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Qual não foi o meu espanto quando o zapping do MQT parou logo ali na SIC Mulher, por alturas do horário nobre. A razão para isso? A porca da Nigella. E, de repente, ficamos assim: ele hipnotizado a ver a Nigella, eu atónita a ver a lata dele. Eu até já tinha percebido uma movimentação masculina em torno daquela fraude. Mas nunca pensei que ela me viesse bater à porta. "Fraude porquê?", perguntam OS leitores. Porquê, meus amigos? Porque ninguém entra numa cozinha vestido de branco dos pés à cabeça, cozinha, mexe na comida com a mão, lambe os dedos (gostam disso, não gostam?), geme de prazer quando prova a comida (oh, delicious! Oh, I love when we have to use a full pack of eggs on a recipe!), e depois vai para a mesa, juntar-se aos convidados, usando a mesmíssima roupa. Meus amigos, orientem-se. É tudo mentira. Eu também sou capaz de ir para a cozinha com a minha melhor roupa, saltear uns camarões tigre com alho. Parto os alhos com as minhas próprias mãos. Mexo tudo, e ainda meto o dedo no molho e o lambo lascivamente esse mesmo dedo, revirando os olhos enquanto gemo um nasalado "Hummmm! Adoro o sabor do alho acabado de dourar no azeite virrrgem, enquanto ainda está queeente!". É possível que, só neste processo, entre o azeite que salta em direcção a mim e aquele molho que pingou enquanto eu lambia os dedos, eu já tenha quatro nódoas. Mas pára aqui? Claro que não. Tenho de fazer crepes. E, apesar de ter batedeira, afago a bacia com os ingredientes no regaço e bato à mão. Assim fico corada. E ganho mais três nódoas. E lambo o dedo outra vez, para ver a consistência da massa. Exclamo algo como: "Hummm, este sabor a manteiga é de comerrr e chorar por MAIS!", e começo a fritar. Podia virá-los no ar, como os profissionais? Podia, mas isso não tem élan nenhum. Eu, cozinheira sensual, pego neles com uma espátula, pouso-os na mão, dou-lhes uma palmada e volto a colocá-los na frigideira. E fico com a mão ligeiramente queimada. Nada que não se aguente. Entretanto chegam os convidados e eu recebo-os. Com as mãos a cheirar a alho, um bocado de molho enfiado numa unha, um bocado de massa de crepe enfiado noutra, o cabelo a cheirar a grelhados, cerca de 10 nódoas na roupa e uma mão ligeiramente queimada. Isto, meus amigos, é a vida real. Se acham que estou a mentir, rumem à cozinha e experimentem.
Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!