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por Bad Girl, em 16.02.16

Eu não tenho os dados todos. Não sei a verdade. Mas sei que uma mãe se atirou ao mar com duas filhas. Não consigo imaginar o aperto, o desespero, a dor de uma mãe que leva as filhas para a morte, para as salvar do inferno da vida. Eu não tenho os dados todos, parece que há uma sinalização. E uma investigação a decorrer. Um processo pingue-pongue que vai da polícia para o Ministério Público e de lá outra vez para a polícia. Eu não sei, não posso saber, o que leva alguém a sentir que o único caminho é o fundo do mar. Há coisas que eu sei: é que eles andam aí. Misturados com o resto das pessoas, os animais que espancam as mulheres no meio das pessoas decentes. Os filhos da puta que, no ano passado, assassinaram 28 mulheres e tentaram matar outras 33. E nós olhamos para os números e temos muita pena destas mulheres. Às vezes, julgamos. Julgamos o que ouvimos e julgamos que sabemos. Julgamos que, se calhar, a Bárbara Guimarães está a mentir. Julgamos que a vizinha está a exagerar. Julgamos que os sorrisos são testemunho de paz. Opinamos. No meio do processo, dizemos que é preciso fazer queixa. Como se o inferno acabasse aí. Mas não. Eu não sei se alguma vez acaba. Não sei de estatísticas. Mas sei de uma mulher que foi destratada pela polícia no dia em que, corajosamente, foi fazer queixa. Não está nos jornais, é minha amiga. Aceitamos que uma juíza, cujo salário é pago pelos nossos impostos, dê a sua opinião a uma vítima de violência no decorrer do julgamento. Que a destrate, que a desrespeite. E não é preciso ser-se uma figura pública. À minha amiga a juíza disse que achava impressionante que ela não estivesse disposta a dar uma segunda oportunidade ao "rapaz". O mesmo a quem apreenderam uma arma ilegal e que lhe tinha deitado a porta de casa abaixo, ao pontapé. O mesmo que lhe bateu nas filhas, que gritou para a vizinhança que as filhas não eram dele. Esse mesmo que, de quinze em quinze dias, podia visitá-las. Confiar nesta justiça? Fugir? Para onde? A justiça tarda e falha, é cega e insensível. A vida não se compadece com as burocracias e o mesmo país que compra faqueiros de 100.000€ enquanto o Diabo esfrega um olho tarda em responder a pessoas que vivem o inferno em casa. Que definham aos poucos com o corpo brutalizado e a mente a desabar. De cada vez que uma mulher é espancada, morta à pancada ou se atira ao mar por não encontrar nenhum caminho entre a depressão e o medo, nós falhamos. E é esse falhanço que as mata.

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Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!

 

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