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With arms wide open

por Bad Girl, em 17.07.07
Há algo que me prende o peito e a voz, e que eu preciso partilhar, sob pena de enlouquecer ao guardar tudo para mim.

Conheci a Sarah há mais ou menos 5 anos, quando partilhamos, lado a lado, uma das piores descobertas das nossas curtas existências. Mas sobre mim não vou falar, porque este post é sobre uma das pessoas mais fortes e mais corajosas que tive o privilégio de conhecer. A Sarah tinha uma doença rara no sangue, que não me apetece explicar. Durante todo este tempo mantivemos o contacto e a promessa que fizemos ao sair de Barcelona: acontecesse o que acontecesse, pelo menos nós nunca nos iríamos julgar uma a outra. Nunca nos voltamos a encontrar desde esse dia, mas aquela que mantínhamos era uma amizade quase telepática, difícil de explicar.

Pela promessa que fizera, mantive o silêncio, alimentado por uma dor e preocupação imensas quando recebi, por ela, a notícia da sua gravidez. Foi há pouco mais de dois meses, e eu fui a segunda pessoa a saber. O silêncio que se seguiu àquela revelação foi apenas um calar de todas as coisas que eu prometi não lhe dizer, há muito tempo atrás. Ambas sabíamos o que poderia (deveria, iria certamente) acontecer, e não era a mim que cabia lembrar-lho. Hoje, quando cheguei a casa, tinha à minha espera uma carta, da mãe da Sarah que, à falta de outras alternativas de contacto me comunicou assim a morte da filha.

Com uma doença grave, com uma gravidez de risco, a Sarah morreu num acidente de carro. E nem sequer teve culpa. A minha dor, que tomou conta de todo o meu peito; o meu estado de choque, que ainda não me deixa dizê-lo em voz alta; e este sentimento que é tão forte e tão intenso que ainda não me deixou verter uma lágrima, tomaram conta de mim, apodrecem-me por dentro, paralisam-me as reacções.

Fiquei meia hora ( podem ter sido quinze minutos, pode ter sido uma hora) sentada à porta de casa, carta na mão, sem pinta de sangue que me chegasse ao rosto. Na minha cabeça falei com ela, ri-me com ela, chorei com ela, não queria largá-la. Precisava (preciso) de a eternizar, assim feliz como estava quando falava comigo a contar-me:
- You're the only one who's not killing me when you hear this... I am with child!
E eu calei-me. Fingi alegria - sei lá se fingi! Fingi acreditar que tudo ia correr bem - sei lá se não acreditei mesmo... Convenci-me disso, deixei-a acreditar que eu, pelo menos eu, above all people, acreditava nisso.

Tenho ali uma prenda para o bebé. Lembrei-me agora.

Enquanto escrevo, as mãos ainda não pararam de tremer. As lágrimas, essas, não querem sair. Estão-me presas na garganta, estão-me agarradas ao coração. À primeira lágrima que eu deixar sair, acredito que a Sarah morreu, aceito esta derrota. Tenho a certeza disso. E é por isso que teimo em mantê-las guardadas à porta dos olhos.

Não é um sentimento de impotência com o qual eu queira gritar.
Não é uma manifestação de dor intensa, mas sim de uma dor pura, uma dor esperada.
Não é a revolta natural contra as coisas da vida, mas um misto de serenidade e raiva.
Talvez seja adormecimento e ódio. Talvez seja paz e angústia.
E a certeza de que nada nesta vida é certo, e que agora a Sarah não terá mais de esperar por uma morte anunciada, pois ela chegou. Não foi na altura certa, mas se há coisa que eu nunca ouvi dizer sobre a morte foi que ela tivesse sentido de oportunidade.
Tenho, pelo menos, uma certeza: a Sarah partiu feliz.
E, um destes dias, eu vou deixar de ser egoísta e conseguir chorar por ela.

O título do post tem a música preferida da Sarah, que eu preciso deixar aqui:

"With Arms Wide Open"

Well I just heard the news today
It seems my life is going to change
I closed my eyes, begin to pray
Then tears of joy stream down my face

With arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
With arms wide open

Well I don't know if I'm ready
To be the man I have to be
I'll take a breath, I'll take her by my side
We stand in awe, we've created life

With arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
Now everything has changed
I'll show you love
I'll show you everything
With arms wide open
With arms wide open
I'll show you everything ...oh yeah
With arms wide open..wide open

[Guitar Break]



If I had just one wish
Only one demand
I hope he's not like me
I hope he understands
That he can take this life
And hold it by the hand
And he can greet the world
With arms wide open...

With arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
Now everything has changed
I'll show you love
I'll show you everything
With arms wide open
With arms wide open
I'll show you everything..oh yeah
With arms wide open....wide open

Neste post vou fechar os comentários. Porque este é apenas um desabafo, um escape, uma homenagem a uma das pessoas mais fabulosas que já existiu, e porque quero que aqui estejam apenas as minhas palavras. Mas registei aqui porque, apesar de tão privado, este é o meu canto, esta sou eu, e foi aqui que eu precisei exorcizar este acontecimento. Porque a Sarah merece este "Adeus".

Sexta-feira, 13?

por Bad Girl, em 14.07.07
Acordei e percebi que, depois de um Verão transformada num estaleiro, a minha piscina está de volta.

Tive uma proposta de emprego.

Sai a meio da tarde para ir para Beja, faltando por isso a 2 reuniões com o KIA.

Pesei-me: e tenho menos 2 quilos!

Jantar com gente fantástica. Que só percebi que é assim tão fantástica porque aconteceu uma coisinha digna de sexta-feira, 13 que me abalou mais do que eu gostaria mas muito menos do que poderia.

A noite em Beja? Fantástica. Karaoke manhoso até às tantas, Bad cantando "Sai da minha vida" e Shakira num bar gay (sim, em Beja, imagine-se!)

Um upgrade para Suite.

E ainda dizem que as sextas-feira treze dão azar?

É hoje

por Bad Girl, em 02.06.07

Primeiro foi o choque inicial. A eminencia de o voltar a ver, ao fim de tanto tempo.
O tempo passou.
Olhava para o calendário "escolar" com a nítida sensação de que não ia aguentar a espera e, pior que isso, não seria capaz de chegar lúcida ao reencontro.
O destino, esse palhaço, trocou-nos as voltas e antecipou-o.
Depois a primeira aula. Ausência do professor por motivos pessoais.
A segunda. Ausência da aluna por estar a esquiar.

Hoje, não haverá volta a dar-lhe. Eu estou cá. Não recebemos nenhuma informação de que a aula tenha mudado. Vai acontecer, e nada posso fazer para evitá-lo. Quer dizer, posso faltar, mas evitar os "confrontos" não faz o meu género. Nunca fez.

... foi assim que ontem começou a minha aula. Já era tempo deste MBA começar a animar. Decidi não traduzir para não lhe "arrancar" a essência. Depois de perguntar isto, o homem da Inovação seguiu para Bingo, e deixou-nos a pensar.

- Was it satisfying, or did the ground move? In all aspects of your life, is not the satisfying experiences that count anymore. People and businesses will only be remembered if they can make the ground move. Satisfying is average.


E aqui fica a minha lição do/ para o fim-de-semana.

Já não me lembrava...

por Bad Girl, em 16.02.07
... depois de uma ausência de mais de 7 anos da vida académica, já me tinha esquecido que quanto mais argumentarmos e melhor mostrarmos a um professor que ele está errado, maiores serão as probabilidades de ele nos presentear com uma nota de merda no fim do seminário.
Já me tinha esquecido que isto acontecia, mas pior ainda: já me tinha esquecido do quão fula eu fico com estas merdas.

A apresentação

por Bad Girl, em 10.02.07

O corpo e a mente estavam cansados.

A luz que assinalava a saída de emergência do quarto era de um amarelo avermelhado, que enchia o mesmo de uma impossibilidade de eu conseguir adormecer. Senti o passar das horas sem poder fazer nada para o impedir, sem conseguir passá-las a dormir. Arrastei-me para o chuveiro a custo. Na outra cama, os restos de uma noite de trabalho. Papeis, computador, apontamentos... A (des)organização lógica da noite anterior já não fazia sentido. Desci para o pequeno-almoço como um condenado à morte se prepara para a sua última refeição. Num ápice, uma chávena de café com leite, um bolo de arroz e um iogurte. Passagem rápida pelo quarto para pegar nos apontamentos. O tempo continuava a correr.


A sala estava cheia. Meia cheia de caras conhecidas. A outra metade? O pelotão de fuzilamento. Não havia volta, as imagens começavam a ser projectadas e era necessário comentá-las...


