Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A fotografia é do brilhante Augusto Brázio
Pois é, isto começa a ser um hábito: para onde quer que eu vá, seja de férias ou a trabalho, hei-de sempre encontrar alguém conhecido. Por isso já nem estranhei quando estava num restaurante e ouço uma voz dizer: “XXX, és tu?”. A voz não me era estranha, mas a imagem causou-me alguma surpresa. Já não via a SS há mais de 3 anos. A SS era a mulher mais fantástica que eu sempre conheci (pessoalmente): OK, tem um cérebro do tamanho de um amendoim, mas os 2 Bs não são nada sem o terceiro B: Boa, bonita e burra. Durante o tempo que trabalhamos juntas, grande parte das minhas fantasias passavam por ela. Desenganem-se os meus amigos que estão a congeminar cenas eróticas entre duas mulheres: nas minhas fantasias com a SS entrava eu, a atear uma fogueira e a queimá-la viva. Afinal, não é justo encarar uma gaja fantástica todos os dias à nossa frente, sem poder fazer nada, a não ser ver os homens todos a babarem-se por conta dos primeiros dois Bs. Principalmente ver o homem por quem estamos interessadas fazê-lo, e ela a flirtar com ele, mesmo sabendo do nosso interesse. Mas o destino provou, mais uma vez, que as coisas boas acontecem: a SS está gorda. Mas não é gorda tipo cheia, ou tipo roliça. É gorda. Tipo Margarida Martins antes da banda gástrica. E eu não pude evitar um sorriso. Principalmente quando a SS me diz: “Estás tão diferente!” – Eu, diferente? Eu? Eu ainda caibo nas minhas calças! Eu é que estou diferente? Ao meu “E novidades?”, ela respondeu: “Fui mãe!”; não deixei de ser ainda mais perversa, e pensar perguntar-lhe: “E é elefante ou elefanta?” Mas evitei-o. Despedi-me com os “Parabéns” e um sorriso nos lábios. O universo, afinal, não está sempre contra nós… é preciso é ter calma.



Após umas férias passadas por terras lusas, o que há muito não acontecia, deparei-me com alguns especímenes que preciso de vos descrever:
prefix = o />
Homem Tapete (HT):
Pejado de pelos por todo o lado, este é o descendente directo do Homo Sapiens. O Tony Ramos, ao pé do HT, é quase careca. Os pelos percorrem o corpo, mesmo nos sítios mais inusitados: os pelos fogem-lhe pelas orelhas, saltam-lhe pelo nariz. Como se não bastasse esta característica quase impossível de contornar, o HT não se contenta, e deixa crescer o bigode. Farfalhudo e mal tratado, como convém.
Homem Sunga (HS):
Ao contrário do HT, esta característica é fruto de uma (des) evolução. O HS não nasce assim, transforma-se. Há um belo dia em que o HS chega a casa, olha para o espelho, onde vê o reflexo da sua pança proeminente. Acha que toda aquela masculinidade que sobressai por baixo da pança deve ser aconchegada por um bocado de pano de Lycra, preferencialmente com cores discretas, como o amarelo, o laranja e o verde alface. Os (ainda) mais ousados optam pelo padrão tigre. Normalmente, o HS compõe a imagem com um belo fio de ouro ao pescoço, e um belíssimo anel no mindinho.
Homem Palavrão (HP):
Escondido por trás de uma família carregada de putos aos gritos e uma esposa cheia de celulite, chega o HP. E se o vento lhe atrapalha a montagem do tapa ventos, lá vem um: “F*d*-s* para este c*r*lh* deste tapa ventos que ela foi comprar aos chineses! Eu bem a avisei que os c*br**s dos gajos só vendem m*rd*, mas esta parvalhona não aprende!” Ora isto começa desde logo uma discussão para meia praia ouvir, e os putos, habituados que estão ao arraial, desatam num berreiro descomunal, porque querem ir à água.
