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Hoje comentavam os meus amigos que eu sou dura na queda. Para ser sincera, tenho poucos amigos, por isso para além de amigos, haviam mais algumas pessoas que me conhecem há já algum tempo na origem desses comentários. E a minha amiga A., a quem recorro sempre no meio de um grande vendaval, dizia, com alguma razão que, em primeiro lugar, nunca me acontece apenas uma coisa má. Quanto vêm, é em catadupa. Tudo bem, concordo. E depois há aquela parte em que, tal e qual como qualquer pessoa normal não faz, eu sofro horrores no imediato. A dor atinge-me de tal forma, que parece que hei-de chorar até me secarem as lágrimas, até me doerem as entranhas. Ponho sal em cima da ferida acabada de abrir, e sofro tudo o que há para sofrer. Vou ao fundo, descabelo-me, perco a calma, a compostura, o amor-próprio, a noção dos limites, arranco a alma, canso-me de mim. E depois (pouco depois), sem pré-aviso, acordo um dia em que tudo parece mais calmo, em que tudo fica bem. Em que eu saio de um estado de quase putrefacção espiritual e de esgotamento físico, levanto a cabeça, respiro fundo, e vejo a tal ferida a cicatrizar. Dizem eles que eu sofro exactamente o mesmo que o resto das pessoas, mas muito mais intensamente e por um período de tempo muito mais curto. Claro que ajuda estar sol. Claro que ajudam uma série de outras coisas, mas ajuda sobretudo o facto de eu pensar que há duas coisas que me fazem chorar: tudo, e nada. O tudo porque choro normalmente é a dor da perda, da impotência, da injustiça. E quanto a essas dores, depois de sentidas, limito-me a conviver com elas.
Sete anos depois do "sim", com uma criança de 3 anos, o L. e a P. sempre se entenderam bem. Por isso, a P. achou que, quando ele, malas preparadas para sair para uma formação de duas semanas em Amesterdão, lhe diz que têm de falar, ela começa a ouvi-lo despreocupadamente achando que é um assunto perfeitamente básico. Mas não. Preso, pressionado, jovem demais para estar a viver aquela vida, ele quer o divórcio. Ainda em choque, ela achou que aquilo não foi mais do que um "ar que lhe deu", e que passaria nas duas semanas seguintes. Claro que estranhou a falta de chamadas, nem que fossem, pelo menos, para saber como estava o filho dos dois. Pensou que ele precisava de pôr as ideias em ordem. E que voltaria.



Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!