por Bad Girl, em 14.12.07

Em dia de reunião de orçamento (as "previsões" para o próximo ano ou, ainda melhor, as expectativas para o mesmo), e ao ler os comentários de hoje (nomeadamente um, do crocodilo escarlate que, aparentemente, tem saudades dos tempos em que eu escrevia "posts de qualidade"), dei comigo a pensar em expectativas. Nas nossas. Nas dos outros. Connosco. Com a vida. Com as coisas. Com os outros.
Esperamos coisas demais?
Achamos que os outros esperam demais de nós?
Ou, pior ainda, esperamos que os outros esperem menos de nós?
Peguemos no post, já que a discussão do orçamento durou mais de oito horas...
Estará a "qualidade" dos meus posts a diminuir? Estarei eu a perder inspiração? Vontade de escrever? Ou esperarão as pessoas de mim mais do que aquilo que eu sou, na verdade, capaz de lhes dar?
Não sei responder a estas questões. E a razão é simples: não gosto de criar expectativas no sentido da esperança. Não gosto de olhar para alguém e esperar algo dessa pessoa. Imaginá-la de uma forma que ela não é. Ou, pelo menos, que eu não sei se é. Não quer isto, contudo, dizer que eu não crie expectativas. Sou humana. Mas, se elas saírem logradas, não culpo ninguém além de mim própria.
Há uma única pessoa que me interessa. Com quem crio demasiadas expectativas. E que me desaponta muito, e muitas vezes. Que me magoa. E que nunca, nunca me deixa completamente satisfeita. Eu mesma.
Em 2004 o meu primeiro (e único, até à data) livro foi publicado. Excitada com toda a azafama, desatei a escrever nova história. Depois parei. Reli. E apaguei tudo. Não estava a escrever para mim. Estava a escrever para os outros. O prazer era nulo. E eu não vivo da escrita. Sinto-a. Respiro-a. Uso-a para me exorcizar. Não é ela que me usa. Tiro prazer dela. Se assim não for, não vale a pena. Acima de tudo, escrevo para mim, Se mais pessoas gostarem, fantástico. Se não... não.
E este blog não passa disso. De palavras escritas de mim para mim, de braços abertos para todos os que aqui chegam. Mas esses braços não se fecham. E, no dia que quiserem partir, não sou eu que os vou segurar...