Da estreia da segunda edição da Casa dos Segredos veio uma coisa boa: todos os ex-concorrentes de todas as edições do Big Brother e até os concorrentes da Casa dos Segredos 1 me parecem, agora, pessoas extremamente sofisticadas e moderadamente inteligentes.
O país está em crise e basta ligar a TVI para perceber porquê.
Pelo segundo dia consecutivo dou por mim a ouvir pessoas convidadas do Telejornal daquelas que, aparentemente, têm inside information sobre os mais variados temas. Ontem o senhor convidado da TVI bramia palavras de indignação e de incredulidade quando confrontado com o facto de Londres ainda não ter canhões de água na rua. Não sei sequer o que faz o dito senhor, mas imagino que seja o melhor na sua área, pois hoje lá estava ele, outra vez, a apontar o dedo, a criticar o governo britânico, a insinuar que aqui, neste jardim à beira-mar plantado, nada daquilo era passível de acontecer. E nem era só ele. O jornalista da SIC, munido de microfone e tempo de antena, inventou um novo conceito de reportagem: o de transmitir os acontecimentos com a parcialidade que se quer, tecendo comentários, alvitrando sugestões e deixando conjecturas no ar. Somos todos muito bons, faz-nos impressão a mediocridade dos outros, prisioneiros da sua incapacidade. Mandamos bocas do "alto da burra" e, assim de repente, enquanto cuspimos para o ar, vamos esquecendo episódios como os do Bairro da Bela Vista ou da Quinta da Fonte. Sentemo-nos então, seguros da nossa superioridade, diagnosticando falhas aqui e ali nos outros. Já diz a minha avó: enquanto estão à janela a estudar a vida dos outros, estão de costas para a bagunça que lhes vai em casa.
Este post só serve para quem via o "Último a Sair" (saudade!).
A partir do momento em que o Damião bateu com a cabeça, perdeu o sotaque açoriano e começou a balbuciar cenas alucinadas, parecia que os diálogos (?) dele tinham sido escritos pelo tipo que escreve as letras dos GNR.
Espadarte poeta monta-te outra vez na tua mota e regressa para Santarém.
Tenho algum esquentador nos dentes?
Baguete mista de semáforo para levar.
Queres leite? Não posso, porque só calço o 42.
Alguém que faça os arranjos, ainda ganhamos um disco de ouro!
Eles estão de volta. Pesados à séria, treinadores dos bons, sem Comandos ridículos, apresentadoras histéricas, sem fitinhas nem mariquices.
Já ouvi dizer que a apresentadora da segunda série do Biggest Loser português vai ser a Bárbara Guimarães. Estou, neste momento, a abanar a cabeça e a fazer tststs...
Quem é que sabia, ainda no embrião, que isto não ia resultar?
Primeiro, a ideia do "Comando" não é má, mas está mal aplicada. E pessimamente incorporada. O moço diz "evidenteménte" e "constanteménte". Em termos de dicção, é do pior que se ouviu em TV.
A treinadora também tem ali qualquer coisa "sopinha de massa" e debita um texto nitidamente decorado... se era para pôr pessoas a imitar os americanos, arranjavam actores.
Obrigar pessoas a chafurdar na lama com a própria roupa não é bonito. Dá assim um ar de "essa merda que vocês trazem vestida serve perfeitamente para estragar". No formato original as pessoas estão com roupas "oficiais" desde o início.
Ver Júlia Pinheiro a falar doucement é o mesmo que ver José Sócrates dizer a verdade. Não combina.
O nível de metade dos concorrentes que lá está é muito rasteirinho*.
Eu sei que ontem foi o primeiro programa e que ainda há muito para ver. Mas, meus amigos, ninguém tem uma segunda oportunidade de causar uma primeira boa impressão.
*Por "nível rasteirinho" entenda-se pessoas que, aparntemente, estão dispostas a passar por cima de quem quer que seja para ganharem o prémio final e não pessoas que não são "como nós"...
