Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Há algo que me prende o peito e a voz, e que eu preciso partilhar, sob pena de enlouquecer ao guardar tudo para mim.Conheci a Sarah há mais ou menos 5 anos, quando partilhamos, lado a lado, uma das piores descobertas das nossas curtas existências. Mas sobre mim não vou falar, porque este post é sobre uma das pessoas mais fortes e mais corajosas que tive o privilégio de conhecer. A Sarah tinha uma doença rara no sangue, que não me apetece explicar. Durante todo este tempo mantivemos o contacto e a promessa que fizemos ao sair de Barcelona: acontecesse o que acontecesse, pelo menos nós nunca nos iríamos julgar uma a outra. Nunca nos voltamos a encontrar desde esse dia, mas aquela que mantínhamos era uma amizade quase telepática, difícil de explicar.
Pela promessa que fizera, mantive o silêncio, alimentado por uma dor e preocupação imensas quando recebi, por ela, a notícia da sua gravidez. Foi há pouco mais de dois meses, e eu fui a segunda pessoa a saber. O silêncio que se seguiu àquela revelação foi apenas um calar de todas as coisas que eu prometi não lhe dizer, há muito tempo atrás. Ambas sabíamos o que poderia (deveria, iria certamente) acontecer, e não era a mim que cabia lembrar-lho. Hoje, quando cheguei a casa, tinha à minha espera uma carta, da mãe da Sarah que, à falta de outras alternativas de contacto me comunicou assim a morte da filha.
Com uma doença grave, com uma gravidez de risco, a Sarah morreu num acidente de carro. E nem sequer teve culpa. A minha dor, que tomou conta de todo o meu peito; o meu estado de choque, que ainda não me deixa dizê-lo em voz alta; e este sentimento que é tão forte e tão intenso que ainda não me deixou verter uma lágrima, tomaram conta de mim, apodrecem-me por dentro, paralisam-me as reacções.
Fiquei meia hora ( podem ter sido quinze minutos, pode ter sido uma hora) sentada à porta de casa, carta na mão, sem pinta de sangue que me chegasse ao rosto. Na minha cabeça falei com ela, ri-me com ela, chorei com ela, não queria largá-la. Precisava (preciso) de a eternizar, assim feliz como estava quando falava comigo a contar-me:
- You're the only one who's not killing me when you hear this... I am with child!
E eu calei-me. Fingi alegria - sei lá se fingi! Fingi acreditar que tudo ia correr bem - sei lá se não acreditei mesmo... Convenci-me disso, deixei-a acreditar que eu, pelo menos eu, above all people, acreditava nisso.
Tenho ali uma prenda para o bebé. Lembrei-me agora.
Enquanto escrevo, as mãos ainda não pararam de tremer. As lágrimas, essas, não querem sair. Estão-me presas na garganta, estão-me agarradas ao coração. À primeira lágrima que eu deixar sair, acredito que a Sarah morreu, aceito esta derrota. Tenho a certeza disso. E é por isso que teimo em mantê-las guardadas à porta dos olhos.
Não é um sentimento de impotência com o qual eu queira gritar.
Não é uma manifestação de dor intensa, mas sim de uma dor pura, uma dor esperada.
Não é a revolta natural contra as coisas da vida, mas um misto de serenidade e raiva.
Talvez seja adormecimento e ódio. Talvez seja paz e angústia.
E a certeza de que nada nesta vida é certo, e que agora a Sarah não terá mais de esperar por uma morte anunciada, pois ela chegou. Não foi na altura certa, mas se há coisa que eu nunca ouvi dizer sobre a morte foi que ela tivesse sentido de oportunidade.
Tenho, pelo menos, uma certeza: a Sarah partiu feliz.
E, um destes dias, eu vou deixar de ser egoísta e conseguir chorar por ela.
If I had just one wish
Only one demand
I hope he's not like me
I hope he understands
That he can take this life
And hold it by the hand
And he can greet the world
With arms wide open...
With arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
Now everything has changed
I'll show you love
I'll show you everything
With arms wide open
With arms wide open
I'll show you everything..oh yeah
With arms wide open....wide open

... depois de uma ausência de mais de 7 anos da vida académica, já me tinha esquecido que quanto mais argumentarmos e melhor mostrarmos a um professor que ele está errado, maiores serão as probabilidades de ele nos presentear com uma nota de merda no fim do seminário. 


Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!