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Há dias que até parece que nem sequer sou cá do Porto. Ora eu não gosto de bacalhau, não tenho (muito) sotaque mas, o que eu realmente abomino é o São João (e todas as festas populares que por aí andam, em geral).
E, quando não gostamos de alguma coisa, ela insiste em perseguir-nos como um perdigueiro atrás de uma perdiz (peço desculpa se me enganei no nome de algum animal, ou se, eventualmente, este cenário é tão absurdo como a nossa Assembleia de República, mas não entendo muito de caça). Até parece castigo. Não só me arrastaram esta manhã para a decoração são joanina aqui do burgo, como ainda me calhou a honra de trabalhar amanhã e Domingo, non stop. Ora não bastava a montagem do estaminé, ainda vou ter de estar cá para a desmontagem do mesmo. E, como isto per si não parece ser um castigo suficiente aos olhos dos Deuses (que devem estar loucos), ainda vou ter de levar com o fogo de artificio mesmo à saída da minha janela - que, apesar de dupla, não isola o barulho dos foguetes! Para uma pessoa só, isto acaba por ser demais. Pelo menos não levo com martelos de plástico irritantes nem com alhos porros na cabeça (para já não falar nos arraiais brindados a música pimba)! Mas amanhã, quando sair de casa para vir trabalhar, por volta das oito e meia, ainda encontrarei, certamente, alguns corpos cansados (e bêbados) a arrastarem-se para casa. E eu por aqui, airosa e fresca a tentar eliminar todas as provas da festa!

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Homem prêt à porter…

por Bad Girl, em 22.06.06

Hoje pus-me a pensar porque é que não temos um homem para cada ocasião. Porque é que temos pares de sapatos que combinam até com o lacinho do soutien, porque é que temos pendentes, pulseiras, e sombras para os olhos que dão com cada risco que atravessa a nossa roupa mas, e os homens? Não, esses têm de ser sempre os mesmos. Independentemente de estarmos de vermelho, de azul, de calças de ganga ou de saia casaco, o gajo é sempre o mesmo (quer dizer, sempre, sempre, não. Eles vão mudando, mas mais consoante a fase da nossa vida do que propriamente a roupa ou o evento).
Era fantástico que tivéssemos um homem para cada ocasião.
Até me consigo imaginar, a sair do trabalho e ir para a praia correr com o desportista, ir ao lançamento de um livro com o intelectual, ir a uma exposição de arte com o artista, apresentar o totó aos pais, levar o divertido a sair com os amigos, e ir para a cama com o tantrico.
Mas, ao olhar para trás, tudo me sai ao contrário. Às vezes, parece-me que usei sempre o homem errado para cada ocasião: já levei o desportista ao lançamento do livro, o intelectual a sair com os amigos, o artista a correr, o tantrico para jantar com os pais, e o totó… para a cama. A vantagem é que assim, e apesar de andarmos com os acessórios mal combinados, somos sempre experts em tudo o que fazemos, ao lado daquelas pessoas, que estão apenas deslocadas do seu ambiente natural.
O problema é que, ao contrário de nós, os homens são vocacionados apenas para uma coisa (chama-se, ao que parece, masculinidade). Limitados!

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Fazes-me mal...

por Bad Girl, em 22.06.06
as minhas nódoas negras...

Fazes-me mal. Esmagas o que há de bom em mim, transformas tudo num rodopio de lágrimas e queixumes. Trocas-me as voltas, penso que sou aquilo que eu não sou. Fazes com que eu me torne uma pessoa amarga, fazes-me perder a cabeça; por tua causa, perco a paciência e as estribeiras. Faço coisas loucas, coisas que nunca fiz. Faço-me algo que não sou, para poder voltar a ser merecedora da tua atenção. Mas, sabes uma coisa? Se não mereço a minha consideração, também não mereço a tua atenção, o teu olhar. Vou fechar-me em mim por uns tempos. Durante esse tempo não vou estar para o Mundo, não vou estar para ninguém, nem para mim. Tenciono voltar uma pessoa melhor, mais sã. Espero, para meu e teu bem, que isso seja possível. Espero não chegar à conclusão que tudo não passou de uma farsa, de uma brincadeira de mau gosto. Às vezes o destino põe-nos contra a parede, testa-nos até ao limite. Eu fui ao fundo, agora voltei para cima.
Não te espero encontrar a ti, à tona, mas apenas paz, à minha espera.