Gosto desta sensação de espanto que ainda toma conta de mim aquando da percepção da palermice alheia. Por um lado, estou sempre à espera de ver onde é que as pessoas vão falhar. Por outro ainda me espanta a capacidade que as pessoas têm de o fazer. A RTP, por exemplo, quer à viva força que adoptemos o Acordo Ortográfico. De tal forma que não hesita em mudar o nome de uma peça de teatro (apesar de usar aspas para citar esse nome). Quando a olhar de frente para a dúvida (será que respeito o nome original da peça ou "traduzo" para o novo português?), a RTP toma a decisão óbvia, que é mudar o nome à peça. E o Victor Baptista? Será que vai passar a chamar-se Vítor Batista, só para fazer o jeito à RTP?
Os canais de televisão não param de anunciar a descoberta de novos idosos mortos em casa. Ora, partindo do principio de que não se trata de um fenómeno recente, de uma praga ou uma epidemia, sobra-me pensar que estas criaturas se estão perfeitamente a cagar para os velhinhos que são encontrados mortos em casa. Quantos mais, melhor, desde que o carro deles seja o primeiro a chegar ao local. Não tarda, começam a noticiar a existência de velhinhos que ainda não morreram sozinhos em casa mas, com a gripe que apanharam, daqui a três dias hão-de estar mortos. E vão estar sozinhos. E eles vão ser os primeiros a chegar ao local.
Isto não é jornalismo, é uma pantominice pegada.
Hoje, à hora do almoço, a curiosidade dos meus colegas só conseguiria ser extinta com a minha resposta à seguinte pergunta:
- Que séries vês tu agora, com o mesmo interesse com que vias o "Lost"?
- Nenhuma. O "Lie to me" seria o único a poder encher este vazio que há em mim.
- E então? O que é que lhe falta?
- Ter pessoas presas numa ilha.
Um dos melhores programas que 2010 trouxe foi "Portugueses pelo Mundo". Dinâmico, descontraído, despretensioso e interessante. O formato é simples: conhecer portugueses que vivem fora de Portugal. Longe da imagem do emigrante que partiu apenas com a sua mala de cartão e vive "guetizado", o programa apresenta-nos pessoas genericamente felizes e integradas na sociedade que os rodeia. Como não há bela sem senão e nada me saca assim um elogio de caras, o chato é estar sempre a tentar adivinhar a que horas dá o programa que, pelo que me apercebi, nunca conquistou dia e hora fixos na programação da estação pública, e parece saltar sempre que dá jeito.
Ainda assim, não deixa de ser um belo exemplo de serviço público. Dos poucos, devo acrescentar.
Passeava-me eu pelas notícias (!) do país quando soube da novidade: Júlia Pinheiro, a estridente apresentadora da TVI, vai para a SIC. Até aqui tudo bem, consigo perceber que a "carteira de clientes" de Júlia interesse à estação de Carnaxide. Logo a seguir leio que é ela quem vai apresentar o "The Biggest Loser (TBL)". Ora foi exactamente neste ponto que eu sofri um "piripaque" de um tamanho tal que houve pessoas que equacionaram a chamada do INEM. Recuperada que estou do choque, eis-me numa de prestar serviço público, a explicar aos senhores da SIC, como se eles fossem muito burros (a ser verdade a notícia, são mesmo), o porquê da minha insistência:
- Eu gostava de ver a versão portuguesa do programa. Até tenho tias que podiam participar nesse mesmo programa. Era bonito. Mas não vou poder. Não se a Júlia Pinheiro apresentar o programa. Nem eu nem, suspeito, nenhuma das pessoas que assistem ao original. Há algo que parece ultrapassar as pessoas que decidem nos canais de televisão e, a meu ver, é demasiado básico: as pessoas que se interessam pelos formatos originais, no cabo, não são as pessoas que se interessam pelas acompanhantes de luxo da Casa dos Segredos. Viram o que a RTP fez ao "Project Runway" e são anjinhos o suficiente para irem, também eles, meter a pata na poça.
