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Paulo Coelho

por Bad Girl, em 07.03.08
Ao contrário da quase totalidade do resto da humanidade, eu não leio Paulo Coelho. Já tentei. Uma e outra vez. Não consigo achar interessante. Enfim, gostos (afinal de contas) não se discutem.

Ao contrário de muitos portugueses eu não leio revistas cor-de-rosa. Mas recebemos uma aqui no Burgo pela qual eu passo os olhos. Vejo as imagens, leio os títulos, e desprezo aquilo a que gostam de chamar notícias. Como uma página inteira dedicada a um braço partido de alguém (que não é desportista e não tem no braço a sua ferramenta de trabalho) ou duas páginas que devassam vidas de pessoas sobre as quais nunca ouvi falar senão ali. Mais uma vez, gostos não se discutem.

Juntar Paulo Coelho e uma revista cor-de-rosa parece-me meio caminho andado para eu folhear [alterado após a chamada de atenção de alguns leitores. Obrigada pela observação] a dita ainda mais depressa.

Mas - e há sempre um "mas"!!! - quando me deparo com o título que ali se vê, sinto-me tentada a parar e ler.

Momentos

por Bad Girl, em 06.03.08
Foto de Inês Sacadura

E foi no exacto momento em que o rapaz do casaco preto percebeu que eu lhe achei graça, no instante em que trocamos aquele olhar, no fragmento de segundo que ele me mostrou que também me achou interessante. Foi exactamente nesse segundo que ele passou a ser apenas mais uma pessoa na sala.

E não, já começo a não gostar de ser assim. Mas chego à conclusão, nesses mesmos instantes, que nunca conseguirei ser de outra forma. Ser-se como um piano nem sempre é fácil. O som dos seus solos chega a ser tão embriagante, que se esquece da melodia que faz com os outros instrumentos.

Quando o tempo é escasso...

por Bad Girl, em 06.03.08
Foto "Redenção", de João Rodrigues

... e o cansaço demasiado para escrevermos as nossas próprias palavras, lemos estas aqui.
Vale a pena conferir tudo. Aqui, alguns excertos:

"[...]
Choram-me as estatísticas que eu estarei cá quando os meus pais não estiverem.
(...)
É a lei da vida, e todas as frases feitas que pregarem nas paredes.
Mas a saúde teima em ir à sua vida cedo demais.
Não a deles, a das estatísticas.
Hoje tenho-os ali.
(...)
Mais precisão do que essa acelera-me o sangue.
"São novos".
E porque é que não ficam sempre assim?
Atrasem o relógio quarenta anos, vá lá.
Só desta vez, ninguém vai dizer nada à terra.
(...)
A palavra filho é patente deles.
Quando a dizem há uma manta que protege o coração até cima.
Depois da estatística fica só o coração e a manta enrolada aos pés.
Podemos sempre puxá-la, mas nunca mais vai tapar tudo.
E não, nunca me esqueço disso."


Bruno Nogueira, no seu melhor, no sítio do costume.

Apontamento da madrugada...

por Bad Girl, em 04.03.08
Para estar ali na próxima semana, só preciso convencer a menina J. a abrir os cordões à bolsa. E a sacar férias ao patrão. Oh J., vamos para a Jamaica... oh vamos...
Era um sonho que eu tinha.

Este post faz parte integrante da campanha: vamos fazer a cabeça da J.!

E, depois, um dia...

por Bad Girl, em 03.03.08
... olho em volta e não te vejo. Lembro-me que nunca te vi nos lugares onde te procuro. Fecho os olhos. Já nem te consigo imaginar. Fugiste-me das lembranças. De repente, já não me lembro da tua voz. Não sei a cor dos teus olhos, não me lembro do teu cheiro. Procuro encontrar-te nas outras lembranças, as que partilhamos com outros, mas já nem nelas te vejo. O meu coração definhou ao respirar o último fio de saudade. Acabou.
Não foi o capítulo, foi a história.
Fim.

[...]
Eis aí um mistério bem grande. Para vocês, que amam também o principezinho, como para mim, todo o universo muda de sentido, se num lugar, que não sabemos onde, um carneiro, que não conhecemos, comeu ou não uma rosa...

Olhem o céu. Perguntem: Terá ou não terá o carneiro comido a flor? E verão como tudo fica diferente...

E nenhuma pessoa grande jamais compreenderá que isso tenha tanta importância.

Freud explica, mas não resolve

por Bad Girl, em 03.03.08
Javier Bardem é um menino da mamã. Da pior espécie. Durante os últimos anos achei que nunca iria ver ninguém que fosse mais menino da mamã que o meu ex G. mas, pelos vistos, o destino trocou-me as voltas. Então um gajo que está às portas dos 40, vai aos Óscares e quem é que leva?
A mamã!
Quando anunciam o nome do vencedor o que é que ele faz?
Dá um beijo na boca... da mamã!
Quando discursa, a quem dedica ele o Óscar?
À mamã!
E, regressado ao seu lugar na plateia, o que faz ele com a estatueta que tanto mereceu ganhar?
Coloca-a no colo... da mamã! (Não sem antes lhe dar mais um beijinho na boca!).
Voltarei a este assunto mais tarde. Mas fica o desabafo, que está guardado vai para uma semana.

