A sério?
Enquanto se discute o orçamento, o subsídio de Natal, a crise e o colapso financeiro, o PCP está mesmo preocupado com o facto de o Pingo Doce querer saber a idade dos filhos dos funcionários?
Vá, senhores do PCP, vamos lá todos dizer bem devagarinho: DOIS MIL E ONZE, ano do Senhor (isto foi uma provocação, desculpem). Pessoas sem emprego? Muitas. Pessoas com emprego que não têm como comprar comida? Demasiadas. Pessoas com emprego que não conseguem pagar contas? Ainda mais. A preocupação do PCP? As fichas de candidatura do Pingo Doce.
Quando me convidaram para vir para este burgo novo onde estou também me pediram que preenchesse uma ficha e, pasmem-se!, também me perguntavam se eu tinha filhos e com que idade. E eu não vi mal nenhum nisso. A coisa tem outro nome, mas (como nunca me lembro qual é) eu chamo-lhe "efeito espelho". É aquilo que faz o marido traidor ser um ciumento de primeira. A vizinha que leva porrada achar que os casamentos das outras estão à beira do fim. É o que nos faz acreditar que as pessoas não seriam capazes de fazer coisas que nós não pensaríamos, sequer, fazer aos outros. Talvez seja isso que faz o PCP ver mal em tudo o que mexe. Ou o que me faz achar que há coisas que não têm qualquer mal.
Como medida para resolver a crise (mais uma das), os funcionários das empresas privadas poderão ter de trabalhar mais meia hora por dia. Eu já me adiantei: nos últimos 8 anos tenho contribuído para o fim da crise entre 2 e 5 vezes por dia.
Não têm nada que agradecer. Até porque não está a resultar.
Fazíamos como no Brasil, e obrigávamos as pessoas a ir votar. O povo é como a canalha: se não sabe gerir a liberdade, é pô-los de castigo. Se não apreciam o direito que lhes deram, então que seja obrigatório.
Vergonha... já disse que tenho vergonha?
José Eduardo Moniz recebido com "tapete vermelho" na televisão pública...
Este país é uma vergonha.
Era fazer uma lista deles todos e obrigá-los a pagar sozinhos a factura do FMI*.
*Excluindo as pessoas que estão fisicamente incapacitadas de se deslocarem às urnas..
Fonte: Eurosondagem
Se as eleições fossem hoje, os líderes dos partidos políticos de Portugal diriam o seguinte:
PS - Ganhamos porque, apesar de a oposição ter aberto uma crise política, não conseguiu atingir a maioria absoluta.
PSD - Ganhamos porque tivemos mais votos.
CDS/PP - Ganhamos porque, se somarmos os nossos votos aos votos que teve o PSD, fazemos Governo.
CDU/ PEV - Ganhamos porque voltamos a ser a 4ª força política do país.
BE - Ganhamos porque, sozinhos, conseguimos ter tantos votos quanto os outros partidos todos que são, à vontade, uns 12 (no círculo do Porto).
Estou a 6 dias de ter razão. O que faz com que eu também ganhe.
Tirar votos ao CDS, com quem pretendes formar governo, para fragilizar o seu poder de negociação e aumentar o teu na altura de o fazer não seria má ideia (em teoria) se os votos que tu estás a movimentar não fossem do PSD para o PS ou BE (os do CDS não se vão mexer por causa disto). Dizer que vais repensar a lei do aborto, nesta altura do campeonato, não tira votos ao CDS. Dá-os ao PS. Se alguém quer virar à direita mas acha que CDS é demasiado, a solução não é ombreares com ele. É seres alternativa. A sério, isto é uma conta que não pode ser assim tão difícil de fazer.
À quantidade de tiros no pé que vocês dão, um dia ainda vão ser usados como passadores. Chiça!
Foco no target.
Passos Coelho quer reavaliar a lei do aborto. Disse-o em declarações à Renascença.
