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A blogosfera anda toda em polvorosa por causa da crónica da Margarida Rebelo Pinto. Tivesse eu alguma consideração pela criatura e talvez debitasse um ou dois bitaites sobre o que ela escreveu acerca das gordinhas e das giras. Mas a verdade é que me importa muito pouco o que diz a Guida, reconheço-lhe pouco talento e relativa sobriedade para valorizar o que quer que seja que saia daquela cabeça. Adiante, que isto é hora de falar de uma problemática dos dias de hoje. Agradeço à Andreia, amiga VIP no Facebook, o alerta para este flagelo: os "percebes". Os "percebes" terminam toda e qualquer frase com intenso e condescendente "percebes?".
- O arroz fica assim soltinho, percebes? (cortesia da Andreia)
- Estava um trânsito descomunal, deve ser do início de aulas, percebes?
- Mandei aqueles documentos pelo correio, percebes?
- Gosto de sentir a chuva na cara, percebes?
Não, não percebo. Aliás, ninguém percebe. Tu és um(a) gajo(a) tão à frente, que precisas de confirmar a cada 5 minutos se as pessoas te estão a acompanhar. Não vá o teu raciocínio ser uma coisa tão brutalmente espectacular que nós, os comuns mortais, precisamos deste "check point" constante, ou corremos o risco de ficar para trás nesse assunto de interesse nacional que é fazer arroz soltinho. Também gosto do púbere "tipo". Mas o "tipo" é uma coisa geracional. Nas minhas relações o "tipo" está muito esbatido. O "percebes" não. Porque, toda a gente sabe que, à medida que vamos ficando mais velhos, a percepção que temos do que os outros dizem diminui muito. Valham-nos as mentes brilhantes, os iluminados. Tipo assim os supra-sumos, percebes?
Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!