Discriminação

por Bad Girl, em 02.03.08
Foto de Daniel Oliveira

Pensei muito antes de escrever este post. Até há poucos anos atrás era um assunto que me magoava muito. Este momento de seriedade e quase confissão não servirá para desmarcar o ritmo deste blog. Amanhã voltaremos ao registo habitual.

Foi ao ler este artigo que um avassalador número de memórias caiu em cima de mim. É costume dizer-se que são as crianças que são cruéis. Nunca senti a crueldade das crianças na pele, no meu tempo. Contudo, a estupidez desmedida dos adolescentes tonaram o final da minha adolescência num inferno.

Começo do princípio, e tento usar todo o distanciamento que me for possível. Nos meus 10º, 11º e 12º anos vivi os piores anos da minha vida. A somar a todas as crises existenciais típicas da idade, ao transformar diário do corpo, ao ganhar formas, havia ainda aquela pseudo-guerra dos rapazes com as raparigas. Apesar de ainda miúda, já tinha esta atitude de indiferença para com o resto do Mundo. Não é arrogância, não é sentimento de superioridade. A bem da verdade, naquela altura, eu nem sequer tinha mau feitio. Andava na escola para aprender, e era para isso que eu lá estava. Sempre estive no grupo dos melhores das aulas. Nunca fui de socializar muito. Nesse aspecto sempre fui muito coerente: se não me agrada a conversa, não perco o meu tempo. Talvez tenha sido por tudo isto, talvez tenha sido por nenhuma destas razões, sempre fui alvo de algumas implicâncias. Numa altura em que as colegas da turma ostentavam seios proeminentes ou, pelos menos, desenvolvidos, os meus teimavam em não aparecer num tamanho suficiente para "encher a vista" dos meus coleguinhas de turma. Assim sendo, desde a primeira aula do dia até à última, desde que entrava no autocarro até à altura em que de lá saía, durante três anos, todos os dias, de segunda a sexta, eu ouvi bocas que variavam entre o "olha a tábua!" até ao original "sai ao pai". A minha resistência em ir às aulas começou a ser tão grande que tive de ser arrastada pelos meus pais para um psicólogo. Talvez alguns de vocês não entendam, mas fosse qual fosse a razão, a pressão psicológica chegou a um ponto quase intolerável. O médico garantia-me que, com toda aquela pressão, eu estava também a ordenar ao meu corpo que ele não se desenvolvesse. Foi já por alturas do 12º ano que eu comecei a treinar as minhas "orelhas moucas". E, apesar de ter ficado muito boa nisso, nem sempre o filtro viria a funcionar tão bem como eu gostaria.
***
Acabou-se o liceu, cada um seguiu a sua vida. Mantive o contacto com as minhas duas únicas amigas da altura. Há cerca de dois anos, alguém que certamente não terá vivido aqueles anos da mesma forma que eu, decidiu organizar um jantar. Tinham-se passado dez anos. Senti um nó na garganta quando disse que sim, que ia. E foi quase como aquilo que se vê nos filmes americanos. Dez anos depois, e apesar de eu ter acabado o liceu a "sair ao pai", lá fui eu. Precisava daquela catarse. No final do jantar era consensual: eu era a que mais tinha mudado. Alturas houve, durante o jantar, em que alguns daqueles que mais me massacraram não tiveram coragem de olhar-me nos olhos. No seu olhar, pedidos de desculpas em catadupa. Nessa altura eu percebi que estava, finalmente, livre de toda aquela pressão, e que já nada daqueles anos me dizia nada. Não os esqueci, e não quero. Tenho uma sobrinha, tenho amigos com filhos, não sei se virei a ter filhos meus. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para nunca os ver passar por isto. E sei o que sentem estes miúdos que falam nesta reportagem. Também sei que nada do que lhes for dito pode adiantar alguma coisa. Só o tempo pode resolver estas coisas.

Memória selectiva

por Bad Girl, em 01.03.08

Foto de Dolce Vita

Ontem, num jantar com demasiada gente conhecida para reconhecer todos...:
Bad - Eh, pá, que merda... acho que já namorei com aquele gajo.
C. - Qual gajo?
Bad - Aquele ali, lembras-te? Um imbecil que, quando tu descobriste que eu andava com ele, quase deixaste de me falar...
C. - Não estou lembrado... Como é que ele se chama?
Bad - Acho que não me lembro.
C. - Primeiro achas que namoraste com o gajo, depois não te lembras do nome dele...
Bad - Então... já foi para aí há dez anos... Mas olha que eu acho que é ele.
C. - Pergunta a A., ela deve lembrar-se.
***
Bad - Achas que aquele que ali está é aquele gajo com quem eu namorei, que vocês não suportavam?
A. - Qual?
Bad - Aquele ali.
A. - Não me lembro bem, mas acho que não deve ser. O outro tinha um ar mais irritante. Desse tempo só me lembro daquele teu namorado muito alto, que vivia em Aveiro, como é que ele se chamava?
Bad - Hummm... [fod@-se!]

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Mais sobre mim

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Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!

 

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