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Peço que relembrem agora o vosso primeiro amor. Um amor absolutamente devoto, quase platónico. Amor por aquele que se passeava a uma distância tão grande que não dava para tocar, mas tão curta que não dava para ignorar. Talvez esse amor se tenha transformado, num dia de sorte, nuns beijos na boca e em algumas promessas nunca cumpridas. Esse amor, pelo qual levamos uma vida a suspirar, a pensar o quão bom teria sido, se as promessas se tivessem cumprido. Imaginem que recordam com nostalgia esse amor, durante toda a vossa vida. E que o reencontram, uns anos depois. Envelheceu mal. Perdeu allure. Suspiramos e agradecemos ao universo pela promessa não cumprida.
Para mim, esse "amor" é Londres.
A foto é minha, de Camden, e eu sei... está muito boa.
Às vezes dou por mim a pensar na vida. Coisa curta. O pensamento. A vida espera-se que não. Adiante, ontem cheguei à conclusão que a minha vida tem uma óptima relação qualidade-preço. Ou seja, pelo preço que eu estou disposta a pagar por ela, é uma vida óptima. Há, certamente, muitas vidas muito melhores. Mas são muito caras. E eu até podia meter-me num empréstimo para ficar com uma dessas vidas. Mas os bancos querem sempre garantias. E eu não estou disposta a dar nem a alma nem o corpo para garantir empréstimo nenhum. Também não me apetece muito arranjar um fiador. Há vidas que custaram o mesmo que a minha e são bem piores. Fiz, portanto, um óptimo negócio.
Este post é mais menos sério do que parece.
Finalmente "botei lembradura" da temática sobre a qual me queria debruçar desde o passado Domingo. Algo que, não parecendo, me apoquenta a alma. Algo que me deixa a pontos de questionar toda a racionalidade da génese humana: o que raio passou pela cabeça de Jorge Jesus? Não estou a falar da diarreia mental que ele colocou na forma de equipa. Na verdade, isso é o que menos importa. Estou a falar do cabelo, senhores, do cabelo. A Jorge Jesus não basta ter um mau penteado e desfilar toda uma paleta de más cores de tinta capilar durante o campeonato. No Domingo decidiu ostentar um cabelo com raízes brancas. Uma mescla de branco acinzentado com amarelo baço. Jorge Jesus já não tem tempo de pintar o cabelo. Jorge Jesus esqueceu o principal: à medida que lhe vai saindo a tinta, vai-se revelando o cabelo de origem: o cabelo com que ele treinou o Belenenses e o Braga, onde chegou sempre a nenhures ou pouco além. A tinta começa a sair e o verdadeiro JJ começa a não ter como esconder de todos o óbvio: se com tantos cabelos brancos, o mais longe que chegou foi ao Benfica, não pode ter uma atitude à Mourinho.
Não sou mal-educada. Nunca fui mal-educada. Tenho mau feitio, uma arrogância do caraças, e digo (escrevo mais do que digo, mas também digo) muitos palavrões. Mal-educada? Nunca. Nunca faltei ao respeito a ninguém. Nunca tive más maneiras. Sou frontal e bruta, talvez faça demasiada questão de meter as pessoas nos seus lugares mas nunca, nestes quase 33 anos de vida, fui mal-educada com ninguém. A nível de trabalho, permitam-me a falta de modéstia, sou de uma diplomacia exemplar. Não compreendo, por isso, como é que há pessoas capazes de aproveitar a desculpa de um mau dia para serem mal-educadas com alguém. Acho sempre que a educação das pessoas se revela na adversidade. Podem passear-se com carteiras de marca, belíssimos sapatos e carros topo de gama. Podem trabalhar sotaques, largar a palavra "querida" a cada duas frases, cumprimentar as pessoas apenas com um beijo. Podem frequentar os melhores restaurantes, as festas mais concorridas e conhecer todas as capitais da Europa. Porém, ao depararem-se com a mais pequena adversidade, partem a camada (mais ou menos fina) do verniz de marca que tão alegremente ostentam. É uma tristeza. E um caminho sem volta. Depois de racharem o verniz uma vez, não adianta passar uma nova camada por cima. A marca ficou lá. E é feio.