Hummm, se ao menos os marketeers de Passos Coelho já tivessem lido algo mais do que o "Marketing para totós"...
Eu até podia dar-lhe algum crédito pelo foco no target, mas este foi totalmente anulado pela péssima avaliação de prioridades. Um referendo? PPC acha mesmo que o que este país falido precisa é de um referendo? E porque é que, de repente, o PSD decidiu ir pescar eleitores ao CDS?
E de ver o "Engenheiro" Sócrates começar a coisa dizendo:
- O senhor e o seu partido abriram uma crise política em Portugal por pura ambição e porque querem governar! Nós estávamos no bom caminho, a fazer tudo bem, e os senhores acharam que era o momento para abrir uma crise política, que levou à demissão do Governo e a estas eleições antecipadas.
4 debates. Sócrates debateu com 4 opositores e procurou sempre começar por levar a discussão por este caminho. E não houve, em nenhum dos 4 candidatos, a capacidade de dizer que o PEC IV não precisava de ser aprovado pelos outros partidos, tivesse o PS muita vontade de assumir sozinho os destinos do país. Ou que tivesse perguntado ao PM porque é que ele virou costas da discussão do PEC IV e deixou o ministro Teixeira dos Santos sozinho a representá-lo, se era assim tão importante ou, melhor ainda, porque é que não houve nenhum candidato (Paulo Portas andou lá às voltas, mas não foi directo o suficiente) que tivesse dito na cara de José Sócrates que as medidas do PEC IV são muito semelhantes às que a Troika impôs, não fosse o detalhe de elas serem passíveis de resultar quando combinadas com uma injecção de € 78.000.000.000. Detalhes, claro. E se a crise política aconteceu porque o Governo se demitiu, e se o Governo se demitiu pelo chumbo do PEC IV, e se o PEC IV era suficiente, então andam para aí € 78.000.000.000 perfeitamente desnecessários e a precisar de colo. Pequeninos, venham cá, vá, eu trato de vocês...
E eu gosto tanto. Ao contrário da caça desportiva, contra a qual sou a favor (não, não é lapso, leiam lá outra vez...), há poucas coisas que eu aprecio da mesma forma que aprecio a caça ao voto. Há uma quase magia nesta coisa de agarrar votos que andam por aí a passear em mãos alheias... Há duas semanas, milhares de votos sem dono, e vale tudo menos arrancar olhos. Quer dizer, se for preciso arrancar um ou outro olho, também não é por isso que vai o gato às filhoses... As técnicas são várias e passam por vários ambientes: o ambiente de festa, criado para o momento, nem que para isso seja preciso usar as Embaixadas e convidar imigrantes sem voto... na matéria e na urna. O ambiente rural, que leva a beber um copinho de tinto às 10 da manhã. O ambiente popular, propício a beijar crianças e pessoas em geral, algumas de higiene duvidosa. O político português, que o povo nem sempre (re)conhece percebe tanto de caça como uma cabra surda. O político português sai de casa com as armas erradas. Leva fisgas para caçar ursos. Toda a gente sabe que o cidadão é um bicho que não se deixa caçar de qualquer maneira. Não é bicho que se ponha a jeito. Até pode ser. Mas o cidadão que se põe a jeito já está caçado. Só falta pôr uma laranja na própria boca e deitar-se em cima de uma travessa. O cidadão indeciso, aquele que o político quer caçar, não está para ouvir longos discursos sobre o que está mal no país. Ele sabe. Ele tem de pagar contas no final do mês. Também não consegue suportar a condescendência alheia. Apesar de viver com dificuldades, não precisa que gajos que não sabem o que isso é venham dizer que compreendem. Compreendem, exactamente, quando? Quando gastam milhares de euro na campanha? Ou quando vão jogar golfe? Ou quando os seus motoristas levam os seus filhos ao colégio? Os políticos não compreendem nada do que é a vida de um cidadão. Se querem ser bem sucedidos nesta coisa de caçar votos, não podem mentir ainda mais. Vocês não compreendem. Assumam. Podem beijar dezenas de putos com ranho que não irão compreender. Uma dica? Sejam claros na mensagem. Digam o que vão fazer. Sem relambórios. Sem falsos paralelos. Se não, olhem, vão ser como este beagle...
