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Das resoluções de Ano Novo - I

por Bad Girl, em 29.12.14

No ano passado não me permiti a resoluções. Conscientes. Não desejei ficar mais magra (ainda bem, porque não fiquei e é menos uma desculpa que tenho de dar) nem poupar mais, não ambicionei uma volta ao mundo ou uma mudança radical de vida. As resoluções são diferentes quando estamos doentes. Resolvemos que queremos ficar bem. Resolvemos que queremos voltar a ter cabelo. Resolvemos que queremos parar de passar horas infinitas a fazer quimioterapia. Mas resolvemos isso sem fazer nenhuma resolução. Sem verbalizar. Sem apontar num caderninho. Sem, sequer, pensar nisso como uma resolução. No balanço de 2014 concluo que, ao longo do ano, fiz duas resoluções. Ainda que não sabendo, nesse momento, que estava a fazê-las. A resolução primeira remonta ao final de 2013 ou início de 2014. Após uma daquelas maratonas de 16 horas de quimioterapia (que já me parecem tão distantes), fui comprar uma droga qualquer à minha segunda farmácia preferida (que é a Barreiros, a primeira é a Costa Lima, agora já sabem - não, o post não é patrocinado). De gorro na cabeça, penso na mão, cansada e com algum incómodo no corpo, tirei a senha e esperei. Logo a seguir entrou um casal, ambos muito porcos, cabelos nojentos, roupas sujas, cheiro mau, ela grávida, ele a tratá-la abaixo de cão, um palavrão atrás do outro, ela a ripostar à letra, a chamar muitas coisas muito feias ao pai daquela criança que ela carregava. E eu não pude deixar de olhar, sentir algum rancor, pensar que aquela criança ia nascer daqueles pais enquanto a minha gravidez me tinha premiado com um cancro. Senti-me injustiçada. Senti-me mais merecedora de ter um filho do que aqueles que ali estavam. Depois, logo depois, decidi que não era essa a pessoa que eu queria ser. Resolução de novo ano (dia), logo ali. E não voltei a ser essa pessoa.

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Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!

 

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