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Felizmente há malucos para tudo, inclusive pessoas que estão a limpar aspiradores às 2 da manhã, à porta de casa. Foi mais fácil encontrar a casa da parteira com a ajuda do Sr. Limpezas... Em beneficio da parteira, cumpre-me dizer que sim, nós fomos buscá-la a Ermesinde, mas estávamos a sair de Valongo, por isso não foi grande o desvio. Já quatro no carro (cinco, se contarmos com a razão que nos fez levantar da cama...), lá fomos nós. Nunca me foi tão fácil entrar na Baixa, e conseguir estacionar, mesmo à porta do Hospital... O segurança abriu-nos a porta, subimos para o quarto. A mãe vestiu uma camisa de dormir de hospital (último grito da moda), e eu presenciei a cena mais agoniante de toda a minha vida. E não, não estou a exagerar. Tantos avanços na medicina. Máquinas que fazem tudo, corações que se transplantam, câmaras de filmar microscópicas, e ainda enfiam uma mão inteira pela vagina acima a fim de medirem a dilatação, ou de verem a posição da criança, ou que quer que seja que aquilo serve para ver???? Mas que merda é esta? Não há uma porra duma máquina que faça aquilo?
Pequeno parêntesis para informar que, um dia, caso o destino decida pregar-me uma partida de mau gosto e eu engravide, a mim não me fazem aquilo. Isso eu garanto. Façam o que quiserem, adivinhem, inventem. Mas aquilo, não!!
Finda esta tortura, a parturiente pergunta a parteira:
- Vai ser parto normal?
Novo parêntesis: desde que engravidou, a "comadre" sempre retorquiu com firmeza aos meus conselhos de fazer uma cesariana com: "Não, não, eu quero parto natural...". Ao fim de cerca de cem tentativas, desisti. Fim do parêntesis.
A parteira olhou para ela e respondeu-lhe:
- Da maneira que ele está? Nem pensar. Vai ter de ser cesariana...
A "comadre" juntou as mãos em forma de oração, e olhou para o céu, com olhos de agradecimento. E eu pensei cá para mim o que, noutras circunstâncias, teria disparado: "I told you so!". Mas limitei-me a sorrir.
O primeiro a chegar com cara de neura foi o ginecologista/ obstetra. Chegou exactamente ao mesmo tempo que o pai da criança, que fez Viseu - Porto em tempo recorde. Olhou para ela, e lá disse, com ar de brincadeira:
- Isto são horas de ele querer nascer? À meia noite ou às seis da manhã está bem, agora às três... não está com nada.
Exame, perguntas, observações, mais exames, mais perguntas, e manda levarem-na para o bloco.
- O pai, vem assistir?
- Claro que vou.
- Então desça também.
Depois de águas rebentadas, transporte da parteira e primeira fila para o "fisting", não pude deixar de me achar no direito de fazer o que até já tinha combinado com os pais:
- Então e eu? Eu sou a madrinha, também quero ir...
Ele olhou-me, desconfiado. Ou ensonado, sei lá bem,... E lá disse:
- Sim, venha lá...
E pronto, por agora chega. Tenho sono, vou dormir. Um dia destes chega o terceiro e último episódio desta blogonovela.
Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!