Ontem estive dedicada a outro tema que não se discute à mesa que não a política e só hoje soube desse belo momento de entretenimento e drama, que foi a lágrima de José Sócrates. E ocorre-me, ao ver as imagens desse momento, o mesmo que me ocorre quando vejo a capa da TVMais desta semana:
1 - Que grande paneleirice!
2 - Só ele é que não vê o quão ridículo é, certo?
3 - Um dia, se Deus quiser, ainda havemos de poder sair à rua sem dar de caras com esta criatura!
4 - Este gajo já foi acusado de tanta coisa... porque é que ele não está preso?
5 - (esta tira uma lágrima à minha pessoa) É disto que o povo gosta...
Caro PSD,
(vai assim, sem personalizar destinatários porque, lamentavelmente, me vejo obrigada a colocar todos no mesmo saco)
Imaginem que vos aparecia uma oportunidade de governar o país dois anos antes do previsto. De José Sócrates já se sabe, ganha a todos em propaganda com truques que lhe explicou o Luís, que não passam de uma escolha da cor certa para a gravata ou do profissionalizado "diz que não disse porque afinal disse mas não era bem isso que eu queria dizer". O povo estava farto, vocês já tinham despachado a Dr.ª Ferreira Leite (que, convenhamos, tinha "apenas" e "só" um deficit de carisma), arranjaram um senhor que tem bom ar, fatos parecidos com os do Eng. Sócrates... tinha tudo para dar certo, não era? Não, não era. Era importante que viessem cá aqueles senhores estrangeiros que estudam coisas para ver o que aqui se está a passar: vocês armaram-se em arrogantes e desataram a dar tiros nos pés. O povo é ingénuo, na sua generalidade? É. O povo tem memória curta? Tem. O povo tende a perdoar quem só lhes lixa a vida? Tende. Mas há uma coisa que o povo não aceita, e isso é a falta de respeito. O povo é ingénuo mas não é burro. O povo não gosta de ser pisado e humilhado. O povo não gosta que gozem com a cara deles. O povo não se chateia se vocês têm aí um tipo que diz "pentelhos", mas o povo não come que vocês vão buscar um gajo que ainda ontem era independente e apartidário e anteontem só pensava nos outros, sendo que os outros são, essencialmente, os seus familiares que constam do payroll da organização sem fins lucrativos a que ele presidia. Só aí, me parece, perderam 500 mil eleitores. E ontem foram mais 500 mil. A mim nunca tiveram, quase arrisco a dizer que nunca terão, mas ter-me-iam perdido no momento em que me obrigam a pensar que neste aspecto concordo com José Sócrates. E lamento confundir o PSD com PPC, mas a verdade é que ele é o líder. Se mal lhe corre, mal lhes corre. Ainda assim, e por achar que vos poderá cair um raio de lucidez em cima, vou explicar o quão injustas, levianas e ofensivas são as declarações de ontem de PPC: a única pessoa que conheço que fez parte das Novas Oportunidades foi o Sr. D. Já aqui falei no Sr. D. E aqui também. O Sr. D. trabalha de segunda a sexta, das 7 da manhã às 3 da tarde, quando corre tudo bem. O trabalho do Sr. D. é, sobretudo, físico. O Sr. D. vai trabalhar de autocarro, pelo que se levantará, presumo, aí às 5h30 da manhã. Depois disto, e a trabalhar há 15 anos no mesmo sítio, o Sr. D. bem podia ir para casa tratar de pôr os pés ao alto e ver a bola na televisão. Mas não. O Sr. D. foi para as Novas Oportunidades. Estudou, esforçou-se, e concluiu o 12º ano. Ignorante, se me permite, é o Dr. Passos Coelho, por achar que o esforço das pessoas como o Sr. D. pode ser menosprezado, minimizado e usado no lamaçal que