Passo então a explicar de novo, agora do ponto de vista do concorrente: primeiro, se eu fosse uma pessoa com excesso de peso e me enfiassem num fim-de-mundo qualquer onde as únicas coisas que acontecem são mil horas diárias de exercício físico com um treinador aos gritos e privação de comida, não me interessava ter aquela voz a falar comigo. Também não me parece conveniente a abordagem típica de Júlia Pinheiro: "Concorrente azul, você perdeu 4 quilos esta semana e passou a barreira dos 100. Já se sente confiante para convidar a concorrente amarela para o seu quarto?" ou "Concorrente verde, vi-o olhar lascivamente para a concorrente roxa enquanto ela fazia abdominais. Pensa que quando sair daqui e vestirem ambos o 38 poderão casar?". Depois, porque a partir do terceiro mês, já vai haver concorrentes a olhar para a Júlia e a pensar: "mas porque raio é que não vais tu também para a passadeira?". A apresentadora do TBL não pode ser escanzelada. Mas tem que ser "boa". Aquela que as concorrentes querem ser quando terminar o programa. Aquela que os concorrentes acham que vão conseguir com uma melhor figura. A apresentadora do TBL tem que criar empatia. Eles têm que saber que ela sabe o que custa fazer "n" horas seguidas de ginásio. A única vantagem que eu vejo no facto de Júlia Pinheiro apresentar o TBL é que, quando houver aquelas provas de subir e descer a montanha, eles podem ouvi-la na perfeição, independentemente do quilómetro onde se encontram.
Eu já dei a receita para o sucesso. A desviarem-se das minhas orientações, vai haver um "biggest loser". Mas não é concorrente.
Também já não temos.
Foi com alguma tristeza que assisti ao último "episódio" do "Contra-informação".
Calaram-se os bonecos mais inconvenientes de Portugal.
Neste preciso momento, naquele concurso do Malato, a pergunta é:
"Qual dos seguintes países não tem um regime comunista:"
As respostas possíveis são China, Vietname, Cuba e Portugal.
A Carla passou a resposta à Frederica. A Frederica - valha-nos ao menos isso! - acertou.
A culpa é da Carla? Não. A Carla vê o Hu Jintao ser recebido como se fosse um herói. A Carla vê o Sócrates bajular o Chávez. A Carla conhece o ditado que diz: "diz-me com quem andas...".
A Frederica, porém, não sabe o que se comemora no dia 1 de Dezembro.
Gosto de ver o "Biggest Loser". Quando o MQT adormece antes do fim e me pergunta, no dia seguinte, quem saiu, eu respondo sempre: "O gordo". Por falar nisso, a SIC comprou o formato do programa, o que me parece uma bela iniciativa. A não quererem fazer merda como a RTP fez com o "Project Runway", se calhar aceitam as minhas sugestões. Por acaso só tenho uma: Diana Chaves para apresentadora (e não, eu nem sequer gosto muito DA Diana Chaves). Não estou para estar aqui a perder tempo a explicar porquê. A RTP não me ligou nenhuma. Se a SIC quiser saber como tornar este programa num sucesso, que me pergunte. Estas merdas pagam-se e a crise está para todos. Essa é que é essa.
