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Normalmente, nesta coisa das guerras, sou uma espécie de Suíça. Excepção feita quando um dos lados me "exige" uma tomada de posição. Nesse caso, acho sempre que devo estar do outro lado.
É uma coisa que chega mais devagar. Não nos corta a respiração, mas arrebata-nos o pensamento. Não nos tolda a razão, porque sabemos ao que vamos. E gostamos do caminho. Não faz o coração saltar do peito. Antes nos dá a certeza de que ele bate no ritmo certo.
Dois anos. E nós a acharmos que não ia passar dos dez minutos.
Tomo a pílula há mais de 15 anos. Sempre a mesma. Durante anos demo-nos bem. A ceninha que guarda as pílulas era redonda e tinha um autocolante. Imaginemos que eu começava a tomar a pílula aos Sábados. Colava o autocolante redondo com o risco que dizia "Sábado" sobre o risco que dizia "Início", e pronto. Em mais de 15 anos de pílula esqueci-me duas vezes de a tomar. Duas! Mas tu tinhas que vir estragar tudo. A ceninha redonda devia ser cara, e tu decidiste fazer um rectângulo ridículo com uns números absurdos por trás. E eu fico a olhar para aquela coisa absurda, todos os dias, a pensar: "tomei ou não tomei?". E pronto, viro a treta e começo a contar. 6ª, Sábado, Domingo, 2ª, 3ª, ..., ah, já tinha tomado!...
Bayer, Bayer, há coisas que não se fazem. Se este se tornar um babyblog haverá, certamente um motim. E algo me diz que eu serei o menor dos teus problemas. Quanto ao nome, nada mais fácil: Bayer + Bad Girl = Baydril.
Peço que relembrem agora o vosso primeiro amor. Um amor absolutamente devoto, quase platónico. Amor por aquele que se passeava a uma distância tão grande que não dava para tocar, mas tão curta que não dava para ignorar. Talvez esse amor se tenha transformado, num dia de sorte, nuns beijos na boca e em algumas promessas nunca cumpridas. Esse amor, pelo qual levamos uma vida a suspirar, a pensar o quão bom teria sido, se as promessas se tivessem cumprido. Imaginem que recordam com nostalgia esse amor, durante toda a vossa vida. E que o reencontram, uns anos depois. Envelheceu mal. Perdeu allure. Suspiramos e agradecemos ao universo pela promessa não cumprida.
Para mim, esse "amor" é Londres.
A foto é minha, de Camden, e eu sei... está muito boa.
Às vezes dou por mim a pensar na vida. Coisa curta. O pensamento. A vida espera-se que não. Adiante, ontem cheguei à conclusão que a minha vida tem uma óptima relação qualidade-preço. Ou seja, pelo preço que eu estou disposta a pagar por ela, é uma vida óptima. Há, certamente, muitas vidas muito melhores. Mas são muito caras. E eu até podia meter-me num empréstimo para ficar com uma dessas vidas. Mas os bancos querem sempre garantias. E eu não estou disposta a dar nem a alma nem o corpo para garantir empréstimo nenhum. Também não me apetece muito arranjar um fiador. Há vidas que custaram o mesmo que a minha e são bem piores. Fiz, portanto, um óptimo negócio.
Este post é mais menos sério do que parece.
Não sou mal-educada. Nunca fui mal-educada. Tenho mau feitio, uma arrogância do caraças, e digo (escrevo mais do que digo, mas também digo) muitos palavrões. Mal-educada? Nunca. Nunca faltei ao respeito a ninguém. Nunca tive más maneiras. Sou frontal e bruta, talvez faça demasiada questão de meter as pessoas nos seus lugares mas nunca, nestes quase 33 anos de vida, fui mal-educada com ninguém. A nível de trabalho, permitam-me a falta de modéstia, sou de uma diplomacia exemplar. Não compreendo, por isso, como é que há pessoas capazes de aproveitar a desculpa de um mau dia para serem mal-educadas com alguém. Acho sempre que a educação das pessoas se revela na adversidade. Podem passear-se com carteiras de marca, belíssimos sapatos e carros topo de gama. Podem trabalhar sotaques, largar a palavra "querida" a cada duas frases, cumprimentar as pessoas apenas com um beijo. Podem frequentar os melhores restaurantes, as festas mais concorridas e conhecer todas as capitais da Europa. Porém, ao depararem-se com a mais pequena adversidade, partem a camada (mais ou menos fina) do verniz de marca que tão alegremente ostentam. É uma tristeza. E um caminho sem volta. Depois de racharem o verniz uma vez, não adianta passar uma nova camada por cima. A marca ficou lá. E é feio.
... é num ápice que "corto" contacto com as pessoas que me chateiam. Apago número de telefone, endereço de email, bloqueio no Facebook, e mais houvesse. Chato é que, num acesso do mais feroz dramatismo nunca poderei dizer "Fulaninho, para mim, morreu!", porque dos mortos ainda guardo os contactos.
Há pessoas com paranóias piores, não há?
Estão em extremos opostos as razões que me impedem de retirar os blogues "mortos" do meu reader e as que me fazem manter, dia após dia, na memória do telemóvel, os números de pessoas que já morreram.
Às vezes há pessoas que fazem mal aos meus amigos. Eu ganho-lhes um ódio do tamanho de um bisonte. Adulto. Às vezes os meus amigos perdoam as pessoas que lhes fizeram mal, relevando o mal que elas lhes fizeram. Eu continuo a ter-lhes ódio. Por vezes essas pessoas, que fizeram mal aos meus amigos, são namorados e namoradas dos meus amigos. E, eventualmente, até casam com eles. Continuo a nem poder olhar para a cara delas. A racionalidade dos amigos nem sempre é a melhor. E, quando se mistura o amor nisto tudo, a coisa fica pior. Não adianta dizerem que quem ficou magoado foram vocês. Que, se vocês perdoaram, eu não tenho o direito de continuar com o ódio. Vocês foram magoados. Certo. E a dor de ver um amigo sofrer? E a vontade de espancar violentamente a pessoa que vos fez mal? E os choros? E as horas de ombros emprestados? Se querem que vos diga, só perdoo os meus amigos por perdoarem quem lhes fez mal porque são meus amigos. E por eles faço tudo. Até relevar a estupidez. E eternizar ódios.
Sabe quem acompanha este blogue há algum tempo as razões que me levam a frequentar, com certa assiduidade, o IPO do Porto.
Há cerca de um ano e meio que lá vou. O parque de estacionamento cresceu, atrevo-me a dizer, para o dobro da capacidade. Hoje cheguei lá às nove e quarenta da manhã e só consegui um lugar para estacionar o carro às dez e vinte. Quarenta minutos às voltas num parque gigantesco. Não pode ser bom sinal. Quando finalmente consegui ir ter com a minha mãe, já ela estava na consulta. Na sala de espera, nem um lugar vago. Não pode ser bom sinal.
Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!