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Nunca mais são seis horas

por Bad Girl, em 22.06.06

O dia de hoje não acaba.
Nunca tive este espirito de funcionalismo público, mas este dia está duro de roer...

Espero que amanhã (ou logo) tenha mais assunto.

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Bruxelas aqui tão perto

por Bad Girl, em 22.06.06

Pois é. Estava eu a falar com o meu amigo VH, que está em Bruxelas, quando percebi que já não viajo há muito tempo. Depois daquela ida à neve em Março, já não me lembro de ir ao estrangeiro. O que se torna um pouco aborrecido, porque o defeito profissional me faz ressacar a falta de aviões. Mas, como eu disse, estava eu a falar com ele, quando (qual expert), dou por mim a dizer: - Então, e tens ido às Boulangeries da Avenue Louise? Já foste comer moules à Chez Louis? Tudo o que está em itálico é para ser lido com o sotaque mais francês que conseguirem... e blá, blá, e blá, blá. Seguia eu entusiasmada a conversa quando percebi que os meus colegas de escritório (é este o mal de se trabalhar num open space) olhavam para mim com um ar totalmente nauseado.
Como me tornei eu numa mini tia pirosa com a mania que conhece o Mundo? Ah, Frankfurt? Tens que ira a X... Londres? Não podes passar sem ir a... Amesterdão? Não vás no Inverno...
De facto, já não me lembro de entrar num avião com um bilhete comprado por mim (a viagem até à neve foi feita de carro) e, no entanto, no ano passado fiz mais milhas aéreas que alguns funcionários da TAP. E para quê? A resposta é óbvia, para trabalhar. E nem sequer é fácil. Dorme-se pouco, trabalha-se muito, e (isto sim, é complicado) temos de sorrir o tempo todo. Mas acha quem por cá fica que isto é muito fácil… Ah, vida boa que ela tem! E eu alimento todas estas ideias quando conto animadamente como me perderam a mala em Roma. Ou como o taxista em Paris deu voltas e voltas à cidade como se eu fosse uma parvalhona qualquer. Ou como fiquei doente em Colónia, e por ai fora. E depois? Será que só isso basta? Será suficiente chegar e fazer um brilharete com as minhas aventuras? Não. De todo. Aproveito então, subconscientemente (quero eu acreditar), para ostentar orgulhosamente roupas, carteiras e relógios comprados em capitais europeias. Chego agora à conclusão que nada me distancia assim tanto das pessoas que insisto em criticar. É curioso como tudo fica diferente aos nossos olhos, quando parte de nós. Se nós somos persistentes, existe alguém com o mesmo comportamento que é, certamente, chato. Se somos sensuais, existe alguma menina por aí que é, com toda a certeza, libertina (ou, no pior dos casos, uma vaca). Se nós partilhamos experiências – sempre com intenção de divertir os nossos amigos -, os outros são exibicionistas, pedantes… pois é. É muito fácil criticar os outros quando estamos no nosso pedestal, quando somos nós a julgar-nos. Mas a dissertação já foi mais longe do que devia. Era só suposto que esta servisse só para dar um beijinho ao meu amigo VH, que está agora em Bruxelas, com toda a certeza a comer umas moules fantásticas, enquanto eu me preparo para me deliciar com umas empadas de frango que acabei de colocar no microondas.
Teremos sempre Bruxelas!...

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Here without you (3 doors down)

por Bad Girl, em 22.06.06

A hundred days have made me older, since the last time that I
saw your pretty face
A thousand lies have made me colder and I don't think I can look
at this the same
But all the miles that separate
They disappear now when I'm dreaming of your face
I'm here without you baby but you're still on my lonely mind
I think about you baby and I dream about you all the time
I’m here without you baby but you're still with me in my dreams
And tonight, it's only you and me
The miles just keep rolling as the people leave their way to say
hello
I've heard this life is overrated but I hope that this gets
better as we go
I'm here without you baby but you're still on my lonely mind
I think about you baby and I dream about you all the time
I’m here without you baby but you're still with me in my dreams
And tonight girl, it's only you and me
Everything I know, and anywhere I go
it gets hard but it won’t take away my love
And when the last one falls, when it's all said and done
it gets hard but it won’t take away my love
I'm here without you baby but you're still on my lonely mind
I think about you baby and I dream about you all the time
I'm here without you baby but you're still with me in my dreams
And tonight girl, it's only you and me

("Adoro ver-te partir, odeio que te vás embora" - tenho saudades)

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Nada para dizer

por Bad Girl, em 22.06.06

Pois é. Eu sei que ainda são só 10 horas. Estou acordada há pouco menos que três horas, é natural que não tenha nada para escrever...
Só quis partilhar isto convosco.