é esta campanha eleitoral. Lamentavelmente, o Sr. D. não teve possibilidade de estudar, ao contrário do Dr. Passos Coelho e de mim. Os conhecimentos académicos não fazem do Dr. Passos Coelho ou de mim pessoas intelectualmente superiores. Anda por aí muita gente cheia de diplomas que nem a língua do seu país sabe falar. Anda por aí muita gente que, de diploma na mão, se acha no direito de reclamar que está "à rasca". Ignorância, Dr. Passos Coelho, é catalogar as pessoas. Ignorante é o Dr. passos Coelho porque não sabe que a palavra "ignorância" significa, também, incompetência. E haverá alguém mais incompetente do que um líder de um partido que tinha tudo para ganhar e conseguiu deitar fora um milhão de votos em menos de um mês? Tenha vergonha, Dr. Passos Coelho, da sua ignorância. A sua falta de ciência e de saber (a.k.a "ignorância") leva-o a não perceber aquilo que é óbvio para mim que, de política, só sei que não são pessoas como o senhor que merecem o meu voto.
Embirrem com o que quiserem no homem. Agora fazer uma escandaleira por causa dos "pentelhos" de Eduardo Catroga?
Ah, ele disse pentelhos... o senhor político disse uma palavra que até vem no dicionário e tudo.
Ridicularias, coisas pequenas, insignificâncias, minudências, ridicularias, caganitas de rato... pentelhos!
Eu não voto PSD. Se votasse, em grande parte, seria graças a Eduardo Catroga. E não seriam pentelhos destes que me fariam mudar de ideias.
Imaginar que o político no debate é um vendedor de carros e que eu sou a possível compradora de um carro em 2ª mão. Se não confio nele para me vender um carro, como poderei confiar nele para governar o país?
O carro de José Sócrates está cheio de ligações directas, tem o odómetro marado, o óleo nunca foi trocado e aquele barulhinho que "não é nada" é só o escape a raspar no chão.
O carro de Passos Coelho não é mau. É um utilitário em boas condições, na medida dos possíveis. Pena estar todo "quitado". Tem peças extra que não combinam, ainda tem reserva legal e o seguro... o seguro está mais ou menos tratado.
Em Jerónimo de Sousa eu confio. E acredito que ele ache que o carro está fantástico para as estradas portuguesas. Mas, na verdade, o carro é antigo, requer uma manutenção que já não existe, e anda muito devagar para a pressa dos dias de hoje.
Assim de repente, três já foram.
Era uma vez uma menina que acordou às 08h30. Demorou 20 minutos a tomar banho, 10 minutos a arranjar-se, 10 minutos a tomar o pequeno-almoço e 20 minutos a chegar ao emprego. Como entrava às 09h00, nesse dia a menina chegou atrasada. No dia seguinte, voltou a acordar às 08h30, levou 20 minutos no banho, 10 a arranjar-se, 10 para o pequeno-almoço e 20 a chegar ao emprego. Voltou a chegar atrasada. Durante dias, semanas, meses, a menina fez exactamente a mesma coisa. Durante dias, semanas, meses, a menina acumulou atrasos. Quando confrontada com o seu historial de atrasos, a menina prontificou-se a dizer que, dali para a frente, passaria a chegar a horas. O seu plano era sair da cama às 08h30, demorar 20 minutos no banho, 10 a arranjar-se, 10 a tomar o pequeno-almoço e 20 no caminho para o emprego. O patrão riu-se e disse-lhe o óbvio: se ela continua a fazer tudo da mesma maneira, o resultado final será, inevitavelmente, o mesmo. É evidente, não é? Então porque é que no debate de há pouco, na TVI, José Sócrates afirmou peremptoriamente que os seus planos, a ser reeleito, são de continuidade?
