por Bad Girl, em 18.08.07

(a quantidade de visitas que eu vou ganhar graças a este título!!!!!!)
Mas não, mais uma vez o post não é sobre sexo. É sobre um belo exemplar de canídeo que decidiu ontem entrar na minha vida. Na vida eu não me importava. O problema é que também entrou na minha casa.
Depois de verificar que a única coisa que eu tinha para jantar seriam cereais e iogurtes, e como este era o primeiro dia de férias, achei por bem juntar-me ao jantar de uns amigos.
Chegada a casa, ao tentar abrir o portão da garagem, o comando acusou falta de pilha. Lá vem ela de novo para a porta principal, e para os lugares exteriores. Estacionei, saí do carro, e eis que ele se dirige a mim. Tinha ar de cachorro abandonado (talvez por ser mesmo), estava sujo e tinha uns olhos suplicantes por atenção (ou então era eu que já estava a ver tudo meio atravessado, afinal já passava das quatro da manhã, e eu tive uma semana de cão - o parvo do trocadilho, mas tinha de ser...). Sentou-se ao meu lado enquanto eu abria a porta, e eu repetia para mim "Não olhes para ele, não olhes para ele, não olhes para ele...", o que não adiantou nada. Eu olhei. E eis que ele salta e abana o rabo e eu fico quase, quase apaixonada. Mal abro a porta, o espertinho entrou e sentou-se à porta do elevador. Nem estava a acreditar! Eu gosto de cães. Quer dizer, eu adoro cães. E este é lindo. E esperto. Tanto, que me deixou sem poder de reacção. Lá veio ele no elevador, saiu, seguiu-me, chegamos a casa e ele sentou-se em frente ao frigorífico...
Pois tens fome, mas cá em casa só há iogurtes e cereais... Escolheste muito mal a tua vítima! Ele olhava para mim com a cabeça inclinada, como se tentasse descortinar o que a humana dizia...
E agora vais tomar banho, não há comida para ninguém.
Tanque da roupa com ele (eu sabia que aquilo ainda ia ter alguma utilização), fui buscar o meu champô (deve ser o único cão no Mundo a tomar banho com champô da Clinique... quer dizer, aquele rato que anda sempre ao colo da Paris Hilton também não deve ficar atrás... - outro trocadilho, desta vez com o título), e vai de dar banho. A pobre criatura teve de tomar banho em 4 águas para ficar limpo... Nisto, já quase fazia dia, e eu decidi dar o pequeno-almoço à criatura. A voracidade com que comeu as tostas, as bolachas, e bebeu o leite mostravam que eu tinha tomado a atitude certa em deixá-lo entrar na minha casa.
Com o estômago composto e a cheirar a champô caro, o canídeo quis dormir. Achou que o tapete da sala era o sítio ideal (oh, não!), e foi-se deitar. Quase vencida pelo cansaço, eu também fui. Hoje ia ser um novo dia, e eu ia encontrar uma solução para o meu novo amigo.
*
O puto do cão quer madrugar!
Eram dez horas, e ele já dava sinais de vida... Não, afinal não era ele. Era uma mensagem no telemóvel (esta estupidez de ter as mensagens a ladrar!...)
Levantei-me para o encontrar deitado no chão fresco da cozinha. Levantou-se mal me viu, para saltar e lamber-me as mãos. Pôs-se sentado à porta da entrada. E saímos. Pelo sim, pelo não, eu levei um saquinho.
*
Fomos ao veterinário aqui ao lado.
Ele está bem tratado...
**Claro que está, anda a tomar banho com champô de €25,00**
Deu-lhe uma pica, pelo sim, pelo não, disse que ele ainda era novo, e comprovou aquilo que eu já sabia: tinha sido abandonado. Não me cobrou pela vacina, nem pelos dois sacos de comida, e disse que devia haver mais pessoas como eu (como eu? Está louco, mas não sou eu que lhe vou dizer nada!). E ainda me (lhe) ofereceu uma coleira de pulgas.
E cá estamos os dois em casa. Alimentado e feliz, está aqui a olhar para mim, olhos doces e meigos, enquanto escrevo e faço contas de cabeça para perceber o futuro dele. Não posso ter um cão neste minúsculo apartamento. Não era justo para ele. Tenho de lhe arranjar uma casa antes do meu fim de férias, que assim decidiram começar...