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Tenho saudades...

por Bad Girl, em 21.06.06

... de ver o Herman José no Tal Canal, no Casino Royale e no Herman Enciclopédia...
Porque é que as pessoas têm de estar à venda?

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A culpa não é do coelho

por Bad Girl, em 21.06.06

Pois é. Isto de morar sozinha é muito complicado. É que, quando acontece alguma coisa, não tenho ninguém para culpar. Afinal, só me sobra mesmo a minha estupidez. Se não, vejam: tinha eu uns quadros para colocar na minha parede, quando decidi que não queria fazer furos. Por isso, arranjei uma cola teoricamente super potente, que prende tudo e mais alguma coisa. E lá vou eu, que não percebo nada das leis da física e ainda acredito no Pai Natal, colar os meus quadros na parede. Mas não pensem que eu sou assim tão crédula. Antes de me atrever a deixar os quadros sozinhos ali, postos contra a parede, ainda tive o discernimento (será?) de os mexer bastante e, já convencida de que aquilo sobreviveria a um terramoto, fui deitar o Nicolau e fiz o mesmo comigo. Estava eu já a sonhar, quando oiço um estrondo. Nesta parte da história convém dizer que, para além de eu não ter audição periférica, quando estou a dormir, fico um tanto ou quanto acéfala (para os leigos, burra como uma porta!). Acordei, subitamente e, qual terá sido a primeira coisa que me passou pela cabeça?
C*b*ão do coelho mandou qualquer coisa ao chão.
Neste momento eu não sabia sequer onde estava, por isso:
1 - Lembrar-me que tinha colado os quadros?
2 - Lembrar-me que o coelho tem menos de 300 gramas e quase nem tem força para arrastar a tigela da comida?
Nããã.
Só depois de me levantar e ir ver o óbvio: que o bicho estava sossegado da vida dele, com tudo o que o rodeava no seu devido lugar, é que me ocorreu que TALVEZ o barulho tivesse vindo da sala. E pronto, lá estava, o meu pobre quadro caído no chão.
Qualquer pessoa com dois dedinhos de testa (ou acordada q.b.) saberia que a atitude mais inteligente naquele momento seria retirar o quadro que resistia firme e hirto na parede, antes que se repetisse o acontecimento.
E eu, fiz isso? Não, demasiado fácil.
Imaginem o que aconteceu por volta das cinco da manhã...
E de quem é a culpa? Do coelho. Afinal, ele devia ser capaz de destruir coisas, só para eu poder comprovar as minhas teorias...

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Testamento

por Bad Girl, em 20.06.06

No dia que eu morrer não quero choros, gritos. Não quero ninguém a sofrer porque parti. Não quero velórios, pessoas a chorar sobre o meu corpo frio, a sufocarem-se com o cheiro das plantas que todos acham importante mandar. Já não há mais nada para ver, no dia que eu morrer. Perdi as minhas 21 gramas, sai de mim, fui para longe. Esta carcaça que tanto me fez sofrer, que tanto me prendeu os gestos já nada vale. Não chorem por ela. Ela nunca prestou. Tirem tudo o que há de bom para tirar, salvem vidas com o que me matou. Abandonem a ideia de quererem tocar-me. Dar-me um último beijo. Aquilo que ali estará não vou ser eu. Deixem-me em cinzas, espalhem-me por ai. Quero ser capaz de voar, de me misturar com água, terra, ar, fogo. Quero ser tudo o que fui talhada para ser em vida e não fui capaz. Quero ser tudo. De uma só vez. Quero que alguém sinta, mas não que leia, pois não preciso de uma cerimónia para celebrar a minha morte. Apenas alguém que sinta o que sentiu W.H. Auden quando escreveu este "Funeral Blues":

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.


Let aeroplanes circle moaning overhead

Scribbling on the sky the message He is Dead.

Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,

My working week and my Sunday rest,

My noon, my midnight, my talk, my song;

I thought that love would last forever: I was wrong.

The stars are not wanted now; put out every one,

Pack up the moon and dismantle the sun,

Pour away the ocean and sweep up the woods;

For nothing now can ever come to any good.
Data adulterada

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Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!

 

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badgirlsgoeverywhere (arroba) gmail.com

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