Que contenha, tantas vezes quanto possível, a palavra "monitorização".
José Lello tem um Blackberry. José Lello tem conta no Facebook. José Lello chama foleiro ao Presidente da República, via Facebook, usando o Blackberry. Como o Facebook é uma rede social, a "foleirice" de José Lello, tal como o azeite, vem à tona. Agora José Lello diz que a culpa é do Blackberry. Que aquela era uma mensagem privada. Que, para os parvos dos eleitores, José Lello teria "dourado a pílula" e teria dito o que pensava por mais palavras. Portanto, José Lello disse que, não fosse o Blackberry ter-lhe estragado os planos, ele teria uma maneira completamente hipócrita e dissimulada de dizer, em três palavras, o que a falta de nível e iliteracia tecnológica o puseram a dizer em apenas uma.
Minha Nossa Senhora das Eleições,
Dai-me serenidade para aceitar que cada país tem os políticos que merece,
A coragem para tentar mudar isso nas urnas,
E a sabedoria para saber que o país não muda se a atitude não mudar.
A procura de nomes sonantes para cabeça de cartaz lista dos partidos faz-me pensar se esta pantominice que chamamos de eleições não terá a qualidade e seriedade de um teatro de revista, onde Marina Mota e Carlos Cunha (os do costume) são substituídos por Fernando Nobre e Miguel Relvas. Onde tudo é uma paródia sem graça, onde se dá mais importância à roupa que se usa em palco do que aos textos, onde as piadas insultam a inteligência do público que prefere ir ao teatro a sério, onde os que vão, ainda que habituados a ouvir as mesmas piadas (contadas de todas as formas possíveis), se sentem em segurança ao ver que aqueles outros gozam com os outros outros, de uma forma que eles entendem.
Os cartazes são sempre iguais: elas aparecem espartilhadas em roupas que já não têm idade e, muitas vezes, corpo para usar e eles com cara de parvos. Usam a arma da brejeirice, descem ao povo, riem com ele, como se a piada fosse toda uma novidade, como se estivesse a ser dita pela primeira vez. Há cumplicidade entre os dois, os artistas e o público, ambos desprezando a realidade, uns em nome de uma chamada arte, outros em nome de uma diversão. Mais vale rir, pensam. Os problemas não podem ser levados a sério. Ainda bem que escolhi esta revista. Sim senhores. Isto é que é arte! Vou agora ao teatro, ver aquelas coisas complicadas? Para triste já chega a vida, cheia de dissabores.
Pronto, está bem, eu opino.
Deve ter sido mais ou menos este o percurso que fez Paulo Portas sobre Fernando Nobre.
A próxima frase é uma improbabilidade. Não ao nível da construção, mas ao nível do conteúdo. Vamos lá, Bad, tu consegues: neste aspecto eu concordo com Paulo Portas (ufa, custou mas já está). Mas quem diz que não emite opiniões sobre determinado assunto não pode opinar, dois dias depois, sobre os desenvolvimentos do assunto em causa. Eu sei, não é fácil. Mas não fui eu que me propus a fazê-lo.
Numa clara homenagem ao ex-jogador de futebol, Paulo Portas relembra o famoso "prognósticos, só no fim do jogo", prometendo falar do Nobregate após as eleições. Parece-me bem. Quer num caso, quer no outro, é importante saber o resultado antes, para evitar amargos de boca.
Desculpa a intimidade, mas sinto-me no direito de te tratar por um diminutivo (Deus sabe que eu odeio diminutivos e só não sabe mais coisas porque eu sou agnóstica e me recuso a contar-lhe), ao fim de tantos anos de uma relação que nem sempre tem corrido pelo melhor.
