por Bad Girl, em 05.03.14
Eu queria que tivesse sido uma separação de namorados. Daquelas separações que acontecem porque já não dá mais, cada um vai para seu lado, não nos vemos por aí. Não foi. Foi um divórcio. Um divórcio daqueles que mete filhos. Vamos continuar a ver-nos, o cancro e eu. Todos os meses lá irei eu, de coração nas mãos, receando que ele me vá invadir a casa outra vez. Se voltamos a viver juntos, numa relação desinteressante e viciada. Nada disso, porém, importa hoje. Hoje foi o dia em que me disseram "vá!". Sem análises. Sem internamento. Sem operações. Sem químicos a correr nas veias. Vá, pura e simplesmente, vá. E, de repente, órfã de cancro, preparada que ia para tomar uma decisão difícil (logo conto), sinto-me leve. Muito leve. E é só isso que importa hoje. Isso e o sol que, depois de tanto tempo escondido, escolheu logo o dia de hoje para aparecer.