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Ele era igual ao Arthur, do filme The Holiday (foto abaixo). Chegou para jantar sozinho, ficou na mesa ao pé da nossa e, ainda que alemão, começamos a chamar-lhe Arthur como se do do filme se tratasse. As salas de jantar dos hotéis estão cheias de histórias que "lemos", inventamos e ouvimos à socapa. Este hotel tinha sobretudo velhinhos, e o que eu gosto de hotéis com velhinhos, daqueles que se arranjam para jantar, de camisas engomadas e calças com vincos desenhados, cabelos indiferentes à praia e aos abusos da vida estival. E o Arthur lá estava, sozinho. Impecável de arranjado e sozinho. E eu fiz logo o diagnóstico, depois de MQT ter achado admirável que um septuagenário tivesse a coragem de vir passar férias sozinho. Eu sosseguei-o. Afinal, sabia bem que o Arthur era, claramente, um viúvo que havia passado férias naquele mesmo hotel todos os anos com a mulher. Seco com a sua ausência, nada lhe pareceu mais razoável do que repetir, ano após ano, este ritual. E foi assim na primeira vez que o vimos. Na segunda e na terceira também. Depois, após a terceira vez, fomos para o bar e ele lá estava. Tinha-se composto com um casaco de malha e continuava sozinho. Eu, provavelmente com TPM fornecido pelo calor, senti um rubor na cara e senti-me triste pelo Arthur, ali sozinho, a cumprir um ritual que fazia com a mulher da sua vida. Nisto, e eu tinha virado a cara só por uns segundos, uma fresca aí com uns cinquenta anos alapa-se ao pé do pobre do Arthur, e lá ficaram eles. Bebiam Margueritas e gargalhavam. Não riam, nem sorriam, gargalhavam... E eu devo ter ficado com umas trombas até ao chão, a dar por perdida toda a minha tristeza anterior. Tanto, que MQT me perguntou porque é que eu estava fula com o Arthur. E eu respondo o óbvio:
- Então é este o respeito que ele tem pela falecida?!?!
Eu sei, devia ir mais ao cinema e trazê-lo menos para a minha vida.
(Eli Wallach, ou Arthur)
Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!