Bom, Zé, vamos ao que interessa: desde "O menino guerreiro" que eu não me emocionava tanto ao ver um líder demonstrar emoções num comício congresso. A propaganda é bonita, aprecio o esforço, mas a populaça que ainda irá cair na esparrela do teu discurso (Oh, mãe, aqueles meninos não me aprovaram o PEC!) come dezasseis novelas por dia. Fartos de engolir desgraças estão eles, e são-lhes trazidas pelas mãos do Paulo Pires ou do Pedro Lima. Ao pé deles, Zé, és um menino feio. Por isso, esquece o lacrimejar e as queixinhas constantes. Só há um conselho que te posso dar, Zé, por isso escuta com atenção: a malta tem acesso a uma coisa chamada world wide web. Essa maravilha dos tempos modernos, Zé, que o Tim Berners-Lee inventou apenas e só para te tramar, arquiva com cuidado todas as tuas entrevistas. E é uma perda de tempo, latim e saliva estares constantemente a afirmar que não vais baixar salários, que não vais aumentar o IVA, que não vamos recorrer à ajuda externa, que não disseste nada disto que eu acabei de escrever, para depois alguém te espetar com imagens tuas a dizer o contrário... meia dúzia de dias antes. Por isso, Zé, o mais precioso contributo que alguém te pode dar não são as pancadinhas nas costas que te foram entregar a Matosinhos. Não. O mais valioso contributo que alguém te pode dar, é este: a imprensa não pode ser calada (Oh, mãe, os meninos não me deixam praticar a censura!). As imagens gravadas não podem ser apagadas, à imagem das escutas. O melhor que tens a fazer, Zé, por muito que te custe, é manter a coerência. Eu sei que é difícil, tu não estás habituado a fazer sacrifícios, mas é para teu bem. Diz-te isto alguém que não gosta de ti, não te respeita, e que tem um voto com o qual não podes contar. Uma representante da maioria dos portugueses, portanto....
Às vezes, quando estou só de pé atrás, gostava que as pessoas me mostrassem, com actos e princípios, que não se movem por agendas pessoais. Ou que, em movendo-se por agendas pessoais, o assumem com frontalidade. Enfim, o país lá vai tendo os políticos que merece.
Estamos fodidos. Oh, Luís, então e o blush que eu pedi há mais de uma hora? Estou pálido...
São momentos de consternação. Para a direita ou para a esquerda? Fod@-se, pago uma pipa de massa aos tipos do Marketing e eles nunca me põe uma merda de uma pinta na mão para eu saber qual é o lado.
Vamos ter de pedir ajuda externa. Luís? Oh Luuuuuíís!!! Luís! Achas que faça olhinhos?
A culpa é da oposição. E da minha mãe. Nuna me mandou para os escuteiros. Agora não sei se é esquerda ou direita.
Fiz tudo o que podia para mostrar o meu melhor ângulo.
Estou deveras preocupado. Preciso de saber qual é o meu melhor lado, se ponho blush, se faço olhinhos ao público, se faço amor com a câmara...
Ninguém me quis apoiar. Nem tu, Luís. Rai's te partam!
O PM pode pôr a melhor e mais azul gravata do armário. Poderá, no caso de hoje, até usar uma gravata cinzenta. Cor dos ratos. Pode tentar manter a calma, não demonstrar a sua má forma(ta)ção, arrogância e falta de respeito para com toda uma classe, que tanto o irrita: os jornalistas, esses tipos pretensiosos e com a mania de fazer perguntas inconvenientes... Oh, Deus, as saudades que José Sócrates tem daquele tempo em que aos jornalistas era entregue uma lista de perguntas autorizadas e qualquer ousadia se pagava com o pescoço no cepo. Se o amigo Chávez pode, se o amigo Kadhafi pode, porque raio José Sócrates não pode?
Estava eu, portanto, atenta à entrevista do PM quando assisto a um momento de fino humor. Incrédula, trato de fazer um rewind para ter a certeza de que ouvira mesmo aquilo que passo aqui a transcrever:
Sandra Sousa - Disse um dia que sabe que todas as carreiras políticas terminam com uma derrota. Se perder as próximas eleições demite-se do PS?
