Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]
O Zé vive em Panhenhas de Cima. Não, o Zé não vive em Panhenhas de Cima. O Zé é praticamente dono de Panhenhas de Cima. Panhenhas de Cima tem três ruas, uma delas do Zé e da sua família. Nessa rua há uma herdade, toda ela do Zé. À passagem do Zé e dos seus, as pessoas mostram deferência. A missa não começa antes do Zé chegar, não há consulta no consultório do médico lá de Panhenhas de Cima pela qual o Zé tenha de esperar, não há entrave que lhe criem na Junta de Freguesia quando vai tratar de coisas. Toda a gente sabe que a vida do Zé é muito mais urgente que a deles. Um dia o Zé teve de sair de Panhenhas de Cima para tratar de umas coisas. Foi à cidade mais próxima e ninguém lhe tirou o chapéu ou se curvou ligeiramente para o cumprimentar. À chegada à Câmara Municipal, teve de esperar. Ninguém sabia quem ele era, figura maior de Panhenhas de Cima. E na consulta da especialidade, lá no médico da cidade, não só esperou durante horas como ainda teve de pagar. O Zé saiu um dia de Panhenhas de Cima e o banho de mundo fê-lo regressar deprimido. Que o mundo lá fora não prestava. Que não há respeito. Que Panhenhas de Cima é que é, dali para fora nada presta. Há muita gente assim. Fechada em Panhenhas de Cima, onde são os maiores. Pena é haver tanto mundo além disso.
Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!