O zapping nocturno de ontem deu-me dois presentes, sob a forma de incoerência. Na SIC, o júri do "Ídolos" insulta pessoas. De novo? Nada. Apenas o facto de estas pessoas estarem na segunda (ou terceira, não sei) fase de castings. O júri passou para a fase seguinte concorrentes para depois lhes perguntar o que é que eles estão ali a fazer. Faz sentido? Nem por isso. Mas engorda as audiências. Aproximadamente à mesma hora, na TVI, na Casa dos Segredos, uma rapariga com ar de rameira lambuzava um rapaz com ar de sou-tão-fixe-com-este-ar-de-arrumador-de-c
Pois, caros leitores, lamento desapontar-vos, mas eu vi a primeira emissão da "Casa dos Segredos". Como vocês não fazem a mais pálida ideia do que é que eu tenho que fazer mensalmente para trazer o soldo para casa, eu podia sair airosamente desta confissão, dizendo que o fiz por motivos profissionais. Ou dar montes de allure a isto, dizendo que estou a desenvolver uma tese sobre o magnetismo dos programas mais trashy de televisão. Mas a verdade é que não. Da mesma maneira que me dá um gozo tremendo ver o Porto Canal, coisas como a "Casa dos Segredos" também me acalentam a alma. Ora (não) explicadas as razões de tamanho chafurdar na lama no serão de Domingo, tenho a dizer-vos que: WTF??? Eu não vi o início e, talvez por isso, não saiba nada sobre as regras. Percebi (OK, aquilo não é Física Nuclear) que os concorrentes têm segredos e que os outros têm que os descobrir. Nós (telespectadores) também sabemos os segredos. Mas não sabemos a quem pertencem. Alguns são um bocadinho parvos. Tipo "Já tive um bar de alterne" ou "Já fui acompanhante de luxo". Para mim 90% das mulheres que entraram naquela casa podiam ter tido um bar de alterne E podiam ter sido acompanhantes. O "de luxo" é que me lixa. Depois há um obsessivo-compulsivo (vai ser o gajo que está constantemente a fechar as gavetas), a que namorou com um jogador da selecção nacional (vai na volta e pode ser de andebol de sub-18...) e o filho da figura pública. Aqui é que a porca torce o rabo. Neste país, dá-se um pontapé numa pedra e sai de lá uma figura pública. Toda a gente aparece nas revistas, na televisão. É porque entrou num "Big Brother", porque apareceu em um episódio dos "Morangos com Açúcar" ou porque apresenta um programa no Porto Canal. Neste país a profissão mais proeminente é "Figura Pública". Esse vai ser o menos fácil de encontrar. Pode ser qualquer um. A ideia gira do programa são uns gémeos que alternam a participação no mesmo. Ora aparece o A na casa, ora aparece o B. Embora ao lado um do outro as diferenças (poucas) sejam óbvias, para mim seria impossível distingui-los. Eu, que namorei com um gémeo e, uma vez, num bar onde estávamos nós, alguns amigos e o irmão dele, eu saí da casa de banho e dei uma palmada no rabo do irmão errado... mais depressa eu achava que o tipo era bipolar.
Aceito que a TV que eu ajudo a pagar passe programas pirosos, que só me incomodam a retina.
Aceito que a TV que eu ajudo a pagar passe programas populares, que só me atingem no bom gosto.
Não aceito que a TV que eu ajudo a pagar enalteça, chamando-lhe espectáculo,uma barbárie que serve meia dúzia de elites amorais que se regozijam e aplaudem uma forma de maus tratos animais.
Eu boicoto a RTP amanhã e sempre que o canal "público" me ofender na moral e nos princípios.
Eu tenho vergonha. Tenham vocês também!
Esclarecimento: a iniciativa não é minha; o seu a seu dono, o cartaz que encontram acima está a ser partilhado no Facebook. A indignação neste post, essa, é toda minha.
Eu vejo o Porto Canal. Verdade. Às vezes, quando estou aborrecida a olhar para a televisão, sou possuída pelo espírito havaiana (vulgarmente conhecido pelo "fugir o pé para o chinelo") e lá mudo eu para o 14, onde encontro coisas como:
Dias Felizes: programa apresentado por uma Barbie com um sotaque medonho, que visita os noivos no dia do casamento. Vai à casa da noiva, à casa do noivo, à igreja e à festa. Não sei se aquela gente ganha mais do que aparecer no programa (deve ser o sonho de uma vida concretizado), mas há poucas coisas piores do que aquilo. E estão todas no Porto Canal.
