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De Asa Butterfield já se esperava o brilhantismo. Depois de o ver em "O rapaz do pijama às riscas" era óbvio que estávamos perante um daqueles miúdos que mergulharam num poço de talento e, qual Obélix, regressaram à tona com uma força extraordinária. Miúdos que, muito possivelmente, vivem numa disciplina e rigor impróprios para a idade. Que dispensam grande parte da infância para se dedicar a um mundo que os devora com a mesma facilidade com que poderá cuspi-los quando perderem a graça e para competirem num mundo de adolescentes e jovens adultos de corpos esculturais, sorrisos alinhados e maçãs do rosto salientes. E é aí que toda a graça infantil que os distinguiu no meio da multidão deixa de lhes servir, acabando até por ser contraproducente. Ontem vi "Extremely loud and incredibly close". O filme, quanto a mim, não é nada de especial. Tem um argumento razoável, actores de talento constante e confiável (até a Max Von Sydow se ousou "roubar" a voz) e uma brilhante excepção: Thomas Horn. Claro que haverá um director de casting neste mundo (bem haja!) que olhou para este miúdo e achou que um filme inteiro podia respirar do seu talento, desconhecido até agora. Que actores consagrados, oscarizados e celebrados podiam respirar ao ritmo dele. E é assim que se consegue um filme que nos suspende a respiração de quando em vez, que nos enche de vontade de dar um par de açoites ao miúdo ao mesmo tempo que nos apercebemos que o que queremos é dar-lhe colo, a apreensão num sopro de talento atrás do outro. Compreendo que a Academia não possa nomear Thomas Horn ou Asa Butterfield. São apenas miúdos, não estão preparados para serem assoberbados pela competição nem têm créditos firmados. E nestes dois casos os estúdios não podem fazer o "truque" do costume: arranjar forma de fazer a criança passar para papel secundário (Hailee Steinfield, True Grit, ano passado) para lhes aumentar as possibilidades numa competição de "segunda linha". Estes dois filmes vivem de dois miúdos, e não há volta possível. A história não ajuda Hollywood, mas ajuda-os a suportar esta estratégia. Não tem sido brilhante a vida dos meninos prodígio de Hollywood. É como diz uma dessas crianças, agora com 29 anos: "Anyone who hits the top as a child star has no place to go but down" (Linda Blair, nomeada para o Oscar em 1973). Mas lá que qualquer um deles merecia, pelo menos, a nomeação, lá isso merecia.
Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!