por Bad Girl, em 04.05.08

Nunca fui de encarneirar para frequentar sítios da moda. Se se fala muito bem de algum sítio eu vou para ver. Se gosto mesmo de ir a algum lado passo lá a vida, esteja ou não na moda. Irritam-me as pessoas que dizem que gostam de uma coisa só porque é suposto. Li uma vez um estudo que dizia que muitas das pessoas (não sei a percentagem) que dizem apreciar determinados bens de luxo nunca os experimentaram. Desconfio de quem diz que gosta de caviar. Eu odeio e não sei se todas as pessoas que dizem apreciá-lo já o experimentaram. O que é o Don Perignon ao pé de uma garrafa de Cristal, ou Evian perto de Voss? Mas adiante, o post não é exactamente sobre isso. É sobre uma menina que veio de Vigo passar o fim-de-semana ao Porto e, à proposta de irmos a um restaurante japonês, quis ir ao único que ainda não tinha experimentado... Expliquei-lhe que já lá tinha estado, que não gostei, mas ao argumento "Apanhaste um dia mau, tens de lá ir outra vez!...", eu cedi. E lá fui eu dar outra oportunidade a um restaurante do qual não guardava as melhores recordações, e que ainda por cima está enfiado num menos um lá para os lados da Boavista.
A coisa começou muito bem, logo quando nos trouxeram os aperitivos: umas tirinhas de pepino embebidas sei lá no quê e mais... tchanam: cabeças de camarão fritas! Uma maravilha ao paladar, que isto aqui não se brinca, meus senhores. Nada se perde, nada se cria, tudo se aproveita. Por momentos achei que seria a Filipa Vacondeus a
chef de tão especial restaurante. À falta de
paprika arrumei para canto a ideia. O
sushi estava razoável, mas eu consigo enumerar pelo menos três restaurantes onde a qualidade do sushi é, no mínimo, duplamente melhor. Adiante, que isto não fica por aqui. Para a degustação de
tepanyaki pudemos contar com iguarias tão nipónicas como uma bela salada de alface e tomate. O tomate era cereja, o que lhe confere um ar mais asiático. E depois, o que veio a seguir? A carne! A carne de vitela barrosã (criada nos verdes pastos de Tóquio). Saborosa. Tenra. Crua. Não, não era mal passado. Aquilo chegou ao ponto de nós conseguirmos jurar ouvir a carne que estava na travessa fazer "Muuuuu!". Claro que o choque de ter uma franja nova no cabelo, e a animação para a noite não me davam o mau feitio necessário para reclamar. Igual a mim mesma nestas coisas,
decidi fazer o que me é mais habitual: paguei, sorri, e jurei que não volto. E nem recomendo.