Apetites: programa apresentado por um cromo com um sotaque medonho, que visita restaurantes da área metropolitana do Porto. Normalmente repete o que os anfitriões dizem, mas sempre cantando um "inho".
Exemplo: "Então, Dona Gertrudes, o que temos aqui no Restaurante Agarra a Burra?",
"Temos bacalhau à Brás"
"Bacalhauzinho à Brás"
"Coelho estufado"
"Coelhinho estufado"
(...)
O Mendonça termina sempre o programa sentado à mesa e com a assinatura (que ele próprio inventou): "Depois não digam que não há profissões mesmo muuuuuito difíceis."
Romaria do meu coração: Nunca vi. Com pena. Parece que acompanha as festas e romarias deste nosso Portugal.
La vie en rose: desconhecidos abrem revistas e falam sobre as vidas dos outros como se eles próprios fossem figuras públicas. Sandra Sá (que se aproveita) faz-se acompanhar de Bebé Moreira (quem?), Cristina Ramirez (quem?) e outra criatura que veio substituir o Tozé Santos e Sá (quem??). Vejam aqui um antigo, se tiverem paciência.
Toca a cantar: Desconheço o local onde decorre a acção deste. O apresentador (que não tem um sotaque medonho) entrevista a custo os "cantores" de karaoke que vão a concurso numa danceteria do Porto.
Há uma razão para eu não saber muito sobre os programas do Porto Canal: tudo bem que é divertido, mas aquilo é como os choques eléctricos: ao princípio faz cócegas, mas depois incomoda.
Para terminar, vou abrir-vos o apetite. Cá vai disto:
Foi voçe que pediu um belo canal?
Física quântica? Easy.
Biologia molecular? Canja.
Ciência aeroespacial? Piece of cake.
Histologia animal? De olhos fechados.
Antropologia forense? Para meninos
O que me lixa é mesmo o atletismo. Acabo de ouvir um jornalista da SIC dizer: "o tronco de Obikwelo foi o quarto a alcançar o plano vertical da borda, mais próximo da linha de chegada.".
Vocês já sabem o pranto que foi na minha vida o fim do Lost. Zanguei-me e chorei, mas lá acabei por me resignar. Numa vida pós-Lost é tudo mais triste, muito mais insonso, chega a ser devastador. A televisão parece emitir imagens em branco, tudo é demasiado simples, tudo é bacoco. Ou melhor, era. Uma vez, em conversa com um amigo (ex) toxicodependente, ele explicava que todas as experiências que fez foi em busca da sensação da primeira vez. Por vezes "tocou-lhe". Hoje, eu, Lostaholic, tive um vislumbre do que é esse toque. De voltar a ficar vidrada no écran. De respirar coordenadamente, de forma a não interromper o raciocínio. De piscar os olhos porque tem que ser. Só mesmo Christopher Nolan para me fazer esquecer a implicação com Leonardo di Caprio. Só mesmo "Inception" para me fazer acreditar que consigo "tocar" novamente a magnífica sensação de ficar absorvida na história.
... eu tinha razão. Pronto, está dito.
Claro que podiam ter feito a coisa bem feita, era só seguirem as minhas directrizes. Mas não, quiseram inventar. Ah, somos tão criativos, vamos fazer da Nayma uma apresentadora. Esqueceram-se daquela coisa que é suposto os apresentadores de televisão terem que é... como é que se chama? Isso, boa dicção. Só vi coisas mais mal apresentadas no Porto Canal. Para não falar do júri. Mas o despontamento é tanto que tenho que digerir melhor, antes de voltar ao assunto.
Sugestão (agora que fizeram merd@ vão aceitar o que tenho para vos dizer?): mantenham por aí a "Rojinda". Pode ter um "xotaque " de fugir, mas mais nada vai manter as pessoas a verem esse programa. Que podia ter sido tão bom...