Como me acontece normalmente nestas coisas, não me lembro de nada... nada de nada (ou quase). Lembro-me apenas de ter dito um par de vezes "reunião" em vez de "região". Não me lembro de ter dado um grande suspiro de alívio no penúltimo slide. Mas conta quem viu e - se lembra! - que foi giro... E que correu muito bem. Das melhores até hoje, ao que consta.

Agora vou mesmo dormir. Pelo menos já está feito. Agora, venham os outros grupos, que eu vou ficar a observar...

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Se...

por Bad Girl, em 10.02.07

Se um dia, lá no vosso burgo, alguém vos disser que vos quer oferecer um MBA porque vocês merecem, e são muito bons, e querem mesmo investir em vocês... blá, blá, blá, eis a resposta lógica (na altura não vos vai parecer, mas acreditem em mim): "Não, obrigado!"
Explicação:
Hora actual: 03:09
Localização: Braga
Até agora estive a: ensaiar a apresentação pública do trabalho.
A ter lugar: amanhã
Alvorada: 08:30
Previsões: não muito animadoras...
Amanhã vos conto.
Agora preciso dormir...

Tags:

Sinais

por Bad Girl, em 16.12.06
Afinal a culpa disto aqui é minha. Eu já devia imaginar. Afinal, parece-me que as minhas costas não só são giras como largas...
Hoje apanhei o gajo a jeito, e lá vou eu:

- Olha, ***, eu quero dizer-te para deixares de me mandares e-mails. Para além de inconvenientes, eu nunca te dei confiança para me mandares mails a dizer que eu estava sexy...
O rapaz, vermelho como o tapete da minha sala, olha para mim, e vai de dizer:
- Claro que deu. Você me fica dando sinais...
Passei em flashback todas as quatro ou cinco palavras que trocamos até agora, e pensei cá para mim "Estás tramado!".
- Ah, eu dou-te sinais? Muito bem, e quais foram os sinais?
- Você ficou olhando para mim quando fez a apresentação do seu trabalho...
Aqui dei-lhe um desconto: será que ele acreditava naquilo que estava a dizer?
- Sim, para ti, para os outros, é o que se faz quando se faz uma apresentação. Também se pode virar as costas, mas não me parece muito bem. E já agora, que sinal é que eu te dei quando não respondi ao convite para jantar?
- Pensei que você estava fazendo jogo duro.
Não, não dá... isto é uma conversa de loucos, vamos de colocá-lo no lugar num instantinho...
- Olha, então fazes assim: da próxima vez que achares que eu te estou a dar sinais, olha para o espelho. Depois olhas bem para mim e percebes que estás a tentar jogar num campeonato que não é o teu.
Eu quando quero sou mesmo muito muito cabra. Mas não admito gajos fracos. Agora a culpa era minha, não? Pelo menos se, daqui para a frente me chamar parva convencida, já pode dizer que eu lhe dei sinais!!!!

E o que é que ele respondeu:
- Oi?
(Reumindo, foi tempo perdido. Ele não entendeu nada do que eu disse).

Como disse?

por Bad Girl, em 16.12.06

Já custa o que custa sair da cama num Sábado de manhã às 08h30m para ir para as aulas, quando estão 5ºC lá fora e um clima tropical dentro do leito. Para piorar o cenário, o seminário hoje foi com um senhor professor doutor mestre sei-lá-mais-o-quê que se limitava a ler os power points que projectava. Ainda por cima, repetia de três em três segundos (ou menos), "não é?". Mas corrido no meio das frases, e dito tipo "noé?". Acho que cheguei a adormecer, com os olhos abertos. Porém, tenho a certeza que acordei na altura em que o diapositivo projectado dizia (em várias frases diferente): ... a viajem... as viajens...

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! NÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Cereja no topo do bolo é quando o senhor distribui um documento e alerta para o facto de aquilo ter sido distribuído pelo País com erros ortográficos!!!!!!!!! Uma vergonha, senhor Porfessor Doutor Mestre e mais sei-lá-o-quê, não é?


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Ao contrário da maior parte das pessoas, não vou pôr-me com falsas modéstias: sou gira, sou inteligente, sou interessante. Mas também sou Má... como todas as mulheres, não é? Como perceberão com as leituras, e como este é um reflexo de mim, naturalmente tenho um blog bipolar!

 

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