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Da pequenez humana

por Bad Girl, em 16.08.11

Antes de avançar com este post, devo fazer aqui uma declaração de intenções. Uma coisa que sirva para, quando terminarem a leitura, saberem muito bem o que me deixa as entranhas revoltadas. Para que não haja lugar para dúvidas. Nem para leituras nas entrelinhas. Sabe Deus o quão farta dessas eu estou.

Não aprecio, de todo, o humor que fazem os Homens da Luta. E não pus humor entre aspas porque o humor não sou eu que defino. Para mim, o "Último a sair" era humor. Para a minha avó, humor é "Os malucos do riso". Não discuto isso. Voltando ao bovino frio, não gosto particularmente do trabalho dos Homens da Luta: não me fazem rir, o espírito interventivo soa-me a forçado e a um pouco oportunista, mas isso, lá está, é uma opinião minha. Obviamente, e já presenciamos fenómenos deste género desde o Big Brother (ou antes, não sei bem), a fama é uma coisa que se cola às pessoas e lhes tolda a visão. Encadeadas com o barulho das luzes, algumas pessoas são capazes de fazer tudo para aparecer. Outras (ou as mesmas, numa fase mais avançada deste alpinismo desenfreado), são capazes de tudo para não desaparecer. E ainda há as outras. Aquelas que, maravilhadas com o resultado do "aparecimento", não percebem como é que todas as pessoas do mundo não lhes reconhecem um valor que, lá pelo meio do caminho e iludidos pela bajulação de meia dúzia de carneiros, se convenceram que tinham. Não sei qual é o diagnóstico destes senhores em particular, não sou a reencarnação de Freud e tanto se me dá que eles sejam famosos ou não, que tenham seguidores ou não. Posto isto, dou a outra face: não achando a mínima ponta de graça aos HdL, não pude deixar de esboçar um sorriso aquando da sua vitória no Festival da Canção. Mas desenganem-se: a piada foi o facto de os HdL terem ajudado a deitar por terra uma data de costumes instituídos. Não gosto do Zé Cabra e havia de achar a mesma piada a uma possível vitória dele no FdC. Esclarecido que está este ponto, ao que interessa: fui alertada para uma situação aberrante, que teve lugar na página dos novos salvadores da pátria: os senhores HdL, na página do Facebook, decidiram colocar o vídeo de uma rapariga (uma ex-concorrente do Biggest Loser português) que - horror dos horrores!!! - não conhece a música dos HdL. A arrogância, a megalomania... há uma pessoa que ousa não saber a cançoneta que deu visibilidade nacional aos senhores. E podia ter ficado por aí, ah, ah, ah, ela não sabe o refrão, que coisa mais estranha, e pronto. Mas não, os HdL decidiram legendar o fenómeno, com um "Cuidado com a reacção camaradas pá!!! Temos aqui um exemplo concreto pá!!". A língua portuguesa flui de uma forma exemplar, como se pode ver. Desengane-se, porém, quem acha que eu acho que os senhores são dotados de pouca fluência linguística. O que eu acho é que eles têm de falar ao nível de quem os "compra". Quatro sílabas, no delírio, e, e... Tanto quanto sei, o que os HdL não apreciam é a "reacção". Aos olhos dos HdL, a sociedade tem de ser mais activa e menos reactiva. E o que fazem eles para mostrar coerência? Instigam à reacção. Não acho que os senhores, quando publicaram o vídeo, soubessem onde isto ia parar, pelo que a minha opinião sobre eles fica para trás. É lamentável que sejam tão pequeninos que partam do princípio que as pessoas devam conhecer o trabalho deles. A menos que se pretendessem fazer humor. Eu, mais uma vez, não achei piada. Isso, para mim, descreve-os enquanto artistas e enquanto líderes do que quer que seja. Aquilo que me apetece esmiuçar agora não são os HdL. Esses têm um prazo de validade não maior do que a crise. São as bocas da "reacção" que se seguiram e que estão ao nível daquilo que faria um rato de esgoto, tivesse ele computador e acesso à net. Então, digam-me lá porque é que a rapariga não sabia a letra da música (?) - é como o humor, nem vou por aí - dos HdL. De acordo com os reactivos seguidores dos ditos, que vomitam as palavras "camarada" e "pá" como se de um código secreto se tratasse, ela não sabe a letra porque é gorda e loira. Portanto, vamos lá por partes: gente(inha) que vibra com os senhores que, alegadamente, querem despertar consciências, têm comentários insultuosos, intolerantes e plenos de apologia à segregação. Instigados pela mágoa (ia dizer "recalcamento", mas nem sequer sei se será isso) de umas virgens ofendidas, os admiradores que seguem reactivamente os senhores que abominam a reacção, acreditam que as pessoas devem ser segregadas de acordo com aquilo que pesam e a cor do cabelo que têm. Não todos, há meia dúzia de comentários decentes. É de aproveitar esta oportunidade de ver tanta perfeição junta, já que ali se deve reunir nada menos do que o que de mais interessante há na nossa sociedade. Pessoas magras e inteligentes que - não se pode ter tudo - sodomizam a língua portuguesa com todas as suas forças. Pessoas que não sabem escrever, não sabem pensar pela própria cabeça, mas que acreditam que têm uma luzinha no cérebro, só porque sabem trautear uma canção. São tão melhores do que a gorda... E do que eu que, apesar de não ser gorda nem loira, também não sei cantar aquilo.           

 

 

 

Sou toda pela liberdade de expressão. Mas não pela liberdade do insulto.

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Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!

 

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