Esta história do polvo que adivinha os resultados dos jogos parece-me muito digna de aparecer nos noticiários e fazer correr tinta nos jornais. Contudo, apesar de não perceber nada de polvos em particular e de bicheza em geral, acho que (se querem mesmo encher chouriços) não era pior entrevistarem alguém que perceba disto, e que consiga explicar às pessoas que o polvo escolhe, é óbvio, pelas cores. Escolheu sempre a Alemanha (preto-vermelho-amarelo) até ao dia em que se viu confrontado com um vermelho-amarelo-vermelho. Eu, que não sou especialista nestas coisas, vejo aqui um fio condutor. Mas não. Devo estar errada. Deve ser o cabrão do polvo que adivinha. Ainda hoje, antes de sair de casa, olhei para o cão, e ele estava deitado. O que queria dizer que eu ia passar a manhã com sono. Não é que o bicho adivinhou? Se, depois do Mundial e antes de começarem os incêndios, os canais de televisão quiserem ir fazer directos lá a casa, avisem. É que o gato que adivinha os dias das visitas dos jornalistas costuma ir passar o Verão fora.
No Sábado, na casa da minha avó, vi o último episódio da série Glee.
Pensamento 1: Eu podia ter gostado de ver esta série.
Pensamento 2: Mas fod@-se, gente a cantar e a dançar o tempo todo? Que seca!
Pensamento 1 separado do pensamento 2 por escassos 10 segundos.
Ontem tive oportunidade de me deliciar com o "Dias com Mafalda", programa que em inglês se chamaria "Nigella Bites". Em picardia saudável, a SIC Notícias mostra à SIC Mulher que sim, que também tem um momento culinário/ lúdico do mais sexy que há. Do que se esqueceram os responsáveis do canal é que a Mafalda não é a Nigella. A Mafalda é uma senhora, aquela que o rapaz leva a casa da mãe para jantar. A Mafalda tem pinta (tirando aquele sotaque fozeiro que, juro por tudo, me tira do sério!!!) e consegue aproximar-se da Nigella. Mete a mão na carne com molho, envolve tudo com alecrim, aperta o cordel à volta do rosbife, mas não lambe a colher. A dignidade tem limites. A Nigella é a mulher que o rapaz leva a um jantar de amigos, para mostrar o seu overachievement. Que passeia as suas formas voluptuosas junto aos convivas, que experimenta o vinho do melhor amigo do rapaz que a levou a jantar. Que lambe a colher. O que de melhor nos oferecem estes programas de cozinha, já se sabe: homens atentos às receitas, que não hesitarão em replicar o prato, para provar que só estavam mesmo a ver o programa.
Eu já fiz muita porcaria na vida. 32 anos de puro rastilho curto, desatino e “mais vale arrepender de ter feito do que não ter feito de todo” ofereceram-me de bandeja momentos embaraçosos, chatos e candidatos ao não esquecimento. No caminho, com a estupidez, magoei algumas pessoas. A mais ferida terei sido eu, obviamente. Ora a toda a porcaria que fiz na vida (não sei se já disse que foi muita) nunca me ocorreria acrescentar a derradeira porcaria que é a catarse pública. E, por mais voltas que dê, juro que não entendo como é que há pessoas que conseguem ir à televisão, ligar-se a um polígrafo, e estar ali, olhos nos olhos com família e amigos, a assumirem que sim, que traíram, que roubaram, que enganaram, que fizeram e aconteceram das piores formas possíveis. A sério que não entendo o que move as pessoas que aparecem no “Moment of truth” (o programa em Portugal durou meia dúzia de dias e não teve nem metade dos requintes de malvadez que o americano). Não pode ser só dinheiro, o dinheiro é importante mas não paga tudo. Não paga a vergonha pública, não paga o embaraço. Não paga, sobretudo, os olhares desapontados que tomam conta das pessoas que estão ali que, supostamente, são as pessoas mais importantes na vida daquela gente. É um acto de cobardia e não de coragem, de irresponsabilidade e não de querer ficar a zero com as contas do passado. As pessoas sujeitam-se à humilhação pública porque, pior do que não saberem pedir desculpas, não estão preparadas para assumir. Apontam o dinheiro como motivo para “vale tudo” naquele rol de confissões. Magoam tudo e todos no seu objectivo de expiarem os seus pecados. Como eu disse no princípio deste testamento, das porcarias que fiz, fui eu quem ficou mais ferida. E se, muitas das vezes, não pedi desculpa ou não contei a verdade, foi mais para me poupar do que poupar os outros, assumo. Podia fazer bonito e dizer que não, que viveram muito bem sem saber a verdade, que esta só havia de os prejudicar. É verdade, também. Mas a verdade que se sobrepõe aqui é que, das vezes que me senti preparada para assumir que fiz porcaria (merd@, em alguns casos), o fiz em privado e de coração aberto. Fi-lo para proveito próprio, mas não atropelei ainda mais as pessoas. Já sei que não hei-de ir para o céu. Mas não aceitaria fazer os outros passarem por um inferno.
