
Um destes dias discutia ao telefone com uma amiga a história do sexo sem compromisso, vista por eles e por elas. A verdade é que se associa mais esta ideia aos homens. E, por incrível que pareça, eles precisam "trabalhar" mais esta ideia que elas.
Eles, quando pretendem sexo sem compromisso, raramente o dizem. É possível que o demonstrem de uma forma ou de outra, mas não o dizem por A+B, na cara. Andam às voltas, tentam demonstrar, mantêm a distância, mas não o assumem. Claro que, mais cedo ou mais tarde, a mais crédula das mulheres percebe que está a ser usada (sem conotações depreciativas) para o tal sexo sem compromisso. É o não atender o telefone, ligar só para encontros mais íntimos, não assumir nada em frente a ninguém. Às tantas, tal é o barulho das luzes, que ela percebe isso e, ou mantém porque a ideia lhe agrada, ou salta fora porque não era aquilo que tinha em mente. E quando são elas a querer sexo sem compromisso? O primeiro erro é pôr as cartas na mesa. A maior parte das mulheres não tem paciência para andar às voltas com gajos que querem só levar para a cama. É pão-pão, queijo-queijo. A tendência para o número de mulheres que querem (e assumem, principalmente a elas mesmas, que é isso que querem) sexo sem compromisso tem tendência a aumentar. Os homens, esses, não sabem lidar com a inversão de papéis. Eles até podem desconfiar que estão a ser usados para os prazeres da alcova, mas daí a aceitarem isso de ânimo leve, quando lhes é dito na cara, vai uma volta ao Mundo. Os homens, diz-me a experiência (a própria e a adquirida com anos e anos de desabafos), não gostam de perder o controlo da situação. É contra natura. É quando os queremos para o sexo (não na generalidade, apenas na maioria dos casos) que eles insistem em fazer uma de duas coisas: tentar fazer com que nos apaixonemos por eles ou fazer todos os possíveis para não demonstrar um pequeno fio de sentimento. A primeira é simples de compreender. Quando aceitam que uma relação seja só para sexo, os homens têm de estar no topo do mundo. A enxotar a miúda em questão. A ter o controlo da situação, a puxar os cordéis como querem e quando querem. O inverso nos papéis obriga-os a repensar toda a estratégia. E isso baralha. Para fazer a mulher cair na deles, são capazes de se transformar numas melgas. Mas, atenção, eles não estão apaixonados. Apenas não estão dispostos a ser o objecto. A segunda torna-os estranhos. Uma mulher que só quer sexo é aquilo que eles desejaram durante muito tempo, ou em alguma fase da vida. Não querem deixá-la fugir. Contudo, acham que por dizerem "Quero estar contigo!" estão a infringir as regras, ou a revelar a possibilidade da existência de um sentimento que eles acham que não deveria existir numa relação de puro sexo. O pior é que, nestas coisas, não há verdades absolutas. E também não há coisas que são só brancas ou só negras. A vida e as relações são a cores.
E nada é só sexo. Por isso, o que eu escrevi aqui não passam de teorias que quase não têm aplicação prática porque cada caso é um caso. Ou terão? Será que cada caso é um caso mas não deixa de obedecer a alguns critérios? Eu sei lá.