
Há coisas que eu não entendo. Vocês sabem. Eu passo a vida a dizê-lo. Não vale nem sequer a pena eu estar a pensar muito nelas. Porque por muito que eu tente, continuo sem entender essas coisas que, para mim, são (lá está) ininteligíveis.
Ontem reparei um casal de velhinhos. Alemães. Ele, cego (politicamente incorrecto, so sorry, invisual), esperava que ela puxasse uma cadeira para se sentar. Eu conheço bem aquelas cadeiras. Com apenas (ahah) 30 anos é-me difícil movê-las. São pesadas. Complicadas de pegar. Apressei-me a puxar a cadeira. A mulher olha para mim, olhos carregados de ódio, e num tom baixo e arrogante lá me diz, como quem repreende uma criança:
- Ele é bem capaz de se sentar!
Ai fod@-se! Vai uma pessoa pôr em prática a refinada educação quase escutista que teve, e é esta a paga que tem? Não queria uma festa, nem um "Obrigada" aliviado. Mas também não era aquela paga que eu esperava. Ora se ela estava tão cheia de merdas, não precisava que eu fosse educada para nada. Assim sendo, e com pena de não saber dizê-lo em alemão, lá lhe repliquei em inglês:
- Não estava a ajudá-lo a ele. A senhora é que já não tem idade para arrastar essa cadeira!
Ora toma. Ela ficou sem resposta e o pobre ficou sem se sentar, porque ela não conseguiu puxar a cadeira...
E não percebo a quase aversão que as pessoas ganharam a ser ajudadas. A reconhecer que têm uma dificuldade, uma deficiência. Porra, eu não tenho quase olfacto nenhum. Se acho que o leite está estragado, peço a alguém para cheirá-lo. É tão simples, que só dá para complicar.