Viciada não é a gaja que se levanta às 5:30 da matina para ver o último episódio do Lost. Viciada é a gaja que, depois de ter visto o último episódio do Lost em directo (isso, às 5:30 da manhã...) ainda perde quase 3 horas de um serão de terça-feira (também, o que mais se pode fazer num serão de terça-feira??? - não responder, é pura ironia) a rever o dito episódio.
Desculpa inicial: vou ver só aquela parte do princípio, porque quando passou em directo houve problemas com o som.
Leia-se: É só para experimentar aquela cocaína preta que saiu agora...
Desculpa seguinte: só quero rever aquela parte em que o Boone aparece a levar tareia.
Leia-se: só mais uma dose e termino.
Desculpa final: quem já viu até aqui, vê até ao fim. Até porque não está a dar mais nada de jeito.
Leia-se: eu largo isto quando quiser. Vício? Qual vício?
Boa tarde. O meu nome é Bad e sou uma Lostholic.
Sim, estavam todos mortos. E depois? Nós vamos ficar cá para semente, querem ver?
... agora que já temos o Project Runway, era comprarem o Top Chef.
Se quisessem, eu podia fazer de Padma. Tenho o que é preciso (uma cicatriz e um apetite de lontra). Desde que não me pusessem este a fazer de Tom Colicchio. É que, juro, já vi concursos de dançarinos, de cantores, de modelos, de estilistas, mas não há peixeirada como as que fazem os Chefs. Talvez porque a faca e o alguidar estão mesmo à mão.
Claro que vocês não fazem ideia do que eu estou a falar. Não têm Sony, se calhar...
Têm saudades dos posts sobre o Lost, não têm? Pois é... Too late. Pack your knifes and go.
Eu não gosto de bacalhau. Já experimentei e não gostei, estou no meu direito. Houve pessoas que me tentaram fazer gostar de bacalhau. Porque há mil e uma maneiras de o fazer, e eu havia de gostar de, pelo menos, uma. Explicaram-me que com natas era bom, que se fossem pastéis de bacalhau eu haveria de gostar. Mas não, nada feito, não gosto de bacalhau de maneira nenhuma. Isso não me dá o direito de achar que todas as pessoas que gostam de bacalhau são parvas. Têm mau gosto. São burras, vão agora gostar de um peixe que nem sequer é fresco. E pobres de espírito. Toda a gente sabe que o bacalhau é um alimento que, historicamente, alimentou os pobres. Não tenho esse direito, pois não? Então porque raio é que estou sempre a ler por aí que quem vê/ viu o Lost é
a) burro - ninguém passa seis anos a ver uma série que não se entende (???!!!???)
b) pseudo intelectual - passou seis anos a ver uma série que não entende só para dizer que vê/ viu (????!!!!???)
c) desocupado - a série durou seis anos, não há mais nada para fazer? (a série teve 121 episódios, divididos por seis anos. Há telenovelas com mais episódios em menos de seis meses e muita gente não perde um).