Homem Raquete (HR):
Este é, normalmente, o mais apresentável deste circo de aberrações. O HR transfere para a praia os seus “dotes” atléticos. Encontra-se, normalmente, ao pé da água, e anda sempre aos pares, com um espécimen da mesma série de fabrico. Não incomoda muito, excepto quando vêem um belíssimo (ou nem tanto) rabo de saia (de biquini) a entrar na água, e não controlam a testosterona e os olhares – por vezes, também não controlam as “bocas” mas não é muito comum.
Homem Telefonia (HT):
Este homem acredita piamente que o seu gosto musical é absolutamente perfeito, e que todas as pessoas que estão na praia, sem excepção, são umas sortudas por ele se ter lembrado de pôr a música aos gritos, para poder presenteá-las com semelhante musicalidade. O HT tem gostos ecléticos. Tanto ouve o último hit do Quim Barreiros, como salta de imediato para a música de Verão do James Blunt. O HT chega à praia à hora em que o sol queima, e às quatro já está a desligar a sua discoteca ambulante. Normalmente não põe protector, não usa boné, e limita-se a torrar ao sol.
Homem Jeco:
Como o nome indica, o HJ é muito fiel ao seu melhor amigo. Por isso, pretende que ele faça parte de todos os momentos que compõe o seu dia. O sinal de ‘Proibido cães’ é, normalmente, o único que este desrespeita. E como sabe que o seu amigo é, na verdade, mais limpo, educado e sossegado que a maior parte das pessoas que frequentam a praia, decide ignorar a proibição.
Homem Escritório:
Ele é telemóvel, agenda, relatórios, jornais e às vezes até um portátil. O HE está na praia como poderia estar em qualquer outro lugar. Normalmente vai para estar com os amigos, mas o tempo que lhes dedica é nulo, pois opta sempre por se dedicar ao trabalho.
Homem Daltónico:
O HD não tem uma visão separatista: olha a tudo com o mesmo interesse, seja a “boa” que está a fazer topless como a gorda que passeia os tecidos adiposos pela praia. O elemento mais característico deste indivíduo é a total ignorância das cores das bandeiras: vermelha, amarela ou verde, todas são boas para ir dar um mergulho.
Família Croquete (FC):
Flagelo absoluto. À excepção da maioria dos Homens Telefonia, dos Homens Jeco e de grande parte dos Homens Raquete, todos os outros descritos acima, e mesmo aqueles que eu não descrevi, estão integrados num Clã. Como o seu a seu dono, e como uma desgraça nunca vem só, ei-los no seio do seu núcleo familiar. A Família Croquete toma conta da praia, de uma maneira semelhante aos sem terra brasileiros. Por muitos espaços vazios que estejam disponíveis, a FC pretende sempre ir para o pé da Família Normal mais próxima, quase chegando a colar-se a eles. Começam o dia por entupir os putos de iogurtes (ou iogrutes, se preferirem), e por emborcarem umas cervejolas enquanto discutem alto. Não tarda nada, começa a pirralhada a gritar palavras de ordem como:
- Quero ir à água!
- Oh mãe, quero um gelado!
- Oh pai, o Leonel bateu-me!
- Não fui nada, pai, a Cátia é que espetou com o balde da cabeça da Soraia…
Ele vocifera palavrões e palavras de ordem, ela vai moendo algumas palavras que, pela falta de dicção, são totalmente ininteligíveis.
*** (Nesta altura ainda são só onze da manhã)
Por volta das 13 horas, o catering começa a sair de dentro da barraca: ele é geleiras, tupperwares, sacos de pão… à medida que vão abrindo as embalagens, o cheiro a fritos começa a espalhar-se pela praia.
E é isto o dia todo.
Condição muito importante para se fazer parte da FC: o balde do lixo, por muito próximo que esteja deste habitat improvisado, não deve ser utilizado em circunstancia alguma: é importante deixar marcas da passagem FC pela praia. Se Armstrong assinalou a chegada à Lua com o espetar de uma bandeira, a FC não deixa os seus créditos por mãos alheias: ele é lixo de toda a espécie e feitio espalhado pela areia. Horas depois de eles saírem, ainda haverão cães e gaivotas regozijados com semelhante festim, dando grandes bem hajas pela família que acabou de sair!...
E é assim que andam a ser frequentadas as praias em Portugal.