As pessoas exigem mudanças. Vindas sabe-se lá de onde. Cruzam os braços e amuam. A vida não muda. Enroscam-se numa manta, no sofá, à espera. E nada muda. Ficam à espera de chamadas de pessoas que, normalmente, não ligam. Mas que raio, as pessoas. Nunca mudam. Chegam ao emprego e saem de lá fartas. Sempre a mesma coisa, sempre as mesmas conversas, sempre a mesma rotina. Nunca muda. E o trânsito? Sempre a mesma treta. Nunca muda. Ligam para os amigos para saber novidades. Não há, está tudo igual. Não mudou nada. Se as pessoas se empenhassem tanto em mudar as coisas à sua volta como se empenham a queixarem-se dessas coisas, que nunca mudam, iam assistir, nas suas vidas, a um milagre: o da mudança. É incrível perceber a quantidade de pessoas que estão ansiosas por grandes mudanças, sentadas no sofá.
Outubro - Chávez veio a Portugal comprar os barcos que os Açores não quiseram.
Novembro - Hu Jintao vem a Portugal comprar a dívida que ninguém quer.
Já que estamos a vender o que não nos serve a ditadores, será que Ahmadinejad não quer passar por cá antes do fim do ano? Temos políticos fresquinhos.
Estão em extremos opostos as razões que me impedem de retirar os blogues "mortos" do meu reader e as que me fazem manter, dia após dia, na memória do telemóvel, os números de pessoas que já morreram.
Quando forem convidados para alguma coisa, perguntem sempre quanto custa.
E não levem sapatos de salto alto.
Sabe quem acompanha este blogue há algum tempo as razões que me levam a frequentar, com certa assiduidade, o IPO do Porto.
Há cerca de um ano e meio que lá vou. O parque de estacionamento cresceu, atrevo-me a dizer, para o dobro da capacidade. Hoje cheguei lá às nove e quarenta da manhã e só consegui um lugar para estacionar o carro às dez e vinte. Quarenta minutos às voltas num parque gigantesco. Não pode ser bom sinal. Quando finalmente consegui ir ter com a minha mãe, já ela estava na consulta. Na sala de espera, nem um lugar vago. Não pode ser bom sinal.
Às vezes estou num cruzamento, parada atrás de alguém. E, enquanto o condutor que está à minha frente decide esperar o momento certo, eu rogo-lhe pragas. Juro - mas juro mesmo! - que teria passado (pelo menos) três vezes enquanto o pateta não arranca. Por isso não entendo quando, por vezes, há um idiota atrás de mim que buzina ou dá sinais de luzes. A mim! Logo a mim, que espero o momento exacto para avançar. Nem um carro antes, nem um carro depois. Acontece o mesmo quando entro em rotundas. E piscas? Eu cá fico doida com aqueles que dão pisca quando a faixa obriga a ir naquela direcção. TODOS sabemos que é para ali que ele vai. Em todas as outras circunstâncias, é ver-me ligar o pisca. Está bem que estou enfiada numa fila na faixa da direita enquanto o transito flui nas outras faixas. Mas não é garantido que eu queira mesmo sair ali. E aqueles totós que fazem 25 manobras para fazer uma mísera inversão de marcha? Eu? Eu faço o número perfeito de manobras para conseguir fazer inversão de marcha. Está bem que há quem consiga fazer aquilo de uma vez só, mas isso é porque têm carros mais pequenos.
Ora eu não vim para aqui falar de condução (deixei o estacionamento de fora por razões que agora não interessam). Este post, parecendo que não, é sobre a amizade. Porque me custou ter tido de conviver com o P. um destes dias. Imaginar que a L. o perdoou tira-me do sério. Imaginar que a L. o perdoou E voltou a aceitá-lo na vida dela chega a revoltar-me o estômago. Pensar que ia ter de estar com o P. dilacerou-me as entranhas. Eu havia de lhe dizer das boas... ai havia! Depois parei para pensar: talvez a L. prefira entrar na rotunda sem ver o trânsito que vem. Fazer a inversão de marcha de uma só vez. Por muito que me custe engolir, ela escolheu-o. Outra vez. Ela sabe o que ele lhe fez. Ela sentiu o que ele lhe fez. Eu emprestei o ombro. Mas não sofri por ela. Porque as pessoas, por muito que queiram, não partilham a dor com os amigos. Emprestam-lhes os ombros. Sentem outra dor. A dor de ver um amigo sofrer. Mas aquela dor não é nossa. Nosso é o ombro que, sabemos quase certamente, iremos ter que emprestar outra vez.
Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!