Posto isto, o que eu tenho para dizer é: não gostam não comem, e opinem sobre isso, se assim vos aprouver. Agora parece-me absolutamente imbecil que teçam comentários sobre pessoas que viram a série (eu, por exemplo) como se nos conhecessem de algum lado. Cereja no topo do bolo: eu levantei-me às cinco e meia da manhã para ver o último episódio da série. E a única coisa que isso diz sobre mim é que tenho despertador.
Mas podia.
Sobre isto só tenho uma coisa a dizer: valeu bem a pena ter-me levantado às cinco e meia da manhã. Agora ficou cá dentro um vazio.
Vou sentir saudades desta gente. Quase toda.
Caro José Fragoso (ainda é, não é?),
Soube por intermédio de um atento leitor deste blogue que a RTP vai ter a versão portuguesa do "Project Runway". Depois de alguma hesitação, venho informar que aprovo (pronto, podem voltar a pôr anúncios e isso...). A bem da verdade, e depois de muita ponderação, sou a mostrar-me deveras satisfeita que tenham sido vocês os compradores de tão ilustre formato. É verdade, não há aqui nenhuma ironia nisto. A TVI havia de transformar aquilo num Big Brother e os vestidos iam ser o que menos importava. A SIC ia arranjar um painel de júri que Deus-me-livre, entre os broncos Moura dos Santos-Boucherie Mendes ("chamas a isso um vestido de noite? Isso é a coisa mais azeiteira que eu já vi, parece uma cabana de índios!") ou a dupla de bailarinos que chora por tudo e por nada (viram a forma como ele coseu a bainha? Tu és estilista!). Por isso aceito a RTP com um sorriso nos lábios. Agora, senhores, vamos a contas: podemos fazer aquilo como na América e podemos fazer aquilo como no Canadá. Eu sei que vocês gostam da Catarina Furtado e da Sílvia Alberto. Não tenho nada contra elas. Mas deixem-nas fora disto, por favor (é um programa, elas aguentam, a sério). Para fazer aquilo à americana, têm 3 hipóteses de apresentadora. Só. A Sofia Aparício, a Yolanda e a Xana Nunes. Por esta ordem. Não há mais ninguém, nem que rebentem as vossas vísceras a tentar. Quanto ao "assistente"... o Malato e o Jorge Gabriel não servem. Não se estiquem que de bestiais a bestas, neste blogue, é um instantinho... Miguel Vieira, Nuno Gama, Luís Buchinho. Só. São 3, desenvolvam lá a ideia como quiserem. Para júri estão à vontade, escolham quem quiserem, sendo que uma tem que ser da Elle e o outro o ancião Augustus.
Ainda há pessoas que acham que eu sou difícil de agradar.
Good Lord!
Caros americanos produtores de séries,
Ando há seis anos, feita parva, a seguir um punhado de gente que caiu numa ilha. Já morreram alguns, que voltaram a aparecer, mais frescos do que uma alface. Já saíram da ilha. Já lá voltaram. Já viajaram no tempo. Já lutaram contra ursos polares e contra um fumo preto que (ao que parece), é o mau. Já se zangaram. Já ficaram amigos outra vez. Ora confiam em quem não devem, ora desconfiam de quem não podem. Já ficaram curados de cancros. De paralisias. Já se enrolaram com uns e outros. Já mudaram a ilha de sítio. Já voltaram a colocá-la no mesmo local. Já pareceu mais claro do que parece agora. No dia 1 de Junho passa, em Portugal, o último episódio do "Lost". E eu conto vê-lo. Todas as duas horas de episódio especial que vocês prepararam para arrumar esta trapalhada em que se meteram. Agora uma coisa vos garanto: não me apanham noutra. A partir de agora, séries com episódios que começam e acabam no mesmo dia. Só. Um ou outro "To be continued...", mas é isso. Não me venham impingir mais séries caóticas e tão incongruentes como viciantes. Não alinho.


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