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Foi com "O Homem sem Nome" que eu aprendi a ler. Não esse ler irresponsável de juntar as palavras sem delas tirar todo o sumo. Não. Um ler calmo. Um ler comprometido. Foi com esse livro de João Aguiar, que ontem nos deixou, que eu senti, pela primeira vez, o prazer de degustar as palavras que outros nos oferecem, num dos maiores actos de altruísmo que alguém pode ter. Porque o exibicionismo de escrever esvai-se na primeira obra. Quem deixa um legado como deixa João Aguiar não o faz por egoísmo ou exibicionismo. Fá-lo pelo amor que tem às palavras. Que descanse em paz, onde quer que esteja. E muito obrigada. O mundo agora só está mais pobre porque ele o tornou mais rico.
Viciada não é a gaja que se levanta às 5:30 da matina para ver o último episódio do Lost. Viciada é a gaja que, depois de ter visto o último episódio do Lost em directo (isso, às 5:30 da manhã...) ainda perde quase 3 horas de um serão de terça-feira (também, o que mais se pode fazer num serão de terça-feira??? - não responder, é pura ironia) a rever o dito episódio.
Desculpa inicial: vou ver só aquela parte do princípio, porque quando passou em directo houve problemas com o som.
Leia-se: É só para experimentar aquela cocaína preta que saiu agora...
Desculpa seguinte: só quero rever aquela parte em que o Boone aparece a levar tareia.
Leia-se: só mais uma dose e termino.
Desculpa final: quem já viu até aqui, vê até ao fim. Até porque não está a dar mais nada de jeito.
Leia-se: eu largo isto quando quiser. Vício? Qual vício?
Boa tarde. O meu nome é Bad e sou uma Lostholic.
Sim, estavam todos mortos. E depois? Nós vamos ficar cá para semente, querem ver?
Hoje celebra-se o Dia Mundial da Criança. Too bad, já não há disso. Eles agora são pré-adolescentes. Ainda não saíram dos cueiros e já andam de telemóveis topo de gama, já vão sozinhos ao Rock in Rio. Já não querem saber das coisas que queriam tanto ter na semana passada. Sabem tudo. Já não são crianças. Odeiam o termo, odeiam o estatuto. Querem crescer depressa e chegar a adultos. Pelo caminho, não sonham sequer com esse dia. Já não sonham. Traçam objectivos. Dividem-se em dois grupos. Os que não querem saber e os que sabem demais. Já não são crianças. São pré-adolescentes, putos, mas já não são crianças, livrem-se de lhes chamar isso, ai a ofensa. Já não são crianças porque têm o mundo nas mãos. E o mundo não se agarra em mãos pequeninas, de crianças. Trocam mensagens. Difundem "olás" porque as mensagens são grátis. E que não fossem, alguém há-de pagar. A vida é fácil, acham estes, os que se preocupam com o umbigo. Os outros, os que estabelecem objectivos a longo prazo, querem ser médicos, economistas, ter estatuto, ser o que a sociedade quer que sejam. Os pré-adolescentes são jovens adultos e não passam de bebés. Os pré-adolescentes não são crianças, "já disse para não me chamares isso!". Não sabem o som de um estalo, pois os pais vivem ao som dos educadores de almanaque que os rodeiam. Não sabem a que sabe o falhanço, pois os pais não aceitam um perdedor em casa. Hoje já não há crianças. Saltam-se estados de alma. Acham que só saltam etapas. Anseiam a vida adulta como se de um prémio se tratasse. Já não há "Verão Azul". Agora os "Morangos com açúcar" adoçam os dias daqueles que podiam ser crianças. Mas não, são pré-adolescentes. Ou pós-bebés. Putos, em exagero. Mas crianças não. Já não as há.
Ouvido há umas horas, numa praça de táxis que se atravessou no meu caminho:
- Eu disse à gaija: tu fazes-me um sessenta e nobe e eu faço-te um minite.
Priceless.
Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!