por Bad Girl, em 18.03.14
Quando comecei a ver o Lost não imaginava que me podia apaixonar por uma série como nunca me havia apaixonado por uma série, em toda a vida. No dia em que a minha televisão me mostrou aquele avião a bater na ilha, a minha vida mudou. E não estou a exagerar. A vida muda todos os dias, com as mais pequenas coisas. À medida que a série avançava, e apesar de algumas inexplicáveis incongruências, havia algo que me atraia. Esperança. No dia em que aquele avião caiu na ilha, todos os que lá iam (sim, sim, é ficção, já sei) tiveram direito a um novo começo. E eu, cheia de esperança. Numa altura, esperança que todos conseguissem sair da ilha. Depois, esperança que conseguissem voltar. Tudo o que mais tive, durante seis anos, ao ver aquela série, foi esperança. É-me inevitável, carregada que fico de esperança quando metemos aviões e desaparecimentos na mesma frase, olhar para o avião da Malaysian Airlines e estabelecer um paralelo com o Oceanic 815. Pensar que todas aquelas pessoas vão aparecer, sãs e salvas, com inúmeras histórias para contar. Não é possível, claro que não é possível. A realidade não imita a ficção. Os aviões não se escondem assim sem mais nem porquê, guardando as pessoas consigo. Não haverá novos começos. E fico zangada, muito zangada com o Lost. Não porque pôs ursos polares numa ilha tropical ou porque havia um fumo preto a mandar naquilo. Mas porque me ensinou a ter esperança nestas coisas. E eu não consigo olhar para isto e não ter uma esperança pequenina. Sou uma tonta.