
Ora cá está, toda a verdade sobre a despedida de solteira:
Primeiro em números:
09 era o número de mulheres na despedida
05 o número das que são casadas
01 noiva
01 solteira comprometida
02 solteirissimas (nunca solteironas), claro.
O programa não era nada de especial (graças a Deus! - digo eu, que sou agnóstica). Houve um lanche em casa de uma amiga, houve um véu que só foi utilizado dentro de portas, mas nada de pirilaus e pinturas ordinárias. Tudo muito soft. Primeiro porque já não temos idade para certas brejeirices, depois porque lá porque se vai perder a liberdade, não tem de se perder o nível... Quando saimos à rua, a visão do nosso grupo era a de um grupo de 9 mulheres a dançar. Não havia cá piroseiras tipicas destas festas. Elogiada que está a parte boa, vamos lá para o desaire que foi a noite. Ora depois de um belo jantar, decidimos ir até um Bar. Esqueci-me de referir uma coisa muito importante, que muda todo o rumo da história: tudo aconteceu na Póvoa do Varzim. O bar apresentava-se como o 'local para começar a noite', e anunciava uma festa latina. Numa festa onde tocavam Black Eyed Peas (latinos desde pequeninos), e muita Shakira. Ora duas das nove (eu incluida) chegamos à conclusão que ou começavamos a dançar de imediato, ou não tardava estavamos a dormir. Pois que depois de muito Samba, muita música que, em circunstancias normais eu não chegaria a ouvir a segunda palavra do refrão, muita Shakira, e já os animos estavam lá em cima (só de nós as duas, mas enfim...), lá acontece o impossivel: começa a tocar a música da Floribela. Perante a estupefacção de todo o grupo (bailarinas incluidas), nada nos iria parar, e era ver-nos a dançar aquilo como se de uma música se tratasse. E perguntam vocês: "Mas porque é que ela está a contar isto? Porque é que ela não guardou segredo?". A resposta é simples: o Porto é a 30 quilometros da Póvoa, há mil e uma maneiras de se saber isso por cá. Como eu já há mais de seis anos que não bebo, tinha as desculpas esgotadas. Mais vale assumir logo.
Finalmente, e depois de muito abanar o corpinho, chegamos à conclusão que era melhor sair dali, antes que nos transformassemos numas sopeiras. Walking distance: Budha Bar.
A caminhada foi longa. Oito (uma já tinha desistido) mulheres a passear num Sábado à noite na Póvoa, provocam um efeito estranho no trânsito: 90% dos carros abrandam para os seus condutores terem oportunidade de meter a cabeça de fora e terem autenticas verborreias de pseudo-elogios.
Chegadas ao destino, mais uma vez, apelo aos números. Pessoas para entrar: zero. Pessoas a controlar as entradas (armários, RPs e senhor com detector de metais): cinco. Não gostamos da proporção, decidimos caminhar mais (as alternativas- aparentemente) na Póvoa, são duas. Uma estava arrumada, a outra vinha a seguir.
Enseada. A balançar com o inexistente número de pessoas a quererem entrar no Budha, aqui as pessoas aglomeravam-se à porta. Se não chegavam às 300 andaria lá muito perto. Enquanto tentavamos perceber o porquê desta enchente, e como ficaria o ambiente depois de termos entrado no espaço, nova surpresa: olhei para um cartaz, onde dizia: Sábado, 16 de Setembro, festa com os actores dos Morangos com Açucar. A medo, perguntei:
- Que dia é hoje?
No mesmo momento passavam os ditos actores, com uma avalanche de teenagers inverbes aos gritos a correr atrás deles. Eu, que me queixava desde o Budha de vontade de ir à casa de banho, já via a minha vida muito mal parada. Até ver a luz. Quero dizer, as luzes. Do Casino. E pronto, lá fomos nós, ao Casino fazer xixi. Nós, de ganga vestidas, e os janotas todos que tinham estado no concerto do Chris de Burg a sair, e a jogar. Já que lá estavamos, tomamos um chá no Bar, para fazer novamente o caminho até aos carros, e dar como encerrada aquela que, se Deus quiser (mais uma vez a divindade pela agnóstica) será classificada como a noite mais embaraçosa da minha vida.