PM - Eu disse isso?
Vítor Santos - Disse, numa entrevista que deu.
PM - Não, não! Quer dizer, eu não disse que eu disse. Eu disse que isso é uma frase famosa de um grande político, que eu citei. Não quer dizer que esteja convencido disso.
Portanto, só para ficarmos todos na mesma página: o nosso Primeiro Ministro cita frases alheias com as quais nem sempre concorda. É apenas para não ficar calado. Por exemplo, eu posso dizer que Sócrates é um charlatão. O que não quer dizer que eu esteja convencida disso. Estou apenas a citar mais de metade das pessoas que conheço.
Da próxima vez que for à televisão, sugiro a José Sócrates que tome um chazinho. Nunca fez mal a ninguém.
Para as eleições balneares legislativas próximas, olho da esquerda à direita e a única coisa que me apraz dizer é o seguinte: se é para (finalmente) aparecer, é bom que o D. Sebastião venha agora. Grata.
Às dez da manhã de ontem acedi belissimamente e sem ponta de dificuldade ao site do MAI que me informou, em segundos, o meu número de eleitor e a freguesia onde deveria exercer tal dever.
Demorou uns longos 30 segundos, ou isso.
Alegadamente há milhões de pessoas que não conseguiram fazê-lo.
Claro que eu fiz isto de manhã, não me deixei ficar para dez minutos antes do fecho das urnas.
Quer dizer, se é para ir a um concerto, compram-se os bilhetes um ano antes. Se é para ir à bola, o bilhetinho está no bolso com meses de antecedência. Votar, não. Votar é uma cena que não é prioritária, vou deixar para o fim da tarde. Se me apetecer, logo irei ver qual é o número e aí sim, levanto a peida do sofá e faço o favor de os contemplar com o meu voto.
Adenda - Eu também vi o número imediatamente antes de sair de casa para votar. Calhou que foi às dez da manhã. Podia ter deixado para a parte da tarde e não teria conseguido aceder ao site. O que me deixaria com uma cabeça de todo o tamanho. Talvez reclamasse também do crash do site, do sistema, do MAI, e de tudo quanto há. A verdade é que os contactos estiveram em tudo quanto é caixa Multibanco pelo menos com uma semana de antecedência. E se há muita gente que tem razão em reclamar, que tem mais o que fazer e que se organizou para ir ao fim do dia - afinal o horário existe para ser aproveitado na totalidade, também há muita gente que não pensou sequer meter o nariz fora da porta e que agora reclama com esta situação, só porque sim. Só porque viu aqui uma desculpa melhor para não ter saído de casa do que o tradicional "estava frio".
Não contem comigo para fazer a escala.
Já vi 3 dos candidatos ou seus representantes cantarem vitória. Vai ser lixado conseguir metê-los todos em Belém.
Feios, mal vestidos e com cabelos mal pintados (sim, PPC, esta é para ti).
Estes são os políticos portugueses.
José Socrates critica quem se alia à pobreza pensando em resultados políticos. Faz-me sentido. Até porque Sócrates teve que se aliar à política para conseguir esta pobreza de resultados .
Segundo a AOLnews, Julian Assange foi detido por fazer parte de um processo que o próprio e o advogado desconhecem, no qual é acusado de "sexo surpresa" (sex by surprise).
Ora não me parece estranho que o homem mais inconveniente do mundo esteja a ser tramado por um crime da treta (pelos relatos das envolvidas, está longe de ser a alegada violação que fez correr tinta nos jornais), qual Al Capone. Nem que faça parte de um processo kafkiano. O que me parece estranho é Assange não saber o que é "sexo surpresa". Porque eu acho óbvio que os todo-poderosos deste mundo ficaram um bocado surpreendidos quando Assange os fod£u com a divulgação dos documentos.


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