por Bad Girl, em 25.02.13
Agora que a convalescença me obriga a uma maior permanência em casa, vejo-me obrigada a "conviver" com algumas coisas com as quais não convivia anteriormente. Anúncios, por exemplo. Sim, posso passar à frente o programa, passar atrás, saltar a publicidade, ver uma semana inteira em duas horas, mas experimentem lá ver episódios novos de qualquer série que gostem durante uma semana... não dá. Os canais passam a vida a dar séries, é verdade, mas é uma falsa verdade, porque os episódios se repetem. Ad nauseum. E também há séries que eu não vejo, ponto. Assim sendo, dou por mim a deixar os anúncios passarem à frente dos meus olhos, para ver se o tempo faz o mesmo. E estão cada vez piores, os anúncios. Eu percebo isso da crise, e de ter de cortar, mas a sério, quem é que faz aqueles anúncios do Kinder Bueno? A filha do director de marketing? Eles (os anúncios) nunca foram bons, lá com aquela coisa do "quero tanto o último Kinder Bueno que flirto com qualquer cromo que se meter à minha frente", mas que raios é aquilo da senhora que irrompe casa do Nélson Évora adentro, "eu sou a tua nova vizinha, dá-me lá coisas para comer, pode ser o último Kinder Bueno". Ah? Eu não passo de uma consumidora de publicidade, mas creio que ou os anúncios são realistas ou os anúncios são brutalmente irrealistas e fantásticos. Não são uma espécie de nham, funfth, lhé. Primeiro, toda a gente sabe que são os actuais moradores que batem à porta dos vizinhos novos. Não é o contrário. E depois... ele abre a porta, ela espreita para todo o lado... e ela vai lá para comer o último de qualquer coisa... a sério? Não faz ponta de sentido. Para não fazer sentido, teria de ter graça. Também não tem graça. Se não faz sentido e não tem piada, teria de ser realista. E, a ser realista, a moça até podia bater à porta do Nelson Évora. Podia. Mas há imagens que correram mundo de Nelson Évora em calções de lycra. E se ela lá vai bater à porta, não há-de ser para lhe comer o Kinder Bueno. Ai não há-de não.
Já sei. Vou desligar a televisão e dedicar-me à leitura.