
... e nome!
Ainda envergonhados pela última visita à minha casa,
que culminou numa alça desprendida de um corpete caro, os pais do E. aceitaram novo convite para vir jantar cá a casa. Aposto que a L. e o T. acharam que eu me tinha arrependido de não ter posto o corpete na conta deles. Mas não. Eu guardo sempre os trunfos nas mangas, para um dia mais tarde. Há-de sempre haver qualquer coisa à qual eu preciso que não me digam "não". Eis que é chegada a hora. Apesar de o resto do "Gang da lingerie" não estar, não depositei a minha confiança no pequeno vândalo, e tranquei a minha
lingerie num sítio seguro, não fosse o diabo tecê-las (ou o diabrete estragá-la). Se o pirralho quer vestir
lingerie cara, que experimente vestir a da mãe. Aqui a "tia" já deu para esse peditório.
Plano:
Eles chegam cá a casa, o puto maravilha-se com o cão, eu insinuo que eles, tendo uma vivenda com jardim podiam ficar com ele, eles refutam a ideia, debatem-se, eu tenho o puto do meu lado, ainda menciono
en passant a história do corpete, e eles acabam por ceder.
Claro que o bicho ia mostrar-se renitente em sair daqui de casa, afinal eu sou a sua rainha, mas em dois ou três dias esquecia-me e tinha alguém para brincar, espaço, condições...
As coisas correram um bocadinho ao lado. Ou seja, pelo melhor. O puto ficou histérico com o cão. Mal eu disse que tinha de lhe arranjar um lar, o T. saltou da cadeira e disse que queria, que queria. A L. hesitou, mas eram os seus dois homens a pedir. O cão, que agora se chama Rudolfo (eu baptizei, na qualidade de madrinha), ainda olhou para mim com ar triste, à saída. O E. segurava-o nos braços, num misto de incredulidade e medo que eu me arrependesse. Eu sabia que não me podia arrepender.
Há separações que são inevitáveis. Já sei que ele se portou bem no carro, e começou a fazer o reconhecimento à casa toda mal chegou. O E. não o larga, o T. está mais excitado que o pequenito, e a L. acomodou-se alegremente à ideia. O Rudolfo, esse, vai ter uma vida feliz. E já no próximo Sábado vai contar com uma visita da sua magnífica heroína. Presumo que as minhas saudades são mais do que as dele. Já estava a habituar-me a tê-lo por cá.
Agora vou confiar-vos um segredo: anda ali um gatinho no jardim que ainda vem parar cá a casa. Bad a salvar o Mundo, um animal de cada vez...