Não se chamasse esta que agora termina de silly season (não fui eu que inventei, está em todas as revistas cor de rosa), e eu nem teria coragem de escrever este post. Mas a verdade é que se a season é silly, acho que também tenho algum direito de dizer alguns disparates…
Às vezes ponho-me no lugar da minha sobrinha. E eis o que me saiu (a partir de agora começa um pseudo post da minha princesa…):
prefix = o />
Vida de bebé é muito complicada. Eu sei que tenho de atirar as mãos para o céu e agradecer o facto de não me estarem sempre a perguntar se eu gosto mais do papá ou da mamã, que eu a isso não saberia responder. Percebo que os meus avós puxam a brasa para a sardinha deles, uns porque já têm a experiência de um outro neto, e outros porque me estão sempre a brindar com DVDs do Noddy, e vassouras de brincar, e regadores. A verdade é que curto os dois. Parece que eles é que são os papás e as mamãs da minha mamã e do meu papá. Um papel que eu ainda não percebi foi o das minha tias. É que tenho três. Para que será preciso tantas? Acho que tenho de escolher qual delas gosto mais, não preciso de três…
Tia 1:
50 anos
1 marido (que se chama tio)
Tem na casa dela um quarto só para mim, e brinquedos, e dá-me tudo o que eu quero. Também me deixa fazer o que me dá na cabeça, e fala comigo como se eu fosse meia atrasada – tipo: xi bi di, xi, pum, bi, bi…
Tem um carro muita fixe, eu ponho os meus óculos de sol, e lá vou eu com ela, com os outros putos todos roídos de inveja, a olharem para mim.
É ela que toma conta de mim todos os dias, mas isso vai acabar. Afinal, vou para a escola. Ela é mana da minha mamã.
Tia 2:
36 anos
Já teve um marido, mas agora não tem. Mas tem um filho. Gosto do meu primo, apesar de ele me estar sempre a chatear a mona, e ter ciúmes meus, por eu ser mais nova e mais gira. Mas quando me farto dou-lhe um estalo e começo a gritar, como se ele me tivesse magoado… é giro. Mas acho que me estão a apanhar o truque, vou ter de arranjar outro.
Lá em casa dela há um quarto com brinquedos, mas não é para mim, é do filho dela. Mas sempre dá para brincar. Esta também é mana da minha mamã.
Tia 3:
Ainda não tem 30 anos.
Não tem marido, não tem filhos, mas tem um coelho. Ao contrário da minha Tia 1 e da Tia 2, não fala comigo como se eu fosse totó. Está é sempre a esconder o coelho de mim, deve ter ciúmes, porque sempre que eu lá chego começamos logo a brincar às escondidas: mas não gosto muito, é sempre ele a esconder-se de mim…
Não tem brinquedos em casa, e só tem um quarto, pelo que nem sequer posso lá dormir. Passa a vida a andar de avião e a ir para sítios onde se falam línguas estranhas (ainda mais estranha do que aquela que eu falo e os tira do sério), e traz-me sempre ursos dos sítios onde foi.
Quando liga para o meu papá, finjo que gosto de falar com ela, e peço logo o telefone. Ela pergunta-me se eu estou boa, e eu respondo logo que Xim. Depois faço um compasso de cerca de 3 segundos, e mudo de assunto discretamente, perguntando: ‘O Picolau? (eles chamam-lhe Nicolau, sabem lá!)

Parece que ainda houve algumas pessoas que sentiram a minha falta. Quer dizer, não foram pessoas, foi pessoa – obrigada, Stussy!
Durante as férias dei descanso ao blog. Apesar de ter levado o computador, decidi deixar a placa 3G em casa, de propósito para me dedicar à escrita do meu segundo romance. Correu mais ou menos, estou a um mísero (e difícil de conceber) capítulo de acabar. Mas como não se pode contrariar aquilo que somos, fui escrevendo algumas coisinhas que agora publico. Para que não vos falte nada…
Quanto às novidades, como podem ver pela foto, nem só o corpo está mais escuro e mais carregado… olhem só para o cabelo!
Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!