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A mãe da S.
A mãe da minha colega S. subiu a um banco para pegar em qualquer coisa que estava numa prateleira mais alta e caiu. Ao cair, bateu com a cabeça no balcão da cozinha e ficou sem sentidos. Tinha o arroz no fogão. Estava com roupa de andar em casa, ia tomar banho antes de a família chegar para almoçar e ainda não tinha dado comida ao cão. Foram encontrá-la assim, caída, sem dar resposta. O arroz continuava ao lume e o cão estava deitado ao lado dela. A mãe da S. foi para o hospital num estado de coma do qual apenas saiu para morrer. A mãe da S. não sabia que ia morrer, não deixou contas pagas, roupa de enterro escolhida ou afectos acertados. A mãe da S. não sabia que ia morrer, a mãe da S. era uma senhora nova, sem doenças, sem problemas de maior. A mãe da S. tinha coisas combinadas, coisas pendentes, planos para depois. A mãe da S. não se despediu de ninguém, não disse às suas pessoas o quanto gostava delas. A mãe da S. ia à procura de um tacho, ou de uma caçarola, ou lá do que era. Caiu. Em casa. Caiu de um banco para onde subia constantemente, bateu com a cabeça no balcão que usava todos os dias, no dia em que a família se ia reunir. Foi uma morte estúpida.
As cinco pessoas que encontramos no céu
Eddie morre num acidente, no dia do seu 83º aniversário. Chegado ao céu, depara-se com uma surpresa que não foi muito do seu agrado: à sua espera estão cinco pessoas cujas vidas ele influenciou, ou que influenciaram a sua vida. Não são necessariamente as mais importantes. Não são necessariamente as que mais amou ou odiou. Poderá até nem ter conhecido todas as pessoas que encontra no céu. Mas há uma razão para serem essas as cinco pessoas que Eddie encontra no céu.
Gostaria de me lembrar mais vezes que esta coisa da imortalidade só está na minha cabeça. Que não sei quem são as cinco pessoas que vou encontrar no céu. Talvez seja bom "fechar" todos os dias as contas dos afectos. As outras? As outras podem ficar pendentes.
Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!