem que há pessoas que escrevem coisas assim, para eu poder beber das suas palavras, de quando em vez:

...E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um menino inteiramente igual a cem mil outros meninos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... Se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me! ...
Antoine de Saint Exupery


Por cada minuto gasto a cativar-te, ganho sessenta segundos.

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Outro desafio

por Bad Girl, em 31.08.07

E o que adianta?
Nada!
Eu digo que não gosto, não quero, não tenho saco, mas depois arranjam assim uns desafios para o engraçado e eu fico com vontade de responder. Desta vez chega daqui e mete livros... Assim sendo, cá vai, a coisa é simples:
1. Peguem no livro mais próximo;
2. Abram-no na página 161;
3. Procurem a 5ª frase completa;
4. Coloquem a frase no blog;
5. Não escolham a melhor frase nem o melhor livro (usem o mais próximo);
6. Passem o desafio a cinco pessoas.

Ora a coisa correu mal, porque o livro mais próximo era (claro!) de Pedro Paixão, e chama-se "Os corações também se gastam". Tem, contudo 118 páginas... lá fui eu ao segundo mais próximo. Estava no topo do monte de livros na estante, por ter sido o último a ser lido. Chama-se "E se eu gostasse muito de morrer" e é de Rui Cardoso Martins. Aproveito para recomendar. E a 5ª frase completa da pág. 161 reza o seguinte:

"Uma mãe que falta de propósito ao funeral do filho, prefere ir tomar a bica, um café espesso como o último sangue que ele vomitou, esta é das boas, e até hoje ninguém sabe porquê, nem falo mais no assunto."

E pronto. Mais uma vez quebro a corrente por aqui. Se alguém quiser levar este desafio avante, não hesitem.

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Muito, meu amor

por Bad Girl, em 19.07.07

"És tão linda que nem dás vontade de foder, dizia. Eu não consigo. Dizia outras coisas, grande parte perde-se no ar, mas algumas, poucas, raras, ficam guardadas e voltam de vez em quando, nas alturas mais despropositadas, atrapalhando o que se está a fazer. És tão linda que nem te consigo foder. Eu, pelo menos, não consigo. A beleza não seduz, assusta quase, leva-nos para um sítio que não sabemos onde fica, sabemos só que não é aqui. Era assim que ele tentava explicar, como quem precisa de uma desculpa, o que lhe estava a acontecer, sabendo de antemão que não ia conseguir. Se há coisa que não se sabe explicar é por que se gosta do que quer que seja - um perfume, uma flor, um beijo - e o que seja isso de gostar que traz duas coisas tão próximas que as põe misturadas numa só e as outras tão distantes que se apagam facilmente. (...)"

Pedro Paixão


No dia que salvei um plágio eminente ( e inconsciente ), a mistura de muitos mundos, o exorcismo de vários fantasmas.
Para me infernizar os dias e aterrorizar as noites, já me chegam os que sobram.

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Mais sobre mim

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Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!

 

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(de borla, pelo menos...)

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